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Avaliação escolar: Às vezes tem segredos que a gente não sabe...

Author(s): Oliveira, Maria João Marques da Silva Picão cv logo 1

Date: 2003

Persistent ID: http://hdl.handle.net/10400.12/745

Origin: Repositório do ISPA - Instituto Universitário

Subject(s): Psicologia educacional; Avaliação; Instrumentos; Ensino; Aprendizagem; Atitudes; Objectivos educacionais; Educational psychology; Evaluation; Instruments; Reading; Learning; Attitudes; Educations objectives


Description
Dissertação de Mestrado em Psicologia Educacional A presente investigação, de carácter exploratório, contemplando também uma dimensão comparativa, tem como principal objectivo estudar os critérios de avaliação referidos pelos professores como orientadores do processo de ensino e avaliação em Português e Matemática e quais os que efectivamente utilizam. Pretende ainda estudar as percepções dos alunos face aos critérios de avaliação utilizados pelos respectivos professores nestas duas áreas disciplinares e saber se existem diferenças na percepção desses critérios entre alunos de 2o e 4o anos de escolaridade e alunos com sucesso e insucesso escolar. A amostra do presente estudo faz parte de uma população de catorze escolas do 1o Ciclo do Ensino Básico do concelho da Lourinhã, na qual participaram 30 professores (15 de 2o ano e 15 de 4o ano de escolaridade), tendo cada um indicado 4 dos seus alunos (2 com sucesso e 2 com insucesso escolar), tendo-se assim obtido um total de 120 alunos participantes no estudo. Foram utilizados, na recolha de dados, três instrumentos: a entrevista semi-directiva individual, uma ficha "tipo" de 2o e 4o anos de escolaridade (Português e Matemática) e o Método de Descoberta de Critérios (Noizet & Caverni, 1985), também utilizado no estudo que nos inspirou, sobre esta temática da avaliação escolar, de Martins et al. (1991). Para analisar as distâncias entre os critérios referidos e utilizados por cada professor e os critérios percepcionados pelos seus alunos, de 2o e 4o anos, com sucesso e insucesso escolar, utilizámos o 'Índice de Jaccard (IJ), que mede a proximidade entre duas distribuições. Os resultados obtidos confirmaram as nossas hipóteses quando concluímos haver diferenças entre os critérios referidos e utilizados pelos professores (2o e 4o anos) na avaliação de provas de Português e de Matemática. O IJ calculado para os professores , na disciplina de Português, varia entre 0,07 e 0,69, com um valor médio de 0,40 (DP=0,15). A média coincide com a mediana, indicando que metade dos professores apresentam valores inferiores ao valor médio e a outra metade valores superiores. Com IJ superiores a 0,5 apenas se registam 8 professores. Na disciplina de Matemática, o IJ calculado para os professores varia entre 0,00 e 0,75, sendo o valor médio de 0,38 (DP=0,18). Neste caso a mediana é de 0,40, indicando-nos que metade dos professores se situa abaixo deste valor e metade acima. Com valores superiores a 0,50 registam-se 9 professores. Quanto à percepção dos critérios por parte dos alunos (2o e 4o anos), na disciplina de Português e de Matemática, os dados estatísticos confirmam a existência de diferenças significativas, relativamente aos utilizados pelos respectivos professores. Em Português o valor mínimo para o IJ é de 0,00 e o valor máximo de 0,47, com valor médio e mediana de 0,19 (DP=0,10). Este valor reflecte a grande discrepância entre critérios referidos pelos alunos e utilizados pelos professores, dado que 50% dos alunos se situa abaixo do valor de 0,19. De referir que nenhum aluno regista valores superiores a 0,50 e apenas 17 alunos registam valores superiores a 0,30. Para os alunos, em Matemática o valor mínimo e máximo é de 0,00 e 0,8, respectivamente. Também, neste caso, o valor médio coincide com a mediana, sendo ambos de 0,25 (DP=0,15). Este valor reflecte, também uma acentuada discrepância, embora menor do que no caso de Português. Valores do IJ iguais ou superiores a 0,50 verificam-se para 10 alunos. No que se refere às diferenças na percepção dos critérios de avaliação por parte dos alunos com sucesso e insucesso escolar (2o e 4o anos), os dados confirmam, relativamente à disciplina de Português, haver diferenças estatisticamente significativas, sendo os alunos com sucesso os que melhor percepcionam os critérios utilizados pelos professores. O mesmo não acontece relativamente à disciplina de Matemática, em que as diferenças de média não se revelaram estatisticamente significativas. Se considerarmos os alunos com insucesso face aos alunos com sucesso, na disciplina de Português, verifica-se que a média do IJ para os alunos com insucesso é de 0,17 e de 0,21 para os alunos com sucesso. Ambas as distribuições apresentam um DP de 0,10. Metade dos alunos com insucesso têm valores do IJ abaixo de 0,16 e metade dos alunos com sucesso abaixo de 0,22. De um modo geral, os alunos com insucesso têm valores mais baixos do IJ. A diferença de médias revelou-se estatisticamente significativa com t=2,06; p=0,042. Relativamente à disciplina de Matemática, a média para os alunos com insucesso é de 0,24 (DP=0,14) e de 0.26 para os alunos com sucesso (DP=0,15). Neste caso as diferenças de média não se revelaram estatisticamente significativas. No que se refere às diferenças na percepção dos critérios de avaliação por parte dos alunos de 2o e 4o anos de escolaridade, na disciplina de Português, os dados estatísticos mostram-nos que a média do IJ é de 0,18 para os alunos de 2º ano (DP=0,09) e de 0,20 para os alunos do 4o ano (DP=0,10). Esta diferença não se revelou estatisticamente significativa, sendo a distribuição dos valores do IJ muito semelhante nos alunos de 2º e 4o anos de escolaridade. Na disciplina de Matemática, a média para os alunos do 2o ano é de 0,23 (DP=0,14) e de 0,27 para os alunos de 4o ano. Neste caso, temos que cerca de 10% dos alunos de 2o ano tem um valor do IJ de 0,00, para apenas 3% de alunos de 4o ano com igual valor. Não obstante este facto, a diferença de médias não se revelou estatisticamente significativa. Este estudo, dentro das suas limitações, pretende contribuir para reforçar a consciencialização dos professores face aos critérios que referem como orientadores do processo de ensino e avaliação em Português e Matemática e os critérios que efectivamente utilizam na avaliação destas duas áreas disciplinares. Consequentemente, poderá também contribuir para melhor compreender a importância da definição de critérios e a sua explicitação aos alunos, como forma de melhorar o processo de ensino-aprendizagem.
Document Type Master Thesis
Language Portuguese
Advisor(s) Matta, Isabel
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