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Funcionamento intelectual na terceira e quarta idade : Um estudo com MMSE e MoCA

Author(s): Pereira, Sónia Maria Afonso Gomes

Date: 2016

Persistent ID: http://hdl.handle.net/20.500.11960/1785

Origin: Repositório Científico IPVC

Subject(s): Envelhecimento; Funcionamento intelectual; Medidas de screening; Gerontologia social; Ageing; Intellectual functioning; Screening measures; Social gerontology


Description

O envelhecimento repercute-se no funcionamento intelectual, sobretudo no grupo das pessoas muito idosas (80+ anos). As medidas de screening/rastreio cognitivo, tais como o Mini-Mental State Examination (MMSE; Folstein, Folstein & McHugh, 1975) e o Montreal Cognitive Assessment (MoCA; Nasreddine, et al., 2005) são ferramentas indicadas para uma avaliação global do estado mental. Investigação com estas medidas mostra que o MoCA se tem revelado mais sensível que o MMSE na deteção do défice cognitivo, sobretudo em populações mais escolarizadas. Neste sentido, o presente estudo tem como objetivo analisar o funcionamento intelectual na terceira (65-79 anos) e quarta idade (80+ anos), usando para o efeito os instrumentos de rastreio cognitivo supracitados. Assim, foi realizado um estudo exploratório de natureza quantitativa, com pessoas com 65+ anos a residir em casa e Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI). Na recolha de informação foi utilizado um protocolo constituído por Ficha Sociodemográfica, e as versões portuguesas do MMSE e MoCA. Para evitar a contaminação das medidas de screening foram incluídas a versão portuguesa da Escala de Satisfação com a Vida (Diener, Emmons, Larsen & Griffin, 1985) e da Escala Breve de Redes Sociais de Lubben (Lubben, 2006). Foram avaliados 58 participantes residentes em casa e em ERPI, com uma média de idade de 78 anos (dp=8,2) e de escolaridade de 7 anos (dp=5,6), sendo predominantemente mulheres (58,6%). A pontuação média global no MMSE foi superior à pontuação do MoCA (M=26,2, dp=3,1, vs M=18,5, dp=6,5 respetivamente). Os participantes da 3ª idade apresentam melhor desempenho do que os da 4ª idade (MMSE:27,2 vs 24,5; MoCA: 20,5 vs 15,3) e os participantes mais escolarizados (independentemente do grupo etário) obtêm também sistematicamente resultados superiores nas duas medidas (MMSE 1-4 anos vs 13+: 24,8 vs 28,3; MoCA 1-4 anos vs 13+: 14,0 vs 23,8). Estes resultados corroboram a investigação no domínio que associa o melhor desempenho cognitivo a menor idade e a maior escolaridade (Pendlebury, Markwick, Jager, Zamboni, Wilcock & Rotwell, 2012; Simões, 2012; Vigário, 2012; Morgado 2009; Freitas, Alves, Simões & Santana, 2013; Hawkins et al., 2014). No que diz respeito à percentagem indicadora de défice cognitivo, em função da idade e escolaridade, observa-se que, para qualquer escolaridade, a proporção de défice cognitivo é superior na 4ª idade em relação à 3ª idade (MMSE 70% vs 28%; MoCA 65% vs 25%). Os participantes mais velhos (80+ anos) e menos escolarizados (1-4 anos) são os que apresentam a proporção de défice mais elevada no MMSE (71% vs 50%). No MoCA, os participantes mais velhos (80+ anos) e menos escolarizados mantêm também a proporção de défice mais elevada (79%). No entanto, os grupos mais escolarizados (10 a 12 e 13+ anos) não apresentam défice cognitivo. Quanto às implicações práticas, e consideradas as limitações deste estudo, os resultados aqui encontrados sugerem a necessidade de se estabelecerem planos de intervenção diferenciados.

The ageing phenomenon has repercussions on the intellectual function, especially on very old people (80+ years). The screening tests, such as Mini-Mental State Examination (MMSE; Folstein, Folstein & McHugh, 1975) and Montreal Cognitive Assessment (MoCA; Nasreddine et al., 2005), are adequate tools to a global evaluation of the mental state. Research using these measures show that MoCA has proven to be more sensitive than MMSE on the detection of cognitive deficit, mostly in more educated populations. This way, the present study aims to analyze the intellectual function on third (65-79 years) and fourth (80+ years) ages, using the aforementioned cognitive screening instruments. For this purpose, an exploratory study with a quantitative nature was conducted with participants aged 65 years or older, living at home and in Residential Structures for the Elderly. The collection data protocol used comprised a Sociodemographic Registry and the Portuguese versions of the MMSE, and MoCA. To avoid the screening measures contamination the Satisfaction with Life Scale (Diener, Emmons, Larsen & Griffin, 1985) and the Brief Social Network Scale of Lubben (Lubben, 2006). A total of 58 participants were evaluated living at home or in Residential Structures for the Elderly, with mean age of 78 years old (sd=8.2) and 7 years of mean schooling (sd=5.6); predominantly are women (58,6%). The global mean score in MMSE is higher than in MoCA (M=26.2, dp=3.1, vs M=18.5, dp=6.5 respectively). The 65-79 year-old participants show better cognitive performance the older group (80+) (MMSE:27.2 vs 24.5; MoCA: 20.5 vs 15.3) and the more educated participants have systematically higher results (independently from their age group) in both measures (MMSE 1-4 years vs 13+: 24.8 vs 28.3; MoCA 1-4 years vs 13+: 14.0 vs 23.8). These results corroborate the research in this domain that associates the better cognitive performance with younger and more educated participants (Pendlebury, Markwick, Jager, Zamboni, Wilcock & Rotwell, 2012; Simões, 2012; Vigário, 2012; Morgado 2009; Freitas, Alves, Simões & Santana, 2013; Hawkins et al., 2014). The proportion of cognitive impairment by age and school years, is higher in the older group (80+ years old) than the younger (65-79 years old) (MMSE 70% vs 28%; MoCA 65% vs 25%). The older participants (80+ anos) and also less educated (1-4 anos) present the highest proportion of cognitive deficit in MMSE (71% vs 50%). In MoCA, the older and less educated participants have also the highest proportion of cognitive impairment (79%). Nonetheless the more educated groups (10 to 12 years and 13+ years) do not present cognitive impairment. Regarding the practical implications of this study and considering its limitations, the results here shown suggest the need to establish differential plans of intervention.

Dissertação de Mestrado em Gerontologia Social apresentada na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo

Document Type Master thesis
Language Portuguese
Advisor(s) Bastos, Maria Alice Martins da Silva Calçada; Moreira, Emília da Conceição Torres Dias
Contributor(s) Pereira, Sónia Maria Afonso Gomes
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