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Caracterização dermocinética de geles tópicos de AHAs

Author(s): Ramalho, Ana Teresa da Silva cv logo 1

Date: 2007

Persistent ID: http://hdl.handle.net/10451/243

Origin: Repositório da Universidade de Lisboa

Subject(s): Dermofarmácia; Teses de mestrado - 2008


Description
Tese de mestrado em Farmácia Comunitária apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Farmácia, 2007 Os alfa-hidroxiácidos (AHAs) são ácidos carboxílicos com um grupo hidroxilo ligado ao primeiro carbono (alfa). Podem ser obtidos a partir de fontes naturais tais como: cana do açúcar (ácido glicólico), leite azedo e mel (ácido láctico), maçã (ácido málico), citrinos (ácido cítrico) ou, sintetizados em laboratório. São amplamente incorporados nos produtos cosméticos em concentrações de 5 a 20% com funções de limpeza, condicionadoras, para melhorar a aparência da pele, reduzir as linhas e as rugas. Têm igualmente sido usados no tratamento dos sinais de foto-envelhecimento e, como adjuvantes terapêuticos, em situações clínicas como o acne e a hiperpigmentação pós-inflamatória, geralmente resultante de acne, rosácea papulo-pustular, melasma, queratose actínica e seborreica. No que respeita à segurança, estão descritas reacções dermatológicas adversas associadas à aplicação de produtos cosméticos contendo AHA, designadamente: sensação de queimadura, dermatite ou rash, entumescimento, alterações da pigmentação, aparecimento de pápulas e pústulas, prurido, irritação, queimadura química e, fotossensibilidade. Em 1997 o painel de investigadores do CIR (Cosmetic Ingredient Review) conduziu um estudo para avaliação da segurança dos ácidos glicólico e láctico, tendo concluído que as formulações cosméticas contendo estes ingredientes devem possuir concentrações ≤10%, com um pH final ≥3,5. O presente trabalho teve como objectivo o desenvolvimento, caracterização e avaliação da estabilidade de geles contendo AHAs (ácido láctico, ácido glicólico). Após selecção das formulações mais estáveis, avaliou-se in vitro a permeação cutânea dos AHAs e, a influência da adição de um promotor cutâneo bisabolol às formulações desenvolvidas. Foi desenvolvido um gel hidrofílico de ácido glicólico e láctico de acordo com as recomendações do CIR, formulado com diferentes polímeros (goma xantana, hidroxietilcelulose (HEC), goma guar e goma esclerótica). Os polímeros hidroxietilcelulose (HEC) e goma esclerótica foram seleccionados para prosseguir os estudos de estabilidade e de permeação, após a sua caracterização físico-química e microbiológica. Quatro formulações resultantes da combinação de ácido glicólico e ácido láctico com os polímeros seleccionados, foram avaliadas através de um protocolo de estabilidade. Durante 360 dias, registaram-se as alterações ao nível macroscópico, pH, doseamento do ingrediente, propriedades reológicas e, alterações microbiológicas para os geles armazenados à temperatura ambiente e a 37ºC. Face aos resultados obtidos no ensaio de estabilidade, foram seleccionadas as formulações com ácido glicólico para efectuar os ensaios de permeação in vitro. Foram avaliados os perfis de permeação do ácido glicólico a partir de geles formulados com os dois polímeros diferentes através da membrana sintéticas de celulose, silicone e pele humana, na presença e na ausência do promotor cutâneo bisabolol. Os ensaios de permeação cutânea in vitro permitiram concluir que as formulações de ácido glicólico desenvolvidas, não penetram a epiderme humana. Contudo, a adição do bisabolol às formulações desenvolvidas promoveu a permeação cutânea do ácido glicólico. Para além das propriedades cicatrizantes, calmantes e anti-irritantes, o bisabolol, pode ser vantajosamente utilizado, em baixas concentrações, proporcionando uma actuação do AHA a um nível mais profundo. Em condições particulares, devidamente comprovadas, as membranas de silicone podem ser utilizadas em substituição de pele para estudos de permeação. Alpha-Hydroxyacids (AHAs) are carboxyl acids substituted with a hydroxyl group on the alpha carbon. They can be obtained from natural sources such as: sugar cane (glycolic acid), sour milk and honey (lactic acid), apple (malic acid), citrus fruits (citric acid) or may be made synthetically. AHAs have been widely incorporated into cosmetic products in concentrations ranging from 5-20% for purposes of cosmetic benefits such as cleansing, conditioning, improved skin tone, less lines and wrinkles. They have also been used in the treatment of photoaging and as an adjuvant for the treatment of clinical conditions like acne, pós-inflamatory hyperpigmentation, rosacea, melasma, ichthyosis, and actinic keratosis. Concerning safety, dermatological adverse reactions like burning sensation, dermatitis or rash, pigmentation alterations, papules and pustules, irritation, chemical burning, and photosensitivity, have been reported in association to the use of cosmetic products containing AHAs. In 1997 the CIR recommended that cosmetic products should have a concentration of Glycolic Acid, or Lactic Acid and their derivatives no greater than 10,0% w/w, and the pH of any product should be greater than 3,5. Following the CIR recommendations, a glycolic acid and lactic acid hydrophilic gel was developed and formulated with different polymers (xantam gum, hydroxyethylcellulose, guar gum, sclerotic gum). Hydroxyethylcellulose (HEC) and sclerotic gum polymers were selected to continue the stability and permeation studies, after physicochemical and microbiological characterization. The combination of glycolic acid and lactic acid with the selected polymers resulted in four formulations that were evaluated according to a stability protocol. During 360 days, the macroscopic appearence, pH, apparent viscosity, quantification of the active ingredient, rheological characterization and microbiological changes were resgistered for the gels stored under room temperature and at 37 ºC. According to the stability assay results, the glycolic acid formulations were selected for the in vitro permeation studies. The permeation profile of glycolic acid gel formulation based in two different polymers were evaluated through syntetic membranes of cellulose, silicone and human skin, formulated with or without the cutaneous enhancer bisabolol. The in vitro permeation studies alow us to conclude that the glycolic acid developed formulations do not penetrate the human epidermis. However, the adition of bisabolol to the formulations, allowed the cutaneous permeation of glycolic acid. Besides anti-irritant, calming, and anti-bacterial properties, bisabolol, could be used, in low concentrations, allowing a deeper penetration of the AHA. In particular conditions, particularly demonstrated, silicone membranes could be used instead of human skin in the permeation studies.
Document Type Master Thesis
Advisor(s) Ribeiro, Helena Margarida de Oliveira Marques, 1960-
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