Author(s):
Ferreira, Ana
Date: 2023
Persistent ID: http://hdl.handle.net/10362/161932
Origin: Repositório Institucional da UNL
Project/scholarship:
info:eu-repo/grantAgreement/FCT/6817 - DCRRNI ID/UIDB%2F04647%2F2020/PT;
info:eu-repo/grantAgreement/FCT/6817 - DCRRNI ID/UIDP%2F04647%2F2020/PT;
Description
UIDB/04647/2020 UIDP/04647/2020
Uma das formas de reprodução da academia neoliberalizada - caracterizada por uma concentração do Poder, uma instrumentalização do conhecimento e a institucionalização de uma cultura assente numa competição desmedida (Ball, 2015) - é a presença de uma extensa precarização dos seus trabalhadores. Em Portugal, esta situação atravessa todas as funções académicas; todas as qualificações e todos os estágios das trajectórias laborais. Os impactos da transversalidade da precariedade académica fazem-se sentir aos mais diversos níveis: numa reprodução de desigualdades estruturais; em longas jornadas de trabalho e num adiar dos planos de vida para além do trabalho; na saúde física e mental dos académicos precarizados e num regime de competição exacerbada e permanente, que favorece uma produção voraz de menor qualidade e a construção de um ambiente propício a pressões de superiores hierárquicos e assédio. Este texto concluirá que uma academia precária promotora da reprodução das suas condições estruturais, afecta profundamente as vidas dos seus trabalhadores e, colocando em causa o desenvolvimento de um ensino e de uma ciência reflexiva, dificilmente poderá contribuir de forma consequente para a construção de sociedades mais democráticas e inclusivas, e menos desiguais.