Author(s): Sá Guerreiro, Cátia ; Neves, Clotilde ; Paulo Silva, Augusto ; Ferrinho, Paulo
Date: 2022
Origin: Anais do Instituto de Higiene e Medicina Tropical
Author(s): Sá Guerreiro, Cátia ; Neves, Clotilde ; Paulo Silva, Augusto ; Ferrinho, Paulo
Date: 2022
Origin: Anais do Instituto de Higiene e Medicina Tropical
Introduction: The Republic of Guinea-Bissau (RGB) presents a scenario of scarcity and poor distribution of human resources for health (HRH). Medical education emerged at RGB in the 1980s, highlighting the Faculty of Medicine Raúl Díaz-Argüelles García (FM), under the tutelage of Cuban cooperation. The present work aimed to contribute to a proposal for a training offer more suited to the needs of this State, starting from the analysis of what has been done and the results of the implementation of training initiatives, framing it in the tensions between the coloniality of international partnerships and the African realism. Materials and methods: For the present work, a logical model was built and followed, using a mixed methods approach. Data were collected using a mixed questionnaire applied to medical students; semi-structured interviews with key actors regarding HRH training; to a focus group with personalities linked to the teaching and management of HRH; the narrative review of published literature on the subject; and the analysis of official documents related to the subject. Content analysis of the obtained qualitative data was carried out. Six categories of analysis were defined according to the logical model of the study. Descriptive statistical analysis of the quantitative data obtained from the questionnaires was carried out. The presentation of results and subsequent discussion were guided by the study’s logical model. Results and discussion: RGB lives the reality described for most of the African States that goes through the coloniality of knowledge and markets; limited capacity for training human resources for health; lack of adequate policies for health professionals; and absence of training plans in human resources for health. There is a mismatch between production and the needs of these resources, as well as between the quality and quantity of trained staff, realities that reflect planning failures. Following the complex context observed, and associated with the intervention of dominant actors and power relations between them, the evolution of medical education in RGB results from a convergence of deliberate strategic planning and the recognition of emerging strategies. The deliberate strategy is reflected in two ways: in a context of coloniality, in the deliberate attempt to bring in international actors – specifically, Cuban cooperation; or, from a pan-African perspective of regional harmonization of training. The limitations associated with the RGB's lack of deliberate strategic planning are well known. Despite the ECOWAS proposal for a regional convergence in terms of training human resources for health, in Guinea Bissau the position of coloniality in medical education stands out, along with an academic curriculum not adapted to the Guinean reality. Conclusion: The urgent need for the RGB to develop a strategy and a public commitment to university education, allowing for greater regional integration and a more sustainable supply of medical training, becomes the main conclusion of this work. The solutions found will have to take into account a particularly complex context and one of great fragility of the institutions of this State, in a bid to deconstruct the coloniality of knowledge, assuming African realism.
Introduction: La République de Guinée-Bissau (RGB) présente un scénario de rareté et de mauvaise répartition des ressources humaines pour la santé (RHS). L'éducation médicale a émergé au RGB dans les années 1980, en mettant l'accent sur la Faculté de Médecine Raúl Díaz-Argüelles García (FM), sous la tutelle de la coopération cubaine. Le présent travail visait à contribuer à une proposition d'offre de formation plus adaptée aux besoins de cet État, en partant de l'analyse de ce qui a été fait et des résultats de la mise en œuvre des initiatives de formation, en l'inscrivant dans les tensions entre la colonialité de partenariats internationaux et le réalisme africain. Matériaux et méthodes: Un modèle logique construit à cet effet a été suivi, en utilisant une approche de méthodes mixtes. Les données ont été re- cueillies à l'aide d'un questionnaire mixte appliqué aux étudiants en médecine; entretiens semi-structurés avec des acteurs clés de la formation RHS; un focus group avec des personnalités liées à l'enseignement et à la gestion des RHS; la revue narrative de la littérature publiée sur le sujet ; et l'analyse des documents officiels liés au sujet. Une analyse de contenu des données qualitatives obtenues a été effectuée. Six catégories d'analyse ont été définies selon le modèle logique de l'étude. Une analyse statistique descriptive des données quantitatives obtenues à partir des questionnaires a été réalisée. La présen- tation des résultats et la discussion subséquente ont été guidées par le modèle logique de l'étude. Résultats et discussion: RGB vit la réalité décrite pour la plupart des États africains, qui passe par la colonialité des savoirs et des marchés; capacité limitée de former les ressources humaines en santé; manque de politiques adéquates pour les professionnels de la santé; et l'absence de plans de formation des ressources humaines en santé. Il existe une inadéquation entre la production et les besoins de ces ressources, ainsi qu'entre la qualité et la quantité de personnel formé, réalités qui reflètent des échecs de planification. Suivant le contexte complexe observé, et associé à l'intervention d'acteurs dominants et aux relations de pouvoir entre eux, l'évolution de la formation médicale en RVB résulte d'une convergence d'une planification stratégique délibérée et de la reconnaissance de stratégies émergentes. La stratégie délibérée se traduit de deux manières: dans un contexte de colonialité, dans la tentative délibérée de faire intervenir des acteurs internationaux – notamment la coopération cubaine; ou, dans une perspective panafricaine d'harmonisation régionale de la formation. Les limites associées au manque de planification stratégique délibérée de RGB sont connues. Malgré la proposition de la CEDEAO d'une convergence régionale en matière de formation des RHS, au RGB la position de colonialité de l'enseignement médical ressort, ainsi qu'un cursus académique non adapté à la réalité guinéenne. Conclusion: L'urgence pour RGB de développer une stratégie et un engagement public en faveur de l'enseignement universitaire, permettant une plus grande intégration régionale et une offre plus pérenne de formation médicale, devient la conclusion majeure de ce travail. Les solutions trouvées devront tenir compte d'un contexte particulièrement complexe et très fragile des institutions de cet État, dans le but de déconstruire la colonialité du savoir, assumant le réalisme africain.
Introdução: A República da Guiné-Bissau (RGB) apresenta um cenário de escassez e mal-distribuição dos recursos humanos da saúde (RHS). O ensino médico surge na RGB na década de 1980, destacando-se a Faculdade de Medicina Raúl Díaz-Argüelles García (FM), tutelada pela cooperação cubana. O presente trabalho teve por objetivo contribuir para uma proposta de oferta formativa mais adequada às necessidades deste Estado, partindo da análise do que se tem feito e dos resultados da implementação de iniciativas formativas, enquadrando-a nas tensões entre a colonialidade das parcerias internacionais e o realismo africano. Materiais e métodos: Seguiu-se um modelo lógico construído para o efeito, recorrendo a uma abordagem de métodos mistos. Os dados foram recolhidos com recurso a um questionário misto aplicado a alunos do curso de medicina; a entrevistas semiestruturadas a atores chave em matéria de formação de RHS; a um grupo focal com personalidades ligadas ao ensino e gestão de RHS; a revisão narrativa da literatura publicada sobre a matéria; e a análise de documentos oficiais relacionados com o tema. Procedeu-se a análise de conteúdo dos dados qualitativos obtidos. Foram definidas seis categorias de análise de acordo com o modelo lógico do estudo. Procedeu-se a análise estatística descritiva dos dados quantitativos obtidos nos questionários. A apresentação de resultados e consequente discussão foram orientadas pelo modelo lógico do estudo. Resultados e discussão: A RGB vive a realidade descrita para grande parte dos estados africanos que passa pela colonialidade do saber e dos mercados; limitada capacidade de formação de recursos humanos da saúde; falta de políticas adequadas para profissionais de saúde; e ausência de planos de formação em recursos humanos da saúde. Verifica-se um desfasamento entre produção e necessidades destes recursos, bem como entre qualidade e quantidade de quadros formados, realidades que espelham falhas de planeamento. Na sequência do contexto complexo observado, e associado à intervenção de atores dominante e relações de poder entre estes, a evolução do ensino médico na RGB resulta de uma convergência de planeamento estratégico deliberado e do reconhecimento de estratégias emergentes. A estratégia deliberada reflete-se de duas formas: num contexto de colonialidade, na tentativa deliberada de entrada de atores internacionais – concretamente a cooperação cubana; ou, numa perspetiva pan-africana de harmonização regional da formação. São conhecidas as limitações associadas à falta de um planeamento estratégico deliberado por parte da RGB. Apesar da proposta da CEDEAO para uma convergência regional em matéria de formação de RHS, na RGB sobressai a posição de colonialidade do ensino médico a par com um currículo académico não adaptado à realidade guineense. Conclusão: A urgência da necessidade de a RGB desenvolver uma estratégia e um compromisso público com o ensino universitário, permitindo uma maior integração regional e uma oferta mais sustentável da formação médica, torna-se a grande conclusão deste trabalho. As soluções encontradas terão de ter em conta um contexto particularmente complexo e de grande fragilidade das instituições deste Estado, numa aposta de desconstrução da colonialidade do conhecimento, assumindo o realismo africano.