Author(s): Antunes, Bruno
Date: 2013
Persistent ID: https://hdl.handle.net/1822/29416
Origin: RepositóriUM - Universidade do Minho
Author(s): Antunes, Bruno
Date: 2013
Persistent ID: https://hdl.handle.net/1822/29416
Origin: RepositóriUM - Universidade do Minho
Os detritos vegetais são a principal fonte de nutrientes e energia em ribeiros florestados de baixa ordem. As cadeias alimentares dependentes de detritos desempenham um papel fundamental no ciclo dos nutrientes nos rios. Os microrganismos, particularmente os fungos, são os principais intervenientes no processo de decomposição e a sua actividade aumenta a palatabilidade dos detritos vegetais para os invertebrados detritívoros. Actualmente, a actividade antropogénica tem levado a um aumento dos agentes químicos de stress nos ecossistemas de água doce. Devido à actividade agrícola, os fungicidas podem entrar nos rios, quer através da pulverização directa das culturas ou, indirectamente, por lixiviação de áreas tratadas com fungicidas. Por outro lado, os metais podem entrar nos rios através de efluentes provenientes da actividade metalúrgica, mineira e agrícola. Os objectivos específicos deste estudo foram: 1) testar os efeitos do cobre e do fungicida metalaxil-M na actividade decompositora microbiana examinando a perda de massa foliar, a taxa de esporulação e a produção de biomassa pelos fungos aquáticos; 2) testar os efeitos do metal e do fungicida no consumo de folhada pelos invertebrados trituradores; 3) determinar os parâmetros de toxicidade para o cobre e para o metalaxil-M quando presentes isoladamente ou em misturas; e 4) avaliar as possíveis interacções entre os dois tóxicos. Para isso, foram realizadas duas experiências em microcosmos: 1) folhas colonizadas por uma comunidade natural de microrganismos foram expostas a um gradiente de concentrações de cloreto de cobre e de metalaxil-M, isoladamente e em mistura (gama de concentrações para ambos os tóxicos: 0,005 mg/L e 30 mg/L); 2) um invertebrado triturador (Allogamus sp.) foi exposto aos mesmos tóxicos, separadamente e em misturas (gama de concentrações para ambos os tóxicos: 0,005 mg/L e 10 mg/L). Os resultados mostraram que concentrações de cobre superiores ou iguais a 0,5 mg/L afectaram negativamente a decomposição foliar conduzida pelos microrganismos, e o valor de concentração estimado capaz de inibir em 50% (EC50) a decomposição foi de 3,14 mg/L. O metalaxil-M inibiu significativamente a decomposição a concentrações acima de 15 mg/L, e o valor de EC50 estimado foi de 12,08 mg/L. O cobre inibiu a taxa de produção de esporos pelos fungos aquáticos, uma vez que todas as concentrações de cobre iguais ou acima de 0,5 mg/L diferiram significativamente do controlo. O valor de EC50 de cobre para a taxa de esporulação foi de 4,47 mg/L. O metalaxil-M a concentrações iguais ou superiores a 0,1 mg/L inibiu significativamente as taxas de esporulação dos fungos e o valor de EC50 para este parâmetro foi de 3,54 mg/L. A biomassa dos fungos nas folhas em decomposição não foi afectada pelo fungicida mas foi inibida pelo cobre a concentrações iguais ou maiores que 10 mg/L e o valor de EC50 estimado foi de 7,98 mg/L. A taxa de consumo de folhada pelo invertebrado triturador não foi afectada pelo fungicida, mas a exposição à maior concentração de metal testada (10 mg/L) inibiu a taxa de consumo da folhada. Neste caso, o valor de EC50 estimado foi de 6,38 mg/L de cobre. O estudo das interacções dos tóxicos em misturas mostrou um desvio do modelo de referência de concentração adição. Para os parâmetros decomposição foliar e consumo de folhada pelo invertebrado o desvio ao modelo de referência que melhor se ajustou aos dados foi dependente da razão da dose, e sugeriu maior toxicidade para a mistura quando o cobre era o principal componente da mistura. Para a taxa de esporulação e para a produção de biomassa, os desvios ao modelo de concentração adição mostraram uma dependência do nível da dose, e sugeriram uma maior toxicidade da mistura quando as concentrações dos tóxicos estavam acima do valor de EC50.