Document details

A relação escola e famílias: concepções elaboradas por agentes educadoras no âm...

Author(s): Antonio Roberto Seixas da Cruz

Date: 2008

Origin: OASIS br

Subject(s): educação; escola; famílias; professor; relação escola e famílias; education; school; families; teacher; school-family relationship; EDUCACAO


Description
A temática sobre a relação escola e famílias vem ganhando visibilidade nos cenários da educação brasileira, através de produções acadêmicas, debates nos espaços escolares e em outros setores sociais. Nesse sentido, com vistas a contribuir com as discussões, a presente Tese teve como objetivo: investigar sobre as concepções que as professoras dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de uma escola pública constroem a respeito da família, e qual a influência dessas concepções na relação entre a escola e as famílias dos alunos. Tratou-se de uma investigação de natureza qualitativa, do tipo estudo de caso único, sendo utilizada como principal estratégia metodológica a entrevista semi-estruturada com agentes educadoras da escola (diretora, coordenadora pedagógica e professoras) que atuam nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental (1 a 4 séries). Ao término da investigação, foram alcançados os seguintes resultados: a escola promove um discurso que defende a sua parceria com as famílias dos estudantes como fundamental para a aprendizagem das crianças, mas ignora, na prática, outros arranjos de família além do tradicional, impedindo pais/mães ou responsáveis de estabelecer uma relação de confiança com as agentes educadoras da escola; a instituição escolar tem dificuldade em ver as famílias como suas interlocutoras, porque as agentes educadoras não aceitam os modelos de família, aos quais pertencem seus educandos, por considerarem os modelos não-nucleares, que fogem do modelo constituído em seu imaginário, como desestruturados e desajustados. Agindo dessa maneira, a escola tende a afastar pais/mães ou responsáveis que não se vêem incluídos em tais padrões desejados pelos educadores. Isto porque eles mesmos (pais/mães de famílias nãonucleares) envoltos nas ideologias e nos padrões sociais que lhes impõem injunções e fazem com que acreditem que realmente são inferiores ou desajustados e, portanto,incapazes de propiciarem aos seus filhos as condições necessárias às atividades da escola, e conseqüentemente, desistem de se fazer presentes na instituição. Ao afastar essas famílias do ambiente escolar, seja porque não as enxergam como modelos viáveis ou porque as consideram incapazes de gerir as vidas dos filhos, as agentes educadoras da escola demonstram sua própria inabilidade para lidar com os sujeitos reais, o que faz com que muitos dos desafios que são de responsabilidade da escola passem a figurar no hall das responsabilidades das famílias dos alunos pertencentes aos arranjos familiares heterogêneos. Ao final do processo de pesquisa e produção deste trabalho, pode-se afirmar que a parceria escola-famílias ainda não é uma realidade. Isso porque a instituição escolar não conseguiu encontrar o caminho para dialogar com os pais/mães ou responsáveis que pertencem às classes minoritárias. Acreditamos que a escola precisa aprender a lidar com as diferenças, desafio ainda não superado. Para que esse caminho comece a ser trilhado, é necessário que haja, entre instituição escolar, famílias e outros segmentos envolvidos nos processos formativos escolares, uma relação dialógica, na qual os interessados possam atuar na construção de um projeto coletivo de escola, que possibilite a aprendizagem da convivência com as diferenças, papel que não cabe apenas à escola, mas a todos os setores da sociedade. The subject of relationships between schools and families has been gaining visibility within the scenario of Brazilian education, through academic production and debates within school forums and other social sectors. In this light, with a view to contributing towards the discussion, the present Thesis had the aim of investigating the concepts that teachers of the initial years of elementary education at a public school construct regarding families, and what influence these concepts have on the relationship between the school and pupils families. This was a qualitative investigation, of single-case study type. The main methodological strategy used was semi-structured interviews with the schools educators (principal, pedagogical coordinator and teachers) who have activities relating to the initial years of elementary education (years 1 to 4). At the end of the investigation, the following results were attained: the school promotes discourse defending its partnership with the pupils families as a fundamental aspect of the childrens learning, but in practice ignores families other arrangements, thereby preventing mothers, fathers or other persons responsible for the children from establishing a relationship of trust with the schools educators; and the school institution has difficulty in having the families as its interlocutors because the educators do not accept the family models to which their pupils belong, or even because the educators consider that these are unstructured and dysfunctional non-nuclear models deviating from the model formed in their minds. Thus, the school tends to repel mothers/fathers who are seen not be within the educators desired standards. This is because the mothers/fathers of non-nuclear families are surrounded by ideologies and social standards that impose injunctions on them and make them believe that they really are inferior or dysfunctional and therefore incapable of providing their children with the conditions needed for school activities. Consequently, they give up sending their children to school. In repelling these families from the school environment, either because they are not regarded as viable models or because they are considered incapable of managing their childrens lives, the educators of the school demonstrate their inability to deal with real people. Many of the deficiencies that are the schools responsibility thus become part of the range of responsibilities falling on the families of pupils coming from diverse family arrangements. In concluding the research process and producing this study, it can be stated that the partnership between schools and families is still not a reality. This is because school institutions have not been able to find a pathway for dialogue with mothers/fathers belonging to minority classes. We believe that schools need to learn to deal with such differences, a challenge that has not yet been surmounted. To start moving along this pathway, a relationship of dialogue between school institutions and families, and with other segments involved in schoolchildrens formative processes, is needed. In such a relationship, the interested parties may assist in constructing a collective school project that enables learning to live with differences. This role is not just schools responsibility, but applies to all sectors of society.
Document Type Other
Editor(s) Ângela Maria Freire de Lima e Souza; Edivaldo Machado Boaventura; Maria Helena da Rocha Besnosik; Tereza Cristina Pereira Carvalho Fagundes; Elizete Silva Passos
delicious logo  facebook logo  linkedin logo  twitter logo 
degois logo
mendeley logo

    Financiadores do RCAAP

Fundação para a Ciência e a Tecnologia Universidade do Minho   Governo Português Ministério da Educação e Ciência PO Sociedade do Conhecimento (POSC) Portal oficial da União Europeia