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Arquitetura do Desaparecimento: Autorretratos Negros e a Contravisualidade Como Estética Reparativa

Autor(es): de Freitas Bazílio, Emanuele ; Meirinho, Daniel ; Campos, Ricardo

Data: 2025

Origem: Vista Revista de Cultura Visual

Assunto(s): Artigos Temáticos


Descrição

O presente artigo analisa a série de autorretratos Arquitetura do Desaparecimento, do fotógrafo brasileiro Roger Silva. As fotografias de Roger apresentam-se como expressão estética e política da contravisualidade decolonial produzida por fotógrafos negros das periferias. Através do autorretrato, o artista articula um gesto de reexistência que tensiona os regimes normativos de visibilidade, identidade e representação. Este estudo fundamenta-se na teoria decolonial (Azoulay, 2021; Fanon, 1952/2008; Maldonado-Torres, 2020), nos estudos sobre imagem (Campt, 2021), representação (Hall, 2006, 2013/2016) e estética reparativa (Best, 2016), a fim de perceber as imagens de Roger como dispositivos simbólicos de enfrentamento ao racismo e de reconstrução de subjetividades. As legendas que acompanham as fotografias são incorporadas à análise como extensões discursivas da obra visual, revelando camadas não visíveis das experiências retratadas. O artigo demonstra que o autorretrato negro contemporâneo, especialmente o desenvolvido por fotógrafos negros das periferias, constitui-se como prática artivista de produção de sentidos, fabulação e cura simbólica, criando novas gramáticas visuais que subvertem a lógica da colonialidade do ver e do saber. Acredita-se que essas imagens contribuem para o fortalecimento de uma contravisualidade que se estabelece através da linguagem da fotografia negra-periférica.

This article analyses the self-portrait series Arquitetura do Desaparecimento (Architecture of Disappearance) by Brazilian photographer Roger Silva. Silva’s photographs are presented as an aesthetic and political expression of decolonial counter-visuality produced by Black photographers from peripheral contexts. Through self-portraiture, the artist articulates a gesture of re-existence that challenges normative regimes of visibility, identity, and representation. The study draws on decolonial theory (Azoulay, 2021; Fanon, 1952/2008; Maldonado-Torres, 2020), image studies (Campt, 2021), representation (Hall, 2006, 2013/2016) and reparative aesthetics (Best, 2016) to interpret Silva’s images as symbolic devices of resistance to racism and of the reconstruction of subjectivities. The captions accompanying the photographs are incorporated into the analysis as discursive extensions of the visual work, revealing invisible layers of the experiences portrayed. The article demonstrates that contemporary Black self-portraiture, particularly that developed by Black photographers from the peripheries, constitutes an artivist practice of meaning-making, fabulation and symbolic healing, creating new visual grammars that subvert the logic of the coloniality of seeing and knowing. This article argues that these images contribute to strengthening a counter-visuality established through the language of Black peripheral photography.

Tipo de Documento Artigo científico
Idioma Português
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