Author(s):
Costa, Guilherme ; Raposo, Otávio ; Martins, J C ; Garcia Ruiz, Manuel ; Nofre, Jordi
Date: 2022
Persistent ID: http://hdl.handle.net/10362/164675
Origin: Repositório Institucional da UNL
Project/scholarship:
info:eu-repo/grantAgreement/FCT/6817 - DCRRNI ID/UIDB%2F04647%2F2020/PT;
info:eu-repo/grantAgreement/FCT/6817 - DCRRNI ID/UIDP%2F04647%2F2020/PT;
info:eu-repo/grantAgreement/FCT/CEEC IND 2017/CEECIND%2F01171%2F2017%2FCP1463%2FCT0010/PT;
info:eu-repo/grantAgreement/FCT/OE/SFRH%2FBD%2F121842%2F2016/PT;
Subject(s): Festa; Pink Street; Lazer Noturno; Sociabilidades; Jovens
Description
UIDB/04647/2020 UIDP/04647/2020 CEECIND/01171/2017 SFRH/BD/121842/2016
Em Lisboa, desde o primeiro verão pandêmico, observamos o surgimento de novos atores informais na noite turística do antigo bairro portuário do Cais do Sodré que desenvolviam práticas alternativas de lazer com algumas particularidades: são jovens de nível socioeconômico precário, apresentam traços culturais alternativos e concentram-se para socializar e consumir álcool no espaço público em frente ao bar Antù. Esses jovens são vistos pelas autoridades públicas e por seu braço repressivo policial como atores “indesejáveis” à “normalidade” da noite turística do Cais do Sodré. A sua “alteridade” (ligada a cor de pele, estética corporal e classe social) constitui-se como um elemento perturbador na noite turística da Pink Street. Essa área de diversão noturna tem uma natureza marcadamente hedonista e orientada quase exclusivamente para indivíduos brancos (lisboetas ou não) de classe média alta. Este artigo, resultante de um enfoque etnográfico, visa a analisar a dialética desigual entre a repressão policial (por vezes, violenta) e a resistência performativa dos atores “indesejáveis” da noite turística do Cais do Sodré. O artigo argumenta que os espaços em causa – o bar Antù e o espaço público situado ao redor do estabelecimento – não só emergem como palcos de uma forma de resistência performativa e recusa dos valores societais capitalistas, mas também como um local que proporciona alternativas de (de)construção comunitária e coesão social dentro de um contexto pós-pandêmico profundamente criminalizado, racializado e punitivo.