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Estudo prospectivo das perturbações visuais associadas a enxaqueca

Author(s): Teixeira, Edite Carla Amorim de Morais Silva Pimentel, 1969-

Date: 2009

Origin: Repositório da Universidade de Lisboa

Subject(s): Enxaqueca; Erros refractivos; Heteroforias; Pupila; Aura visual; Teses de mestrado - 2009


Description

Introdução: A cefaleia é uma queixa comum nos doentes que consultam oftalmologistas. A existência de qualquer patologia que interfira com o correcto funcionamento do sistema óptico pode resultar numa cefaleia de causa ocular. Embora exista uma crença popular numa relação causa efeito entre erros refractivos e cefaleias em geral, são poucos os estudos publicados que demonstrem uma relação entre erros refractivos e enxaquecas. Existem também diversos estudos internacionais sobre a relação do tamanho da pupila com a enxaqueca. A maior parte dos estudos publicados aponta para a existência de uma hipofunção do Sistema Nervoso Simpático nestes doentes. Objectivos: Fazer um estudo prospectivo das perturbações visuais numa população com enxaqueca, tentando avaliar a existência de uma relação entre erros refractivos não corrigidos, a presença de heteroforias e o desencadear de enxaquecas. Avaliar a presença de anisocoria durante a crise. Diagnosticar e classificar o tipo de manifestações visuais que ocorrem no sub-grupo de doentes com aura visual. Métodos: Foram observados 50 indivíduos com enxaqueca que foram subdivididos em dois sub-grupos doentes com enxaqueca com aura e doentes com enxaqueca sem aura. 52 indivíduos saudáveis foram escolhidos como grupo controlo. Todos os doentes com enxaqueca responderam a um questionário sobre as características da sua dor e nos casos em que havia aura visual típica, responderam a um segundo questionário sobre as características da aura visual. Os indivíduos de ambos os grupos foram submetidos a um exame oftalmológico completo. Os dados obtidos foram registados e comparados entre os dois grupos, tendo-se procedido à análise estatística dos mesmos, através do programa SPSS 15.0. Resultados: Foi encontrado em maior número de casos de miopia e/ou astigmatismo nos doentes com enxaqueca. A diferença entre a média do erro refractivo esférico subjectivo, assim como a diferença entre a média do astigmatismo absoluto dos dois grupos, não apresentam diferenças estatísticamente significativas. Os resultados obtidos com a Asa de Maddox revelaram-se semelhantes entre os dois grupos. Apenas 14% dos doentes têm mais do que 4Δ de exoforia. O diâmetro pupilar médio do grupo de doentes é menor do que o do grupo controlo e esta diferença tem significado estatístico. A frequência de anisocoria do grupo com enxaqueca é maior do que no grupo controlo, mas a diferença entre a anisocoria média dos dois grupos não é estatísticamente significativa. A localização preferencial da dor foi a temporal. São mais frequentes as auras visuais bilaterais. O sintoma mais frequentemente encontrado foi a visão desfocada. Conclusões: Não existem neste estudo dados que permitam estabelecer com certeza uma relação de causa efeito entre erros refractivos e heteroforias com a enxaqueca. Existe um maior número de casos de astigmatismo de baixo grau entre os indíviduos doentes. O diâmetro pupilar médio dos doentes com enxaqueca é menor do que no grupo controlo.

Introduction: Headache is a common complaint among patients who consult ophthalmologists. The presence of any pathology that interfere with the correct work of the optic system can result in an headache of ocular cause. Although there is a strong popular belief of a causative effect between refractive errors and headaches, there are only few studies claiming association between refractive errors and migraine headaches. There are also many international studies about the relation of the pupil size with migraine headache. The great number of the studies published before, suggests an Autonomic nervous system deficit in migraine patients . Objectives: To do a prospective study about visual manifestations in a population with migraine trying to investigate the existence of a correlation between non-corrected refractive errors, the presence of heterophorias and the unchain of migraine. To evaluate the presence of anisocoria during the crisis. To diagnose and classify the aspects of the visual manifestations that occur in the group of patients with migraine with aura. Methods: 50 individuals with migraine headache were observed and divided into two other groups patients with migraine with aura and patients with migraine without aura. 52 healthy subjects were included as a control group. A questionnaire was presented to all 50 patients with migraine with questions about pain characteristics and for those individuals who suffer of migraine with visual aura, a second questionnaire was presented for a full description of the aura. All subjects, from the two groups, underwent full ophthalmologic examination. All data obtained were recorded and compared for the two groups and statistical analysis was performed for all data with SPSS 15.0 programme. Results: A great number of cases of myopia and/or astigmatism was found in migraine group. The difference between the mean subjective spherical refractive errors, and also the difference between the average of the absolute astigmatic refractive error for the two groups were not significantly different. The results of the measurements with the Maddox Wing were similar between the two groups studied. Only 14% of the patients had more than 4Δ of exophoria. The mean pupillary diameter of the migraine group is lower than the healthy group and this difference was significant. The frequency of anisocoria of the migraine patients is higher than control group, but the difference between the mean anisocoria for the two groups was not significantly different. The most common site of the pain was temporal. Most patients had bilateral visual auras. The most common phenomena described was foggy vision . Conclusions: There are not enouth data in this study to describ with certain a causative link between refractive errors and heterophorias with migraine. Low degrees of astigmatism were more common among the individuals studied. The mean pupillary diameter of the migraine group is lower than the healthy group.

Tese de mestrado, Neuroftalmologia, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2009

Document Type Master thesis
Language Portuguese
Advisor(s) Monteiro, José Pereira; Dinis, António Castanheira, 1944-
Contributor(s) Teixeira, Edite Carla Amorim de Morais Silva Pimentel, 1969-
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