Autor(es): Valente, Sofia ; Miranda, Carlos ; Coutinho, João
Data: 2021
Origem: Revista Portuguesa de Cirurgia
Assunto(s): Giant GIST; diagnosis; surgical treatment; prognosis; GIST gigante; diagnóstico; tratamento cirúrgico; prognóstico
Autor(es): Valente, Sofia ; Miranda, Carlos ; Coutinho, João
Data: 2021
Origem: Revista Portuguesa de Cirurgia
Assunto(s): Giant GIST; diagnosis; surgical treatment; prognosis; GIST gigante; diagnóstico; tratamento cirúrgico; prognóstico
GISTs are rare mesenchymal tumors, which may present as millimetric lesions or bulky masses. They are usually clinically silent until they reach a significant size, so their finding is often incidental. We report the case of a 92 – year – old female patient admitted to the Emergency Department due to clinical symptoms of right hypochondrium (RH) pain, nausea and vomiting, developing within a few hours. Clinical examination revealed tenderness in the RH and a palpable painless mass in the epigastric/left upper quadrants, of 10 x 10 cm. Blood tests and ultrasonography confirmed the diagnostic hypothesis of choledocholithiasis and also revealed a solid, heterogeneous mass of 14 x 8 x 9 cm, with cystic areas and cleavage planes. Endoscopic retrograde cholangiopancreatography (ERCP) was performed with endoscopic sphincterotomy (EST) and removal of calculi with no complications. The patient had open surgery so as to approach the gallblader and the mass at the same surgical time. Gastric wedge resection and cholecystectomy were performed. The histological and immunohistochemical analysis of the lesion showed a high-risk GIST. Due to the advanced age of the patient and the existing co-morbidities, it was decided not to perform adjuvant therapy with imatinib, as usually indicated. Review of literature show that giant GISTs of the stomach are rare and usually symptomatic. Complete surgical resection is the standard treatment in locally resectable GISTs, with adjuvant therapy being indicated for high-risk tumors.
Os GIST são tumores mesenquimatosos raros que podem apresentar-se como lesões milimétricas ou massas volumosas. Habitualmente são clinicamente silenciosos até atingirem um tamanho significativo, pelo que a sua identificação é muitas vezes incidental. Apresentamos o caso de uma doente de 92 anos admitida no Serviço de Urgência por dor no hipocôndrio direito (HD), náuseas e vómitos, com horas de evolução. O exame objetivo revelou dor à palpação no HD e uma massa palpável no quadrante superior esquerdo, indolor, de 10 x 10 cm. As análises e ecografia abdominal confirmaram a hipótese diagnóstica de coledocolitíase e revelaram uma massa sólida, heterogénea, com áreas quísticas, de 14 x 8 x 9 cm, com planos de clivagem. Realizada colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) com esfinterotomia transendoscópica (ETE) e coledocolitotomia, sem intercorrências. A doente foi operada no decurso do internamento, tendo realizado, por laparotomia mediana supraumbilical, resseção de tumor gástrico, com gastrectomia em cunha e colecistectomia. A análise histológica e imuno-histoquímica da lesão mostrou um GIST de alto risco de malignidade. Pela idade avançada da doente e pelas comorbilidades existentes, optou-se por não realizar terapêutica adjuvante com imatinib, como normalmente indicado. A revisão da literatura mostrou que os GIST gigantes do estômago são raros, sendo habitualmente sintomáticos, contrariamente à nossa doente. A ressecção cirúrgica completa é o tratamento de escolha nos GIST localmente ressecáveis, estando a terapêutica adjuvante indicada nos tumores de alto risco.