Author(s):
Vicente, Francisco Carvalho ; Vicente, Paulo Carvalho
Date: 2018
Persistent ID: http://hdl.handle.net/11144/4835
Origin: Camões - Repositório Institucional da Universidade Autónoma de Lisboa
Subject(s): Política; Segurança; Pós-verdade; Sociedade
Description
Como é sabido, post-truth (pós-verdade) foi eleita em 2016 a palavra do ano pelo Dicionário Oxford. Talvez a expressão tenha adquirido foros mais dramáticos na medida em que o ano fora marcado pela decisão referendada por Londres para a saída da União Europeia (Brexit), pela eleição de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), pela vitória do «não» ao acordo de paz entre as FARC e o Governo da Colômbia após décadas de guerra civil, pelo referendo sobre a reforma constitucional proposto por Matteo Renzi em Itália ou pelo crescimento da extrema-direita na Europa, em particular em França e na Holanda. Dito assim, parece que a pós-verdade se escora no que de mais negativo os povos poderão enfrentar, sobretudo se governa dos por líderes pouco credíveis ou impreparados. A pós-verdade, ainda que sob outras designações, não é uma novidade; simplesmente tornou-se mais visível. Neste texto procuramos averiguar as razões da sua ascensão no espaço público e os desafios que lança à estabilidade das democracias e respectivas instituições, bem como à cidadania.