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As actividades laboratoriais e de campo e a educação ambiental: das concepções e práticas explicitadas pelos professores de Biologia e Geologia ao contributo de uma experiência de formação

Autor(es): Nunes, Inês de Oliveira cv logo 1

Data: 2012

Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/1822/20321

Origem: RepositóriUM - Universidade do Minho

Projeto/bolsa: FCT/SFRH/SFRH/BD/36549/2007

Assunto(s): 37.031:504; 504:37.031


Descrição
Tese de doutoramento em Ciências da Educação (área de especialização em Educação em Ciências)A Educação Ambiental como área de intervenção conducente à minimização ou mesmo resolução dos diversos problemas ambientais que afectam o ser humano, assim como outras espécies, requer um conjunto de características processuais e de capacidades necessárias à concretização das mesmas, dos quais o conhecimento e as competências científicas são parte integrante. Para alguns autores, bastará romper com as formas tradicionais de abordagem de conteúdos de Educação Ambiental, que visam a ilustração e reforço de conhecimentos científicos nesta temática e assumirem-se metodologias eminentemente investigativas, com a construção de percursos investigativos, problematizadores e reflexivos que, centrados em realidades concretas e locais, permitam conceptualizações globalizantes. As actividades laboratoriais, as actividades de campo, e a sua implementação integrada pode cumprir um papel essencial neste contexto. Verifica-se, contudo, alguma hesitação dos professores em abordar as questões de natureza ambiental, sendo apontadas dificuldades associadas tanto ao aspecto institucional quanto ao aspecto pedagógico, nomeadamente a sua falta de formação sobre o modo mais adequado de as abordar. A mudança das concepções dos professores relativamente ao modo como conceptualizam a Educação Ambiental e, relativamente, ao modo como consideram que podem ser realizadas actividades que promovam a mesma, passa por uma aposta efectiva na sua formação. A investigação desenvolveu-se em dois estudos. No primeiro, procuramos caracterizar as concepções e práticas explicitadas por professores de Biologia e Geologia, relativamente à promoção da Educação Ambiental através de actividades laboriatoriais e de campo (N=131), através da aplicação de um questionário a nível nacional, tipo sondagem. O objectivo do segundo estudo foi avaliar o impacto de uma acção de formação destinada a professores de Biologia/Geologia (N=10), que tinha como finalidade a promoção das concepções e práticas com vista à utilização de actividades laboratoriais e de campo em Educação Ambiental. Para o efeito recorremos a um estudo quasi-experimental de grupo único, com pré e pós-teste. As concepções e práticas dos professores foram diagnosticadas, através de um questionário. Seguidamente foi implementada a acção de formação e, no final desta, foram identificadas de novo, através de um questionário, as concepções e as intenções dos professores relativamente às práticas futuras. Os resultados do primeiro estudo apontam que a maioria dos professores (57,3%) considera a Educação Ambiental como a promoção de uma consciência crítica, uma postura activa sobre questões ambientais, sociais e económicas, em oposição a 21,4% dos docentes que a define como sendo uma forma de promover a preservação e protecção do ambiente. A implementação de actividades laboratoriais e/ou de campo (32,1%) é reduzida quando comparada a outros métodos utilizados pelos professores em Educação Ambiental. Embora os professores indiquem desenvolver actividades laboratoriais e actividades de campo do tipo investigativo, as suas respostas não prevêem uma implementação integrada dos dois tipos de actividades práticas. Quase metade dos professores, que indicam utilizar actividades laboratoriais e/ou de campo em Educação Ambiental, referem aplicá-los algumas vezes ao longo do ano e a maioria responde estar satisfeita com as actividades desenvolvidas. Ainda assim, para a maioria dos professores, na aplicação deste dois tipos de actividades práticas em Educação Ambiental, existem obstáculos relacionados com a organização curricular e gestão escolar e com as condições logísticas, materiais e financeiras do estabelecimento de ensino. Os resultados do segundo estudo indicam que a acção de formação realizada parece ter tido um papel importante na tomada de consciência dos formandos, quanto à utilidade das actividades laboratoriais e de campo em Educação Ambiental, e na manifestação da intenção em promover a construção de percursos investigativos na implementação desses dois tipos de actividades práticas, junto dos seus alunos. A concepção dos formandos de Educação Ambiental evoluiu para uma educação que tem como metas o desenvolvimento de competências para a resolução de problemas ambientais e a promoção de uma postura activa dos alunos. Esta investigação revelou a necessidade de realização de formação inicial e contínua de professores em Educação Ambiental, com uma metodologia semelhante à que por nós foi implementada e com aproveitamento e partilha dos materiais construídos, a necessidade das Direções das Escolas assumirem uma política ambiental, oferecendo formação aos professores e mecanismos que lhe facilitem a implementação da mesma e a aplicação de actividades laboratoriais e de campo, em cooperação com interesses ambientais de instituições locais.Environmental Education as an intervention area that allows the minimization or even the resolution of several environmental problems affecting human beings, as well as other species, requires a set of characteristics and abilities needed to achieve them, in which knowledge and scientific skills are an integral part. For some authors, it will be enough to break with traditional ways of approaching Environmental Education issues, which aim at illustrating and strengthening scientific knowledge within this subject, and take up highly investigative methodologies, with the construction of investigative, solving-problems and reflective pathways which, when focused into concrete and local realities, allow globalized conceptualizations. Laboratory and field activities, and its integrated implementation can fulfill an essential role in this context. There is, however, some hesitation on the part of teachers in approaching environmental issues and their difficulties are associated with both institutional and pedagogical aspects, namely their lack of training about the most appropriate way to approach them. The changing of teachers’ conceptions about the way they conceptualize Environmental Education, as well as about the way they consider that activities can be performed to promote it, goes through with a real commitment to their training.Research was developed into two studies. In the first one, we characterize the Biology and Geology teachers’ conceptions and practices regarding the promotion of Environmental Education through laboratory and field activities (N = 131), through the application of a questionnaire at national level, a survey research. The objective of the second study was to evaluate the impact of a training course for Biology and Geology teachers (N = 10), aiming at promoting their conceptions and practices regarding the use of laboratory and field activities in Environmental Education. To this end, we resort to a single group quasi-experimental study, pretest and post-test. Teachers’ conceptions and practices were diagnosed by means of a questionnaire. Then, the course training was put into practice and at the end teacher’s conceptions as well as their intentions for future practices were identified again through a questionnaire. The results of the first study show that most teachers (57,3%) consider that Environmental Education aims at promoting critical consciousness, an active role upon environmental, social and economic issues, as opposed to 21, 4% teachers that define it as a way of preserving and protecting the environment. Laboratory and/or field activities implementation is reduced (32,1%) compared to other methods used by teachers in Environmental Education. Although teachers suggest to develop laboratory and field activities of an investigative kind, their answers do not provide an integrated implementation of both practical activities. Almost half of the teachers that indicate that they use laboratory and/or field activities in Environmental Education have done it a few times over the year and the majority answered they were satisfied with these activities. Still, for most teachers, the use of these two types of practical activities in Environmental Education is limited by constraints related to curriculum organization, school management and logistic, material and financial school conditions. The results of the second study indicate that the training seems to have had an important role in the trainees’ awareness regarding the usefulness of laboratory and field activities in Environmental Education, and in their intention to promote the construction of investigative pathways when using these two types of practical activities with their students. The Environmental Education teachers’ conception has evolved into an education whose aims are the development of skills towards the resolution of environmental problems and the promotion of students’ active attitude. This research revealed the need to provide initial and continuing training to teachers in Environmental Education, with a similar methodology to the one we implemented, using and sharing materials made available. It is also needed that school directors adopt an environmental policy, providing training to teachers and mechanisms that will facilitate the implementation of Environmental Education and the use of laboratories and field activities, in cooperation with environmental concerns of local institutions.Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), III Quadro Comunitário de Apoio, através da atribuição de uma Bolsa de Investigação com a referência SFRH/BD/36549/2007
Tipo de Documento Tese de Doutoramento
Idioma Português
Orientador(es) Dourado, Luís Gonzaga Pereira
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