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Ser jovem em Angola: valores e identidade(s) dos estudantes universitários angolanos

Author(s): Cruz, Elisabete da Conceição de Fátima de Ceita Vera

Date: 2011

Persistent ID: http://hdl.handle.net/10071/4361

Origin: Repositório do ISCTE-IUL

Subject(s): Angola; Juventude; Jovens; Estudantes universitários; Valores; Identidades; Youth; College students; Values; Identities


Description

Do conceito de juventude à sociologia da juventude, este é um trabalho que tem como mote os “valores e as identidades dos jovens em Angola”. Angola, que viveu décadas de guerra e cuja esperança de vida está estimada nos 48 anos, tem na sua juventude a reserva demográfica do país. Dir-se-ia que o mesmo se encontra refém da juventude, categoria em que se deposita a esperança e o futuro mas que é, simultaneamente, tida como sendo a origem dos problemas com que se confronta o país de que a criminalidade, o consumo de álcool e droga integram a lista de práticas e comportamentos que mais afligem a sociedade angolana. Se estes são alguns dos problemas da juventude identificados pela sociedade e pelo governo angolano, os jovens elegem o desemprego como sendo o seu calcanhar-de-aquiles. Não é pois, de estranhar, que esta categoria seja um “grupo-alvo” no quadro das políticas a serem implementadas pelo executivo angolano visando o combate aos comportamentos “desviantes” e, muito naturalmente, à melhoria das condições de vida desta categoria. Falar-se-á de acção dos jovens ou antes de acção sobre os jovens? Ou, ainda, de ambas? Mas as políticas dirigidas à juventude devem igualmente ser entendidas no âmbito das campanhas políticas e ideológicas, entenda-se, dos aproveitamentos políticos de que esta juventude é alvo. Entre o período da guerra e do pós-guerra que tem somente nove anos, a sociedade angolana sofreu rupturas, colapsos de vária ordem, sendo voz corrente e muito particularmente do poder político, da urgência do que chamam “resgate dos valores”, uma caracterização que, em termos sociológicos deve, sim, traduzir-se por anomia. Significa, pois, que algo se passará, pelo menos a nível empírico, e o objectivo primeiro deste trabalho é verificar se haverá, ou não, correspondência entre o que diz e pensa o cidadão comum e também o governo angolano sobre os valores e a badalada crise e necessário resgate e, por outro lado, os valores defendidos pelos jovens, eles próprios. Tudo isto porque os valores, o discurso relativo à aludida “crise” de valores se encontra particularmente direccionado para os jovens: é pois, a juventude, que precisa de ser “resgatada”. Dar a palavra aos jovens é, em última análise, o objectivo deste trabalho que, por esta via, pretende aferir dos seus valores por via do seu comprometimento, ou não, com a sociedade angolana. Pretendendo ser um ponto de partida nos estudos sobre a juventude, em Angola, toma-se como grupo-alvo os estudantes universitários, um segmento que congrega múltiplas vivências pessoais nas suas relações quotidianas. O inquérito por questionário foi a metodologia adoptada – se compreender os valores dos jovens em Angola constituiu o objectivo inicial deste trabalho, a evolução do mesmo escancarou portas para estoutro desiderato: o da(s) identidade(s). Dir-se-ia uma evolução natural cuja expressão-maior se traduz no inquérito realizado a jovens de diferentes províncias (Cabinda, Huambo e Luanda), em um processo dialógico entre valores e identidades.

From the concept of youth to the sociology of youth, this work is centered on “the values and identities of youth in Angola.” Angola, which survived decades of war and where life expectancy is 48 years, has a demographic reserve in its youth. It could be said that the country is hostage to its youth, a category heavy with hope and the future but which, simultaneously, is taken to be the source of a number of problems facing the country: criminality and the use of drugs and alcohol are on the list of practices and behaviors that most afflict Angolan society. If, in the eyes of the Angolan government and society, these are some of the problems youth face, youth themselves point to unemployment as the Achilles heel of their current situation. It is not surprising that this category is a “target group” for policies being implemented by the Angolan executive that aim to combat “deviant” behaviour and, naturally, that also seek to improve the conditions of this group. But this raises the question: are we speaking of actions by youth or actions over youth? Or both? Policies directed to youth must also be understood in relation to political and ideological campaigns, in other words, in terms of how this youth is taken advantage of politically. In the post-war period – only nine years –, Angolan society has suffered ruptures and collapses, of various kinds, and there is a general outcry, often from those with political power, over the urgent need to “rescue values,” a characterization which, in sociological terms, should be translated as anomie. This means that something must be going on, at least at the empirical level, and the main objective, then, of this work is to verify if there is, or not, a correspondence between what the average citizen and the Angolan government think and say about values in this much-proclaimed crisis and the necessary rescue of values, on the one hand, and the values defended by the youth themselves, on the other. This because the values discussed and the discourse around the crisis of values is particularly directed at youth: therefore, it is the youth that need to be saved. Listening to youth is, in the final analysis, the objective of this work which, in this way, hopes to appreciate the values youth demonstrate in their compromise, or not, with Angolan society. As a starting point for studies of youth in Angola, the target group of this study were university students, a segment of youth that bring a variety ways of life to their daily relations. A research questionaire was the methodology adopted for this study. If understanding youth values in Angola was the initial objective of this work, it has opened doors to another end: that of identities. It can be deemed a natural evolution whose greatest expression is found in a survey done among youth from different provinces (Cabinda, Huambo and Luanda) in a dialogic process between values and identities.

Document Type Doctoral thesis
Language Portuguese
Advisor(s) Machado, Fernando Luís
Contributor(s) Cruz, Elisabete da Conceição de Fátima de Ceita Vera
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