Author(s): Oliveira, Márcia Carolina Ferreira
Date: 2019
Persistent ID: https://hdl.handle.net/1822/82487
Origin: RepositóriUM - Universidade do Minho
Author(s): Oliveira, Márcia Carolina Ferreira
Date: 2019
Persistent ID: https://hdl.handle.net/1822/82487
Origin: RepositóriUM - Universidade do Minho
Falar de bibliotecas é, ontem como hoje, falar de um universo infinito de possibilidades e significações. O seu papel, bem como de outras instituições culturais, é simultaneamente influenciado e influenciador das necessidades de quem as procura e lhe atribuiu utilidade. Conhecer a sua história, bem como as diligências que, ao longo de séculos, se fizeram no sentido de as dotar e organizar, de modo a corresponderem a necessidades do tempo, torna evidente que estas são instituições vivas, em permanente renovação e revolução. Indicadores por excelência de como, em cada época, se entende a organização do saber, as bibliotecas e outras instituições afins, nomeadamente os arquivos e museus, estão obrigadas a repensar-se e questionar-se em permanência, num jogo de aproximação e afastamento que, não obstante as válidas e reconhecidas diferenças que mantém entre si, as obriga a responder a algo comum: os públicos que as procuram. São esses públicos que as desafiam a transformar-se. São esses públicos que se transformam pela sua influência. Conhecer as bibliotecas do passado e os esforços que se fizeram para as constituir não interessa pela visão memorialística da grandiosidade de algo que se edificou. Importa sobretudo pela perceção das exigências que experimentaram, pela forma como se transformaram para lhes responder e pelas mudanças que introduziram por via da sua ação. Trata-se de um exercício dinâmico e infinito que marca de forma indelével o devir destas instituições. Os novos desafios das bibliotecas, potenciados e criados pela importância da cultura digital, fazem parte desse movimento perpétuo de reconfiguração e resposta às exigências do tempo. Estudar formas de lhes responder é hoje – como foi no passado através de diligências como as de frei Manuel do Cenáculo – e será certamente no futuro, alimentar essa necessidade infinita de combinar diferentes variações e significações. Essa difícil e arrojada combinatória induz metamorfoses organizacionais e espaciais, que ficam marcadas nas diferentes instituições culturais, nos seus espaços físicos e virtuais, mas transformam igualmente a sociedade em que estas se inserem, com implicações de futuro, que nunca se conhecem na totalidade.