Author(s): Vaz, Pedro Silva ; Duarte, Liliana ; Paulino, Aida
Date: 2012
Origin: Revista Portuguesa de Cirurgia
Author(s): Vaz, Pedro Silva ; Duarte, Liliana ; Paulino, Aida
Date: 2012
Origin: Revista Portuguesa de Cirurgia
Introduction: Venous thromboembolism (VTE) is assumed as a major cause of preventable morbidity and mortality in hospitalized patients, being a major public health problem. Surgery determines a prothrombotic state and there is a need for appropriate thromboprophylaxis according to risk stratification of these patients. Despite good evidence of cost-benefit and created guidelines and risk assessment models, prophylaxis remains underused. It is proposed to stratify risk of VTE in surgical patients, to verify the use of prophylaxis and occurrence of thromboembolic events at 6 months of follow-up. Material and Methods: During one month, risk was stratified according to the scores prepared by the Vascular Surgery Chapter of the Portuguese Society of Surgery (VSCPSS) and the Caprini score. Use of prophylaxis and occurrence of thromboembolic events were verified at 6 months of follow-up. Results: This study involved 86 patients with a mean age of approximately 62.60 years. The most common findings of medical or surgical background are varicose veins (28.4%), neoplasia (20.9%), obesity (18.6%) and history of VTE (15.1%). During hospitalization, 22.2% underwent a minor surgery, 44.2% a major surgery and 11.6% a laparoscopic surgery. According to the score of the VCPSGS, 75.6% had high thromboembolic risk. Prophylaxis was prescribed to 77.1% of patients with indication to receive it. According to the Caprini score, 89.6% had high or very high risk and prophylaxis was prescribed to 72.0% of patients that needed it. At 6 months follow-up, there were no thromboembolic events, without statistical significance between degree of risk according to the VSCPSS or the Caprini score or prophylaxis use and occurrence of thromboembolic events (p=1.000, p=o.164, p=0.627, respectively). Discussion: Most patients had a high risk of venous thromboembolic, being higher when the Caprini score was applied. Prophylaxis was prescribed in most cases, being statistically significance (p=0.0002 and p=0.01) that groups receiving it had higher risk classification. No thromboembolic events were seen at six months follow-up. Conclusions: Chemoprophylaxis for venous thromboembolism is underused in patients indicated for receiving it. It seems to be an improvement over the use of prophylaxis in surgical patients, compared to that described in Study ENDORSE. However, it remains lower than in other European countries. The CVSPSS is easily applied and can be a tool of choice for risk stratification of venous thromboembolism in surgical services. Keywords: Venous thromboembolic, prophylaxis, risk assessment, risk factors, surgical patients
Introdução: O Tromboembolismo Venoso (TEV) assume-se como uma das maiores causas de morbimortalidade prevenível em doen tes hospitalizados, constituindo assim um importante problema de saúde. A cirurgia condiciona um estado pró-trombótico, havendo necessidade comprovada de usar tromboprofilaxia adequada à estratificação de risco nestes doentes. Apesar das evidências da boa rela- ção custo-benefício, das guidelines e dos modelos de avaliação de risco, a profilaxia permanece subutilizada. O objetivo foi a estratificação do risco de TEV em doentes cirúrgicos, a avaliação do uso da profilaxia e a ocorrência de eventos tromboembólicos aos 6 meses de follow-up. Material e Métodos: Durante o período de um mês, procedeu-se à estratificação de risco de acordo com o score elaborado pelo Capítulo de Cirurgia Vascular da Sociedade Portuguesa de Cirurgia (CCVSPC) e com o score de Caprini, verificando-se também a realização da profilaxia e a ocorrência de eventos tromboembólicos aos 6 meses de follow-up. Resultados: O estudo envolveu 86 doentes (52.2% do sexo feminino) com idade média de 62,90 anos. Dos antecedentes médico-cirúrgicos recolhidos, os mais comuns foram as veias varicosas (28.4%), a história pregressa ou atual de neoplasia (20.9%), a obesidade (18.6%) e história de tromboembo- lismo venoso (15.1%). Durante o internamento, 22.2% foram submetidos a cirurgia minor, 44.2% a cirurgia major aberta e 11.6% a cirurgia laparoscópica. De acordo com o score do CCVSPC, 75.6% apresentaram risco tromboembólico elevado. Segundo este, foi prescrita profilaxia a 77.1% dos doentes com indicação para a receber. Mediante o score de Caprini, 89.6% tinham risco elevado ou muito elevado, tendo sido prescrita profilaxia a 72.0% dos que necessitavam. Aos 6 meses de follow-up, não ocorreu nenhum evento tromboembólico, não havendo significância estatística entre o grau de risco de acordo com o CCVSPC ou o score de Caprini ou entre a administração de profilaxia e a ocorrência de eventos tromboembólicos (p=1.000, p=0.164 e p=0.627, respetivamente). Discussão: A maioria dos doentes estudados tinha elevado risco de tromboembolismo venoso. A profilaxia foi prescrita na maioria dos casos, sendo estatisticamente significativo (p=0.0002 e p=0.01) que os grupos que receberam profilaxia são os que tinham classificações de risco mais elevados. Não foram evidenciados eventos tromboembólicos aos 6 meses de follow-up. Conclusões: A profilaxia farmacológica para o tromboembolismo venoso é ainda subutilizada. Parece haver uma melhoria de utilização de profilaxia em doentes cirúrgicos, comparada com a descrita no Estudo ENDORSE, no entanto, mantém-se inferior à observada noutros países europeus. O score do CCVSPC é facilmente aplicado, podendo ser uma ferramenta de primeira escolha para estratificação do risco de tromboembolismo venoso nos serviços de Cirurgia. Palavras-chave: Tromboembolismo venoso, profilaxia, avaliação de risco, fatores de risco, doentes cirúrgicos