Author(s): Pereira, Rui
Date: 2026
Origin: Revista Radiações
Subject(s): Nota Editorial; Profissão; Ciência; Prática baseada na evidência; Editorial; Profession; Science; Evidence-based
Author(s): Pereira, Rui
Date: 2026
Origin: Revista Radiações
Subject(s): Nota Editorial; Profissão; Ciência; Prática baseada na evidência; Editorial; Profession; Science; Evidence-based
Dear reader, In our previous editorial, we reflected on science and research as the cornerstones of professional identity, capable of transforming individuals, teams and, ultimately, the professions themselves. We argued that science is not merely, and in and of itself, a simple academic tool, but rather an attitude towards knowledge — a way of thinking, questioning and moving forward. Today, I wish to expand on this reflection and look at the next step: how to translate this attitude into concrete, consistent practice with real impact. If science shapes the way we see the world, evidence shapes the way we act within it. In a context where information circulates at an unprecedented speed, the ability to distinguish opinion from knowledge, trend from rigour, and enthusiasm from added value, becomes essential. Evidence-based practice is not an abstract concept; it is, in fact, the practical expression of a profession’s scientific maturity. It is through evidence that we underpin technical decisions, evaluate technologies, reorganise processes, set priorities and ensure that innovation is sustainable and responsible. It is also through evidence that we ensure quality depends not merely on individual experience, but on systematised, validated and shared knowledge. Evidence is, therefore, our compass — not because it offers us definitive answers, but because it prevents us from navigating by intuition or habit. However, putting science into practice requires more than just good will. It requires scientific literacy, time for analysis, structures that prioritise evaluation and continuous improvement, and leaders who understand that excellence is built on data, reflection and consistency. It also requires a collective commitment: the recognition that professional development is not achieved through training alone, but through culture — a culture that questions, measures, compares and learns. It is precisely here that Radiações magazine wishes to continue to play its part. Whilst, on the one hand, we are committed to promoting science and research as the cornerstones of our professional fields, on the other we wish to emphasise the importance of their practical application. We aim to be a forum where evidence is not merely disseminated, but interpreted, contextualised and transformed into value for Radiology, Radiotherapy and Nuclear Medicine. In this new issue, we invite each of our readers to reflect on how each of us can contribute to a practice that is better informed, more rigorous and more aligned with the available knowledge. On how we can strengthen the scientific culture of our teams. On how we ensure that the innovation we adopt is underpinned by evidence and not merely by expectation. On how, together, we continue to build professions that honour their past, respond to the present and prepare, with rigour, for the future. We hope you enjoy reading this issue.
Caro leitor, No editorial anterior refletimos sobre a ciência e a investigação como pilares estruturantes da identidade profissional, capazes de transformar indivíduos, equipas e, em última instância, as próprias profissões. Defendemos que a ciência não é apenas, e em si só, um mero instrumento académico, mas uma atitude perante o conhecimento — uma forma de pensar, questionar e avançar. Hoje, quero aprofundar essa reflexão e olhar para o passo seguinte: como transformar essa atitude em prática concreta, consistente e com impacto real. Se a ciência molda a forma como vemos o mundo, a evidência molda a forma como nele atuamos. Num contexto em que a informação circula a uma velocidade sem precedentes, a capacidade de distinguir opinião de conhecimento, tendência de rigor, entusiasmo de valor acrescentado, torna- se essencial. A prática baseada na evidência não é um conceito abstrato; é, efetivamente, a expressão prática da maturidade científica de uma profissão. É através da evidência que fundamentamos decisões técnicas, que avaliamos tecnologias, que reorganizamos processos, que definimos prioridades e que garantimos que a inovação é sustentada e responsável. É também através dela que asseguramos que a qualidade não depende apenas da experiência individual, mas de conhecimento sistematizado, validado e partilhado. A evidência é, por isso, a nossa bússola — não porque nos oferece respostas definitivas, mas porque nos impede de navegar por intuição ou hábito. Contudo, transformar ciência em prática exige mais do que boa vontade. Exige literacia científica, tempo para analisar, estruturas que valorizem auditoria e melhoria contínua, e lideranças que compreendam que a excelência se constrói com dados, reflexão e consistência. Exige também um compromisso coletivo: o reconhecimento de que a evolução profissional não se faz apenas com formação, mas com cultura — uma cultura que questiona, que mede, que compara e que aprende. É precisamente aqui que a Revista Radiações quer continuar a desempenhar o seu papel. Se, por um lado, assumimos o compromisso de promover a ciência e a investigação como pilares das nossas áreas profissionais, por outro queremos reforçar a importância da sua aplicação prática. Pretendemos ser um espaço onde a evidência não é apenas divulgada, mas interpretada, contextualizada e transformada em valor para a Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear. Nesta nova edição, convidamos cada um dos leitores a refletir sobre como cada um de nós pode contribuir para uma prática mais informada, mais rigorosa e mais alinhada com o conhecimento disponível. Sobre como podemos fortalecer a cultura científica das nossas equipas. Sobre como garantimos que a inovação que adotamos é sustentada por evidência e não apenas por expectativa. Sobre como, juntos, continuamos a construir profissões que honram o seu passado, respondem ao presente e se preparam, com rigor, para o futuro. Votos de boa leitura.