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Impacto da Pandemia na “Urgência Não-Covid” – Estudo Retrospetivo

Author(s): Batista, ME ; Barbosa, S ; Souto Moura, T ; Pereira, M ; Fonseca, P

Date: 2021

Persistent ID: http://hdl.handle.net/10400.17/3894

Origin: Repositório do Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE

Subject(s): CHLC UUM; COVID-19; Pandemia; Estudos Retrospectivos; Serviço de Urgência; Portugal


Description

Introdução: O novo coronavírus (SARS-CoV2), que resulta na infeção COVID-19, ameaçou os sistemas de saúde em todo o mundo, testando limites, desafiando capacidade de resposta, gerando ondas de choque com impacto colossal - Portugal não escapou à regra. A imposição de confinamento em meados de março de 2020, aliada ao receio da transmissão viral, conduziu a um decréscimo de afluência ao Serviço de Urgência (SU), sobretudo no que concerne a patologias médicas não relacionadas a COVID-19. O presente estudo visa compreender a realidade do nosso Centro Hospitalar. Objetivos: Comparar número e gravidade dos doentes sem diagnóstico de COVID-19 durante um ano de pandemia, com o período homólogo do ano anterior. Material e métodos: Estudo observacional retrospetivo das admissões no SU sem diagnóstico de COVID- 19, bem como dos destinos atuados pela especialidade de Medicina Interna. A população estudada integrou 2 períodos: abril de 2019 a março de 2020 - Pré-Pandemia (PP); abril 2020 a março de 2021 - Pandemia (P). Foram consultados processos clínicos, colhidos dados demográficos e critérios de gravidade (triagem de Manchester), analisados destinos/resultados (alta, consulta externa, internamento, óbito). A análise comparativa foi concretizada em Excel. Resultados: Foram incluídos 120341 doentes - 60,58% (N=72904) no período PP e 39,42% (N=47437) no período P, constatando-se um declínio estatisticamente significativo [U (Npp=12, Np=12)=1, z=38, p<0,01]. A mediana de idades foi 53 anos PP [mínima (min) 15, máxima (máx) 110] e 55 anos no período P (min 15, máx 106), predominando a faixa etária dos 20-29 anos [17,01% (N=12397), 14,66% (N=6954), respetivamente]. O género feminino, maioritário em ambos os períodos, representa 53,89% (N=39285) no PP e 51,29% (N=24330) no P. A triagem “urgente” (amarela) prevalece no PP [46,74% (N=34076)], ao invés do retratado no período P, onde domina o “pouco urgente” (verde) [43,48% (N=20627)]. Destaca-se o incremento de 2% na atribuição de triagem “muito urgente” (laranja) no período P [8,30% (N=6053) vs10,27% (N=4872)]. Relativamente a destinos: Período PP - alta 73,66% (N=53704), consulta externa (CE) 12,55% (N=9146), internamento 13,45% (N=9802), óbitos 0,35% (N=252); período P - alta 69,24% (N=32844), CE 11,26% (N=5343), internamento 18,73% (N=8883), óbitos 0,77% (N=367). Conclusão: A significativa redução de afluência à "urgência não-covid” pode explicar-se pelos períodos de confinamento e recomendações para evicção de contactos, a par do receio instalado em torno das instituições de saúde. Este combinado de circunstâncias atingiu gravemente o binómio paciente-cuidados e, por consequência, o seguimento e controlo da doença crónica, engrossando os níveis de internamento. Todavia, analisando os dados referentes à triagem de Manchester, nos dois períodos, as diferenças demonstradas não transmitem os níveis de gravidade efetivamente encontrados.

Document Type Other
Language Portuguese
Contributor(s) Repositório da Unidade Local de Saúde São José
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