Author(s):
Pereira, Ronan ; Rosa, Catarina ; Silva, Mariana
Date: 2025
Origin: Revista da Associação Portuguesa de Linguística
Subject(s): Bidialetalismo; Fonologia; Avaliação de sotaques; Fatores individuais; Bidialectalism; Phonology; Accent rating; Individual factors
Description
In a context of contact between dialects, it will not be strictly necessary, at first, the acquisition of the other variety for communication to be successful; even so, Kupisch et al. (2023) report that, in their Accent Rating Task, European Portuguese (EP) evaluators of audio snippets of Brazilian immigrants who arrived in Portugal at adult age were less sure of these immigrants’ origins than they were in their evaluation of audio snippets of non-immigrants, which indicates that acquiring certain phonological properties of a second dialect is possible. However, the authors did not cross these results with individual factors that are traditionally considered in second dialect acquisition (SDA), given the expressive variability in the outcomes of this process (Siegel, 2010). Therefore, audio snippets of 30 immigrants who had been living in continental Portugal for over six years (as well as of 8 Brazilian and 12 Portuguese non-immigrants who served as control groups) were evaluated by 47 EP natives, who determined if the speakers sounded Brazilian or Portuguese and how certain they were of their evaluation by means of a Likert-like scale from 1 (Brazilian: I’m sure) to 6 (Portuguese: I’m sure). Results resembled Kupisch et al.’s (2023), since the evaluators easily identified Brazilian (M = 1.17) and Portuguese (M = 5.95) controls; Brazilian immigrants, on the other hand, were, in general, identified as Brazilians, but with a significantly lower level of certainty (M = 1.88, p <.001) comparing with non-immigrants. An analysis of individual factors showed that age of arrival, exposure to EP at home, and the will to be perceived as Portuguese, as well as the interaction between this variable and the motivation to speak EP, were statistically significant (ps ≤.017). Nonetheless, individual analyses does not indicate many effects of linearity between variables and evaluations. This suggests that the weight of each variable at an individual level will be different, which helps to explain the different outcomes seen in SDA.
Num contexto de contacto entre dialetos, não será estritamente necessária, à partida, a aquisição da outra variedade para a comunicação ocorrer com êxito; ainda assim, Kupisch et al. (2023) relatam que, na sua Tarefa de Avaliação de Sotaques, os avaliadores nativos do português europeu (PE) das amostras de áudio de imigrantes brasileiros que chegaram a Portugal em idade adulta tiveram menos certeza da origem desses falantes do que na sua avaliação das amostras de não imigrantes, o que indica que é possível a aquisição de certas propriedades fonológicas de um segundo dialeto. Contudo, os autores não cruzaram os resultados com fatores individuais que são tradicionalmente considerados na aquisição de segundo dialeto (AD2), dada a expressiva variabilidade nos desfechos deste processo (Siegel, 2010). Assim, áudios de 30 imigrantes que residiam em Portugal continental há mais de seis anos (bem como de 8 brasileiros e 12 portugueses não imigrantes que serviram de grupos de controlo) foram avaliados por 47 nativos do PE, que determinaram se os falantes soavam como brasileiros ou portugueses e o quão certos estavam da sua avaliação por meio duma escala de Likert de 1 (brasileiro: tenho a certeza) a 6 (português: tenho a certeza). Os resultados assemelham-se aos de Kupisch et al. (2023), pois os avaliadores facilmente identificaram os controlos brasileiros (M = 1,17) e portugueses (M = 5,95); já os imigrantes brasileiros foram, em geral, identificados como brasileiros, mas com um grau de certeza significativamente mais baixo (M = 1,88, p <0,001) comparativamente aos brasileiros não imigrados. Uma análise dos fatores individuais para uma maior probabilidade de serem avaliados como portugueses determinou que a idade de chegada, a exposição ao PE em casa e a vontade de ser percecionado como português, bem como a interação entre esta variável e a motivação em falar o PE, foram estatisticamente significativos (ps ≤0,017). Todavia, análises individuais apontam para poucos efeitos de linearidade entre as variáveis e as avaliações. Isto sugere que o peso de cada variável será diferente a nível individual, o que ajuda a explicar os diferentes desfechos observados na AD2.