Document details

Mas és português ou brasileiro?

Author(s): Pereira, Ronan ; Rosa, Catarina ; Silva, Mariana

Date: 2025

Persistent ID: http://hdl.handle.net/10362/190546

Origin: Repositório Institucional da UNL

Project/scholarship: info:eu-repo/grantAgreement/FCT/6817 - DCRRNI ID/UIDB%2F03213%2F2020/PT; info:eu-repo/grantAgreement/FCT/6817 - DCRRNI ID/UIDP%2F03213%2F2020/PT;

Subject(s): Bidialetalismo; Fonologia; Avaliação de sotaques; Fatores individuais


Description

UID/03213/2025 UIDB/03213/2020 UIDP/03213/2020

Num contexto de contacto entre dialetos, não será estritamente necessária, à partida, a aquisição da outra variedade para a comunicação ocorrer com êxito; ainda assim, Kupisch et al. (2023) relatam que, na sua Tarefa de Avaliação de Sotaques, os avaliadores nativos do português europeu (PE) das amostras de áudio de imigrantes brasileiros que chegaram a Portugal em idade adulta tiveram menos certeza da origem desses falantes do que na sua avaliação das amostras de não imigrantes, o que indica que é possível a aquisição de certas propriedades fonológicas de um segundo dialeto. Contudo, os autores não cruzaram os resultados com fatores individuais que são tradicionalmente considerados na aquisição de segundo dialeto (AD2), dada a expressiva variabilidade nos desfechos deste processo (Siegel, 2010). Assim, áudios de 30 imigrantes que residiam em Portugal continental há mais de seis anos (bem como de 8 brasileiros e 12 portugueses não imigrantes que serviram de grupos de controlo) foram avaliados por 47 nativos do PE, que determinaram se os falantes soavam como brasileiros ou portugueses e o quão certos estavam da sua avaliação por meio duma escala de Likert de 1 (brasileiro: tenho a certeza) a 6 (português: tenho a certeza). Os resultados assemelham-se aos de Kupisch et al. (2023), pois os avaliadores facilmente identificaram os controlos brasileiros (M = 1,17) e portugueses (M = 5,95); já os imigrantes brasileiros foram, em geral, identificados como brasileiros, mas com um grau de certeza significativamente mais baixo (M = 1,88, p <0,001) comparativamente aos brasileiros não imigrados. Uma análise dos fatores individuais para uma maior probabilidade de serem avaliados como portugueses determinou que a idade de chegada, a exposição ao PE em casa e a vontade de ser percecionado como português, bem como a interação entre esta variável e a motivação em falar o PE, foram estatisticamente significativos (ps ≤0,017). Todavia, análises individuais apontam para poucos efeitos de linearidade entre as variáveis e as avaliações. Isto sugere que o peso de cada variável será diferente a nível individual, o que ajuda a explicar os diferentes desfechos observados na AD2.

Document Type Journal article
Language Portuguese
Contributor(s) Centro de Linguística da UNL (CLUNL); Departamento de Linguística (DL); RUN
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