Document details

O realismo mágico - uma dimensão da literatura francesa do Século XX

Author(s): Pereira, Maria Eugénia Tavares cv logo 1

Date: 2005

Persistent ID: http://hdl.handle.net/10773/2861

Origin: RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro

Subject(s): Literatura francesa; Literatura francesa; Realismo


Description
Pierre Mac Orlan, Jules Supervielle, Alain-Fournier, Jean Cocteau, Jean Giono, Marcel Aymé, André Dhôtel, Julien Green, Julien Gracq, Yves Bonnefoy, Michel Tournier foram os autores do século XX que elegemos, de entre muitos outros, para, através da releitura das suas obras – Le Quai des brumes, L’Enfant de la haute mer, Le Grand Meaulnes, Les Enfants terribles, Mort d’un personnage, Le Passe-muraille, Le Pays où l’on n’arrive jamais, Le Visionnaire, Au Château d’Argol, L’Arrière-pays, Le Roi des Aulnes,– nelas desocultar uma nova dimensão : a do realismo mágico, embora também tenhamos julgado pertinente complementar a nossa reflexão com a análise de narrativas cinematográficas como Le Sang d’un poète, Les Disparus de Saint-Agil, Le Quai des Brumes, Les Visiteurs du soir, L’Eternel retour, Les Portes de la nuit, La Belle et la Bête, Les Enfants terribles, Orphée, Le Passe-muraille, Le Grand Meaulnes, Le Roi des Aulnes, Le Fabuleux destin d’Amélie Poulain. Numa primeira parte, propusemo-nos clarificar a origem do conceito de «realismo mágico» para, de seguida, abordarmos, atendendo à proliferante teorização europeia e sul-americana em seu torno, a sua complexidade terminológica. Numa outra etapa, tentámos apurar as razões da rasura desta designação no panorama literário francês e intuir, em contextos doutrinários como o romantismo ou o realismo, e em autores como Baudelaire, Rimbaud ou Maeterlinck, algumas fontes de inspiração primordial. Procurámos, em seguida, estremar fronteiras entre o realismo mágico e o real maravilhoso, por um lado, e a ficção científica, pelo outro. Procurámos, finalmente, estabelecer correspondências entre esta nova noção e o sonho, o maravilhoso e o sobrenatural. Na segunda parte deste trabalho, procedemos à análise das obras referenciadas, intentando demonstrar que todas elas se encontram subordinadas a uma ordem outra, que visa a criação de um universo ambíguo, cindido entre o visível e o invisível, o aparente e o oculto, a realidade e o sonho. No interior da narração, uma força impele esses dois mundos antagónicos um em direcção ao outro, de forma a encantar o leitor pela magia, cujo segredo tem de ser imperativamente descoberto, em cooperação interpretativa, por ele próprio. Em conflito aberto com a lógica e a razão, narradores e/ou personagens estão alerta, prontos para captar qualquer signo ou decifrar qualquer mensagem enviada pela realidade sensível e a exprimi-la, pelo recurso a um processo criativo em tudo semelhante ao do trabalho onírico. Na última parte, desenvolvemos uma aproximação ao imaginário realista mágico por intermédio da própria antinomia em que ele radica: inventariámos os sinais da emergência de um mundo oculto por detrás do mundo; indagámos a fusão de sonho e realidade, sob a óptica das temáticas da demanda iniciática e das deambulações mágicas, de modo a demonstrar como a busca de um Além (da infância perdida, do amor, de um lugar ideal) converge, de forma inevitável, numa intersecção de temas (o homem adulto, a solidão, o desespero, o absurdo), culminando na morte. Por fim, e a despeito de todos os esforços envidados para justificar a pertinência e a representatividade do corpus, não podíamos encerrar o nosso trabalho sem, antes, ensaiarmos uma (provisória) definição do realismo mágico na literatura francesa. ABSTRACT: Pierre Mac Orlan, Jules Supervielle, Alain-Fournier, Jean Cocteau, Jean Giono, Marcel Aymé, André Dhôtel, Julien Green, Julien Gracq, Yves Bonnefoy and Michel Tournier are the 20th century authors that, amidst many others, we have chosen, in the hope that, by developing a new approach of selected works – namely Le Grand Meaulnes, Le Quai des Brumes, Les Enfants Terribles, L’Enfant de la haute mer, Le visionnaire, Au château d’Argol, Le Passemuraille, Mort d’un personnage, Le pays où l’on n’arrive jamais, Le Roi des Aulnes, L’Arrière-pays – , we could shed some light on a new dimension they fully illustrate: magical realism. We have then sought to complement our reflection through analysis of cinematic narrative, choosing the films Le Sang d’un poète, Les Disparus de Saint -Agil, Le Quai des Brumes, Les Visiteurs du soir, L’Eternel retour, Les Portes de la nuit, La Belle et la Bête, Les Enfants terribles, Orphée, Le Passe-muraille, Le Grand Meaulnes, Le Roi des Aulnes and Le Fabuleux destin d’Amélie Poulain as a representative sample. In the first section, we have begun by elucidating the origin of the concept referred to as magical realism. In view of the extensive theoretical production, both European and South American, it gave rise to, we have taken it as the starting point to disentangle the terminological complexity imbedded in it. We have also surveyed the reasons why the term has been banned from French scholarship, simultaneously attempting to trace down its presence in different literary contexts (such as romanticism or realism) or authors (such as Baudelaire, Rimbaud or Maeterlinck). We have also sought to set the dividing line between magical realism and «real maravilloso», on the one hand, and science fiction, on the other. Lastly, we have established suitable correspondences between this new notion and the conceptual realms of dream, marvellous and the supernatural. In the second section, we have developed a thorough analysis of the selected literary works, aiming to show that they are all dependent upon an alternative order underlying the creation of an ambiguous universe, fractured between the visible and the invisible, the apparent and the concealed, i.e., reality and dream. Ingrained within the narrative, a force binds those two antagonistic worlds together, so as to lure the reader through magic, the secret of which he is compelled, through an act of interpretative cooperation, to find for himself. Because they are in open conflict with either logic or reason, both narrators and/or characters are able to sort out any sign or decipher any message pertaining to the empirical world, thereby expressing it by means of a creative activity akin to dream processes. We have finally approached the magical realistic imagination by referring to the antinomy on which it is grounded: on the one hand, we have gathered evidence proving the emergence of a hidden world behind the world; we have accounted for the fusion of dream and reality, by focussing on such themes as the initiation quest and the magical digression, attempting to show how the search for an utopian elsewhere (lost childhood, love, a never-never land) inevitably encompasses an intricate juxtaposition of themes (adulthood, loneliness, love, the absurd), always culminating in death. Lastly, in spite of all effort to account for the illustrative relevance of the literary texts chosen, we have endeavoured to provide a (tentative) definition of magical realism in French literature.
Document Type Doctoral Thesis
Language French
Advisor(s) Pageaux, Daniel-Henri; Laurel, Maria Hermínia Deulonder Correia Amado
delicious logo  facebook logo  linkedin logo  twitter logo 
degois logo
mendeley logo

Related documents


    Financiadores do RCAAP

Fundação para a Ciência e a Tecnologia Universidade do Minho   Governo Português Ministério da Educação e Ciência PO Sociedade do Conhecimento (POSC) Portal oficial da União Europeia