Author(s):
Brás, José Miguel Tomás
Date: 2010
Persistent ID: http://hdl.handle.net/10316/14240
Origin: Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Subject(s): Doença de Parkinson
Description
Parkinson’s disease (PD) is the second most frequent neurodegenerative
disease, following Alzheimer’s disease, and has been commonly designated a
sporadic disorder with few environmental triggers. To date, the single most
important risk factor for the disease is ageing. Since the proportion of the
elderly is growing steadily as the longevity of the population increases, this
leads to greater numbers of patients suffering age-associated
neurodegenerative diseases, including PD. Parkinson’s disease not only has
a devastating effect on the individual patients and their families but it also
imposes an enormous socioeconomic burden on society.
Nevertheless, about 10% of cases present early-onset of disease, commonly
defined at below 40 years of age, and familial clustering, suggesting that
genetic factors play a pivotal role in these cases.
This led, in the late 1990s, to the identification of mutations that presented
clear segregation in families and were, thus, considered pathogenic. Several
loci and genes have since been identified where mutations are disease
causing, shedding light on the genetic background of mendelian forms of the
disease.
The work presented herein follows 4 lines of research with the ultimate goal of
clarifying the role of genetics in PD.
The first chapter was aimed at characterizing mendelian PD in populations
where it was mostly unknown. To this end, we have conducted a screening of
mendelian genes in a Portuguese cohort, representative of the population of
the center region of Portugal. In addition to the Portuguese population, we
have also screened a small cohort of samples from sub-Saharian Africa. This was particularly important since it was the first study to address the genetics
of PD in a population from this region, where genetic diversity is known to be
far greater than in Caucasian Europeans.
An approach that has yielded promising results in the past is candidate gene
association studies. Broadly, these studies look at common variability in
genes that fit the pathogenesis of the disease, and determine if alleles are
more frequent in cases when compared to controls. Chapter two deals with
two association studies: the first aimed at determining if variants in the gene
HFE were associated with PD; while the second was an attempt to replicate
recent results implicating the gene GIGYF2 in PD. While the first study was
performed only in a Portuguese cohort, the second also looked at an
extended cohort from North America.
The third chapter builds upon chapter two, still dealing with candidate gene
association studies, however, here we looked at a particular gene, where
recent results have been very promising. This chapter includes three separate
studies: the first performs a standard association study of variants in GBA in
the Portuguese cohort. The results from this study prompted us to perform a
similar study in different and extended cohorts, which we have done in Study
IX using a British cohort. Still in chapter three, we have performed a metaanalysis
of association studies of GBA in PD that includes 16 international
centers and nearly 11,000 samples.
Chapter four deals with a genome-wide association study in PD, where we
have tested a very large number of PD cases and controls for markers spread
throughout the genome. This approach has the benefit of not making a priori assumptions of genes’ relevance. This is particularly significant when studying
a disease like PD where the etiology still remains largely elusive. A Doença de Parkinson (DP) é a segunda doença neurodegenerativa mais
frequente, seguindo a Doença de Alzheimer, tendo sido frequentemente
designada como uma doença esporádica com potenciais causas ambientais.
Até à data, o factor de risco mais relevante para o desenvolvimento da DP é
a idade. Uma vez que a proporção da população idosa tem vindo a aumentar,
devido ao aumento da longevidade, o número de indivíduos afectados por
doenças neurodegenerativas, incluindo DP é, também, cada vez maior. A DP
tem, não só um efeito devastador para os indivíduos afectados e suas
famílias, mas também um impacto socioeconómico enorme para a sociedade.
Apesar da denominação comum de doença esporádica, cerca de 10% de
indivíduos com DP apresentam um inicio precoce da doença – definido como
início antes dos 40 anos de idade – e indícios de história familiar, sugerindo
que factores genéticos desempenham um papel de relevo nestas formas da
doença. Este facto esteve na origem, no final da década de 1990, da
identificação de mutações que apresentam clara segregação com a doença
em algumas famílias, tendo sido, por isso, consideradas mutações
patogénicas. Vários genes e localizações cromossómicas foram desde então
identificados, nos quais mutações levam invariavelmente ao início da doença,
clarificando, em parte, os mecanismos genéticos que estão na base destas
formas mendelianas da DP.
O trabalho que se segue foi delineado com base em 4 linhas de investigação,
com o objectivo final de clarificar o papel dos factores genéticos na DP.
O primeiro capitulo deste trabalho teve como objectivo caracterizar formas
mendelianas da DP em populações onde este campo não tinha, até a data, sido extensivamente estudado. Com esse fim, levamos a cabo um screening
de mutações nos genes mendelianos conhecidos num amostragem da
população portuguesa, representativa da população da região Centro. Para
além da população Portuguesa, também estudámos uma amostra de origem
Subsariana. O estudo deste grupo de indivíduos de origem Africana é de
particular importância, uma vez que foi o primeiro trabalho levado a cabo com
o objectivo de elucidar a genética da DP numa população daquela região,
onde a variabilidade genética é reconhecidamente maior do que na Europa
Caucasiana.
Um tipo de trabalhos que tem originado resultados promissores até a data
são os estudos de associação. Aqui, de uma forma genérica, é estudada a
forma como a variabilidade em genes, conhecidos como estando envolvidos
na doença, influencia o desenvolvimento da mesma, através da frequência
dessas variações em casos e controlos. O segundo capitulo deste trabalho
faz uso deste tipo de estudos com dois objectivos: o primeiro prende-se com
o gene HFE, verificando se mutações neste gene são factores de risco para a
DP; enquanto o segundo objectivo é o de tentar replicar resultados recentes
que implicam o gene GIGYF2 na patogénese da DP. Enquanto o primeiro
estudo foi realizado apenas numa amostragem da população Portuguesa, o
segundo fez uso de uma amostragem adicional de indivíduos Norte
Americanos.
O terceiro capítulo complementa o capítulo dois, utilizando ainda estudos de
associação. No entanto, aqui apenas nos debruçámos sobre um gene em
particular (GBA), o qual tem originado resultados muito promissores. Este
capítulo inclui três estudos: no primeiro estudo realizamos uma associação entre variantes na GBA na amostragem de indivíduos de origem Portuguesa.
Estes resultados levaram-nos a prosseguir o trabalho, desta feita num grupo
significativamente maior, de amostras de origem britânica. Ainda no terceiro
capitulo realizámos uma meta-análise de estudos de associação da GBA com
DP que inclui dados de 16 centros internacionais e cerca de 11,000
amostras.
No quarto capitulo realizámos um estudo de associação do genoma completo
com a DP. Neste trabalho testámos um numero significativo de marcadores,
posicionados ao longo de todo o genoma, em casos e controlos. Este tipo de
estudo tem o benefício de não presumir a priori quanto a potencial relevância
de genes para a doença. Este facto é de particular importância para uma
doença como a DP, onde a etiologia permanece ainda grandemente por
explicar. Fundação para a Ciência e Tecnologia e
Fundo Social Europeu (SFRH / BD / 29647 / 2006)