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O setor das plantas aromáticas e medicinais e sua relação com leguminosas pratenses e forrageiras: uma reflexão

Author(s): Rodrigues, M.A. ; Rodrigues, Guilherme ; Arrobas, Margarida

Date: 2015

Persistent ID: http://hdl.handle.net/10198/15607

Origin: Biblioteca Digital do IPB

Subject(s): Estado nutricional das plantas; Plantas aromáticas; Plantas medicinais; Agricultura biológica; Tela de solo; Fertilidade do solo


Description

O número de jovens agricultores que se instalaram recentemente e os que projetam instalar-se nos próximos tempos no setor das plantas aromáticas e medicinais (PAM) é considerável. Todos os que se instalaram para produzir biomassa para secar adotaram genericamente o mesmo modelo: produzir em modo biológico com tela de solo para controlar as infestantes. Acontece que a maior parte das explorações que se instalou de acordo com este modelo, apercebe-se, ao fim do primeiro ano, que ele não funciona. O modo biológico não é sustentável se não envolver uma importante componente pecuária ou integrar leguminosas com acesso ao azoto atmosférico nos sistemas de cultivo. Não há agricultura sem azoto. Em sistemas de agricultura em que não é permitido azoto de fertilizantes de síntese industrial, como é o caso da agricultura biológica, têm de ser encontradas alternativas de para o introduzir no sistema por processos naturais. Como a generalidade das atuais explorações dedicadas à produção de PAM não tem área nem sistemas de produção que lhes permita integrar animais, a única alternativa será a integração de leguminosas no sistema. Por outro lado, o cultivo sobre tela de solo restringe a aplicação de fertilizantes ao sistema de rega gota-a-gota, pelo que nem o uso de estrumes é possível. Acrescente-se, que os fertilizantes líquidos passíveis de ser utilizados em fertirrega e autorizados para agricultura biológica têm preços que não são comportáveis por esta atividade. É urgente encontrar um novo modelo de produção. De contrário, o setor das PAM desaparecerá de forma ainda mais rápida do que aquela com que se instalou. Na prática é necessário abandonar a tela (ainda que isso levante um problema suplementar que é o controlo das infestantes) e introduzir leguminosas no sistema. Outra dificuldade reside no fato de as principais espécies atualmente cultivadas serem perenes, exploradas em regime de cortes múltiplos, ficando instaladas vários anos no mesmo terreno (limonete, cidreira, tomilho, …), o que reduz as possibilidades de integrar leguminosas na rotação. Contudo, como todas elas são plantas que fazem repouso vegetativo no inverno, existe uma janela de oportunidade, que é o cultivo de leguminosas no inverno durante o repouso vegetativo das PAM cultivadas. As espécies candidatas serão leguminosas anuais de ressementeira natural e ciclo curto para a constituição de coberturas vivas no inverno e mulches de material morto no verão, e espécies de porte ereto para usar como sideração, tais como favas, ervilhacas e tremoceiros. Encontrada a leguminosa certa, com ciclo biológico assincrónico com a espécie PAM cultivada, é necessário pensar que alterações terão de ser introduzidas nos sistemas de cultivo. Genericamente será necessário repensar os compassos, os equipamentos para incorporar as leguminosas se for o caso, e novos métodos de controlo das infestantes.

Document Type Conference object
Language Portuguese
Contributor(s) Rodrigues, M.A.; Rodrigues, Guilherme; Arrobas, Margarida
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