Autor(es): Claro, Isabel
Data: 2011
Origem: Revista Portuguesa de Cirurgia
Os tumores neuroendócrinos (TNE) digestivos ou gastro-entero-pancreáticos, são entidades raras. Contudo, a sua incidência tem vindo a aumentar de forma significativa nas últimas décadas1,2. Adicionalmente, o desenvolvimento de novas tecnologias como a enteroscopia por cápsula e por duplo balão, bem como a maior acessibilidade aos meios complementares de diagnóstico, endoscópicos e imagiológicos, poderá contribuir para um maior número de diagnósticos. Por outro lado, embora tradicionalmente considerados indolentes, têm vindo a ser reconhecidos comportamentos distintos para estes tumores, aos quais se associam naturalmente diferentes prognósticos. Este reconhecimento constituiu a fundamentação da classificação da OMS de 2000, hoje largamente utilizada. Por serem entidades raras, e pela sua heterogeneidade clínica e biológica, os TNE tornam-se com frequência de manejo complexo, requerendo uma abordagem multidisciplinar. A Gastrentrenterologia desempenha um papel central na orientação destes tumores, uma vez que intervém directamente nas vertentes diagnóstico, estadiamento, terapêutica e seguimento.