Autor(es):
Freitas, Gregório Magno de Vasconcelos de
Data: 2017
Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/10400.26/18960
Origem: Escola Superior de Enfermagem de Lisboa
Assunto(s): Enfermagem comunitária; Diabetes mellitus tipo 2; Literacia em saúde; Autocuidado
Descrição
As doenças não transmissíveis (DNT) são um dos principais desafios do século 21 pois, para além do sofrimento humano e impacto socioeconómico, constituem a primeira causa de morte no mundo (WHO, 2014). Uma adequada gestão destas doenças está dependente do autocuidado (Sidani, 2011). Sendo a diabetes mellitus (DM) uma dessas principais doenças (WHO, 2014), crónica e complexa, várias são as determinantes que contribuem para o processo de cuidados e de resultados em saúde, no entanto, nas últimas décadas a literatura tem vindo a ilustrar o conceito de literacia em saúde (LS) como um fator relevante e influente na DM (Cavanaugh, 2011). Neste estudo, quantitativo do tipo descritivo e transversal, desenvolvido nos centros de saúde concelhio da Região Autónoma da Madeira (RAM), recorremos a um instrumento de colheita de dados com a caraterização sociodemográfica e clínica criada para o efeito, ao Questionário Europeu de Literacia em Saúde para Portugal (HLS-EU-PT), à Escala de Atividades de Autocuidado com a Diabetes e à Medida de Adesão ao Tratamento (MAT). Na amostra (n=138), não representativa da população, observamos um baixo controlo da DM tipo 2 (DMT2), nomeadamente nos valores de hemoglobina glicada (HbA1c), de LDL, da tensão arterial (TA) e do peso, sendo que cerca de um quarto dos inquiridos já manifesta complicações da DM. A adesão às atividades de autocuidado também foi fraca e as atividades com maior adesão foram a medicação, os cuidados com os pés e a alimentação geral. Para além da LS, a situação financeira do agregado familiar, a idade e a capacidade de memória podem ser determinantes na adesão a algumas atividades de autocuidado. Na LS verificamos uma maior percentagem de indivíduos com literacia limitada em todos os domínios e os resultados sugerem a atividade profissional, a situação financeira do agregado familiar e o tempo de diagnóstico da DM como suas determinantes. Perante a inconsistência na relação estatisticamente significativa da LS nos resultados em saúde, no sentido de otimizar a promoção do autocuidado, sugerimos mais investigação sobre os determinantes que o possam influenciar, nomeadamente a relação terapêutica entre o enfermeiro e o adulto com DMT2 em contexto comunitário.