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Caminhos de tolerância de John Locke às sociedades plurais

Author(s): Andrade, Isabel de Fátima Oliveira cv logo 1

Date: 2007

Persistent ID: http://hdl.handle.net/1822/6908

Origin: RepositóriUM - Universidade do Minho

Subject(s): 19 LOCKE; 172


Description
Dissertação de Mestrado em Filosofia, área de Especialização em Ética e Filosofia Política O debate em torno da questão da tolerância pôs-se desde sempre, dos mais diversos modos e nos vários domínios em que se exerce a actividade humana, mas foi com John Locke que teve especial desenvolvimento filosófico, tendo por contexto, no período moderno, a conceptualização em torno da sociedade civil e do Estado e questão de delimitação das esferas civil e religiosa; aquela é uma sociedade de homens livres, constituída com o objectivo de preservar e promover os bens temporais, esta, ao invés, uma sociedade de homens livres, voluntariamente reunidos, com o objectivo de preservar e promover os bens espirituais. A inquirição dos fundamentos da tolerância surge desta forma como uma consequência da demarcação entre essas duas tipologias de sociedades. Se ontem assim foi, hoje, a questão da tolerância, como um valor imprescindível para o desenvolvimento das relações entre os homens, mostra-se ainda mais complexa, à medida que se cruzam as relações entre as sociedades e que estas se interpenetram entre si: as sociedades actuais são cada vez mais globais, onde se movimentam não apenas bens e serviços, mas também, e sobretudo, pessoas, ideias e valores. O grande desafio que atravessa as nossas sociedades e Estados é a gestão de toda a diversidade resultante dessa crescente amplitude de mudanças no mundo. A multiculturalidade é um fenómeno transversal à maioria dos países, em que a existência de várias formas de vida quase nunca é fácil e ocasiona frequentemente conflitos e rupturas. A tolerância aparece assim como o princípio orientador das nossas acções e das políticas do Estado num contexto não somente diferente como mais complexo. É fundamental que cada um respeite o outro por aquilo que ele é, ainda que seja diferente, e nenhum grupo ou indivíduo deve julgar o seu modo de vida como único e verdadeiro. Deste modo, urge pensar a tolerância nesta sua nova configuração, de modo a responder também aos desafios surgidos pelos crescentes processos de fragmentação social. The debate concerning the question of the tolerance in our society, has always be present in various guises of human activity, but it was through the works of John Locke that it gained major philosophical advances, specifically, in the modern period, with the conceptualization around the civil society and of the State and the question of civilian's and religious spheres delimitation; that is a society of free men, whose primary objective is preserving and promoting temporary goods, as opposed, this is a society composed of free men, voluntarily gathered, whose primary objective is preserving and promoting the spiritual goods. The inquiry of foundations of tolerance appears this way as a consequence of the demarcation among those two typologies of societies. If, in the past, it was like this, today, the issue of the tolerance, as an fundamental value for the development of human relationships, is even more complex, given that there is a much more profound and greater interaction of ideas on a global scale. Not only are we considering the exchange of goods and services, but also, and above all, of human resources and their individual beliefs and values. The greatest challenge that crosses our societies and States is the administration of all the resulting diversity of that growing width of changes in the world. Multiculturalism is an established phenomenon in the majority of nations, where the co-existence of various lifestyles is never easy and frequently results in the outbreak of conflicts and ruptures. Tolerance appears, therefore, fundamental, with orientation of our actions and of the State politics, in a context not only different, as with different levels of complexity. It is of primary importance that we each have respect for our contemporary for that that he is, even if they portray characteristics alien to those of us, and no group or individual should judge themselves to be more valid and true than others. In this way, it is necessary to consider tolerance in this new format as a response to the ever increasing processes of social fragmentation of present day society.
Document Type Master Thesis
Language Portuguese
Advisor(s) Rocha, Acílio da Silva Estanqueiro
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