Author(s):
Seabra, Pedro ; Gonçalves, Daniel ; Pimentel, Miguel ; Lourenço, Pedro ; Frias, Miguel ; Sarmento, André
Date: 2026
Origin: Orthopaedic SPOT - Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia
Subject(s): Bone Density; Bone Plates; Fracture Fixation, Internal; Fracture Healing; Humeral Fractures; Consolidação da Fratura; Densidade Óssea; Fixação Interna de Fraturas; Fraturas do Úmero; Placas Ósseas
Description
Introduction: Proximal humerus fractures (PHF) are considered fragility fractures, with increasing incidence in the elderly. Several risk factors negatively influence osteosynthesis outcomes, including age, bone density and medial hinge comminution. Age ≥65 is often considered a decision threshold in treatment algorithms. The deltoid tuberosity index (DTI) is a simple, reproducible method to evaluate local bone density. This study aimed to assess whether DTI is a better predictor than age for complications and re-interventions in PHF treated with locking plates. Methods: This retrospective study included 40 patients with PHF treated with open reduction and internal fixation with locking plates between 2021 and 2024. DTI was measured on pre-operative AP Grasey views by two independent shoulder specialists. Calcar screw-calcar distance and calcar reduction were also evaluated. Early complications (<12 weeks), late complications (>12 weeks), and the type of re-intervention were recorded. Results: Early complications occurred in 15% (n = 6), late complications in 27.5% (n = 11), and re-intervention was required in 25% (n = 10). DTI had good accuracy for predicting complications (AUC = 0.809), with an optimal cut-off of ≤1.64 (100% sensitivity, 92% specificity; Youden Index = 0.92). DTI was significantly lower in patients with late complications (1.34 vs 1.46; p = 0.001) and re-intervention (1.31 vs 1.45; p = 0.002), but not with early complications (p = 0.309). Age was not associated with early (p = 0.668), late complications (p = 0.148), or re-intervention (p = 0.889). There was no correlation between age and DTI (r = 0.232; p = 0.150). Calcar screw-calcar distance was significantly higher in early complications (11.23 vs 7.84 mm; p = 0.018) and re-intervention (10.77 vs 7.92 mm; p = 0.036). Calcar deviation had no significant associations. Conclusion: DTI is a valuable tool in the management of PHF, predicting complications and re-intervention more reliably than patient age.
Introdução: As fraturas do úmero proximal são consideradas fraturas por fragilidade, com incidência crescente em idosos. Diversos fatores de risco influenciam negativamente os resultados da osteossíntese, incluindo idade, densidade óssea e cominuição do calcar medial. A idade ≥65 anos é frequentemente considerada um ponto de corte nos algoritmos de tratamento. O índice da tuberosidade deltoide (ITD) é um método simples e reprodutível para avaliar a densidade óssea local. Este estudo teve como objetivo avaliar se o ITD é um melhor preditor do que a idade para complicações e reintervenções em fraturas do úmero proximal tratadas com placas bloqueadas. Métodos: Este estudo retrospetivo incluiu 40 pacientes com fratura do úmero proximal tratados com redução aberta e fixação interna com placas bloqueadas entre 2021 e 2024. O ITD foi medido em radiografias pré‑operatórias na incidência antero‑posterior de Grashey por dois especialistas em ombro independentes. A distância parafuso do calcar–calcar e a redução do calcar também foram avaliadas. Complicações precoces (<12 semanas), complicações tardias (>12 semanas) e o tipo de reintervenção foram registados. Resultados: Complicações precoces ocorreram em 15% (n=6), complicações tardias em 27,5% (n=11), e foi necessária reintervenção em 25% (n=10). O ITD apresentou boa predição de complicações (AUC=0,809), com um ponto de corte ideal de ≤1,64 (100% de sensibilidade, 92% de especificidade; Índice de Youden = 0,92). O ITD foi significativamente menor em pacientes com complicações tardias (1,34 vs 1,46; p=0,001) e em casos que exigiram reintervenção (1,31 vs 1,45; p=0,002), mas não em complicações precoces (p=0,309). A idade não teve associação com complicações precoces (p=0,668), complicações tardias (p=0,148) ou reintervenção (p=0,889). Não houve correlação entre idade e ITD (r=0,232; p=0,150). A distância parafuso do calcar–calcar foi significativamente maior nas complicações precoces (11,23 vs 7,84 mm; p=0,018) e reintervenções (10,77 vs 7,92 mm; p=0,036). O desvio do calcar não apresentou associações significativas. Conclusão: O ITD é uma ferramenta valiosa na avaliação das fraturas do úmero proximal, prevendo complicações e necessidade de reintervenção de forma mais confiável do que a idade do paciente.