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José Ortega Y Gasset: A Aventura Filosófica da Educação

Author(s): Amoedo, Margarida Isaura Lourenço da Silva Almeida

Date: 1997

Persistent ID: http://hdl.handle.net/10174/11035

Origin: Repositório Científico da Universidade de Évora

Subject(s): José Ortega; Gasset; Ortega o filósofo; Ortega e o universo educativo


Description

"Sem resumo feito pelo autor"; - Apesar de todas as diferenças que nenhuma generalização deverá permitir ignorar, verifica-se neste momento como uma tendência constante, nomeadamente no torrão ocidental a que Portugal pertence, a referência à Educação como a grande fonte de esperança na construção, não apenas de um mundo melhor - meta demasiado vaga para quem se confronta com os problemas-limite da sobrevivência da pessoa -, mas sobretudo de seres humanos capazes de beneficiar das suas criações, enquanto instrumento de afirmação da humanidade a que estão obrigados. Tamanha esperança convive, porém, com aspectos cada vez mais sombrios de fenómenos que ameaçam, literalmente, a vida humana. Nuns casos são fenómenos com uma longa história, como o da violência fisica, sob a forma de tortura, de assassínio, de guerra. Noutros assumem contornos relativamente novos, como o da manipulação da opinião pública pelos mass-media e pela doentia partidarização da política; o do esvaziamento do poder instituinte do <> reduzido a mero votante; o da distância quase intransponível entre a actividade científico-técnica e a utilização ignara dos seus produtos - para referirmos apenas alguns exemplos. Uma das consequências mais perigosas desta situação é o convite, ora à inércia pura e simples, ora a proferir intenções elevadas em discursos altissonantes, a que subjaz falta de convicção, falta de fundamentos teóricos, falta de clareza. A inércia aparece aqui camuflada por um activismo desorientado que distorce os problemas a resolver e com isso os multiplica, ainda que alguns destes não passem de pseudo-problemas. Resistir às tentações da inércia depende da compreensão de que elas existem, de como funcionam, de quem as divulga com, ou sem, consciência disso. E, independentemente de outras considerações sobre a universalidade do imperativo ético de viver alerta, os intelectuais surgem-nos, por definição, vinculados às tarefas de compreender, nos mais diversos domínios, o que está escondido, encoberto, confundido. A missão de cada intelectual cumpre-se somente se, ao dar conta das reflexões empreendidas e dos resultados a que elas conduziram, ele merece o reconhecimento de que, pelo valor do seu esforço, se colocou como intérprete ou intermediário entre o que precisava de ser esclarecido e aqueles que careciam do conhecimento clarificador. Sendo óbvio que merecer reconhecimento e ser reconhecido são inconfundíveis, significativamente, nos momentos em que é mais necessária a busca lúcida e profunda do conhecimento, do saber, da verdade, tanto menos se sabe reconhecer a importância vital dessa missão e de quem a ela se dedica. Mas, dado que o intelectual desempenha o seu papel interessado, acima de tudo, em resolver problemas que o seu tempo e o seu viver lhe colocam, bem como em comunicar - em primeiro lugar aos seus contemporâneos - o que na investigação se lhe vai entregando como possíveis soluções, ele poderá encontrar nos contextos mais adversos à sua intervenção a prova inabalável da necessidade do seu contributo e, portanto, o estímulo de que verdadeiramente depende a sua actividade. Nostris diebus, os sujeitos da esperança na Educação que começámos por referir, como uma espécie de moeda única entre, pelo menos, os países do mundo ocidental, provêm de todos os sectores da sociedade. Por consequência, a esses sujeitos sem excepção cabe concorrer, segundo vocações e caminhos plurais, para os beneficios que da Educação se esperam em termos de um viver com qualidade humana. Logo, hoje mais do pais, autarquias, associações várias, órgãos nacionais e internacionais com poder político, comunicação social , igrejas, artistas das diferentes áreas de criação referem-se a problemas educativos. Parecem fazê-lo , no entanto, demasiadas vezes com a expectativa de que esses problemas tenham uma solução prodigiosa, como se mencioná-los fosse condição suficiente para os resolver. Infelizmente para todos, o que se designa por Educação é uma realidade dificil de compreender, de complexidade superior à da sua já espinhosa vertente do Ensino e de cuja orientação depende a vida de cada homem e de cada povo. Por isso a Educação se converte num objecto de reflexão, de estudo, num objecto de saberes vários que têm de frutificar, em grande medida contra o predomínio da mera dozes e de realizações baseadas no que Lucien Morin classificou como opinionite, ou seja, a mania de tomar pela verdade as opiniões pessoais e subjectivas', o que traz ao universo educativo a rejeição do senso comum e da ciência, a negação da evidência e da realidade, a deificação predicativa do subjectivismo, do relativismo, do pragmatismo, do naturalismo positivista.

Document Type Doctoral thesis
Language Portuguese
Contributor(s) Patrício, Manuel Ferreira
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