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Subsistência e sazonalidade dos últimos caçadores-recolectores Mesolíticos Os restos ictíicos do Cabeço da Amoreira (Muge, Portugal)

Author(s): Dias, Rita Dupont de Sousa

Date: 2018

Persistent ID: http://hdl.handle.net/10400.1/10769

Origin: Sapientia - Universidade do Algarve

Subject(s): Restos ictíicos; Mesolítico; Sazonalidade; Subsistência; Domínio/Área Científica::Humanidades::História e Arqueologia; Domínio/Área Científica::Humanidades::História e Arqueologia; Domínio/Área Científica::Humanidades::História e Arqueologia


Description

O estudo dos padrões de subsistência, ocupação e mobilidade das comunidades humanas durante o Mesolítico, é um tema de investigação fundamental nos contextos da evolução das mudanças do comportamento humano e dos processos de adaptação durante o surgimento das alterações climáticas que caracterizaram o Holoceno. Um dos fenómenos associados a estas alterações, é o aparecimento dos depósitos antrópicos conhecidos como concheiros que caracterizam a ocupação mesolítica na vertente atlântica da Península Ibérica. Não obstante, o actual estado da arte da investigação deixa claro a pertinência de algumas questões relacionadas com os modelos de ocupação e exploração do território, e recursos durante o Mesolítico. Tendo em conta os modelos teóricos vigentes, o presente trabalho procura contribuir para a discussão sobre o tipo de ocupação nos concheiros mesolíticos, aprofundando questões relacionadas com a interpretação do sítio arqueológico, no que toca a questões como a funcionalidade, intensidade e sazonalidade da ocupação humana. Tendo como base a realidade geográfica da vertente atlântica da Península Ibérica, o presente trabalho tem como caso de estudo o concheiro Mesolítico do Cabeço da Amoreira, focando a análise interdisciplinar dos restos ictiológicos das diferentes unidades crono-estratigráficas do depósito. O presente estudo apresenta dados de alta-resolução sobre os restos ictíicos recuperados das escavações de 2008-2014 no concheiro mesolítico do Cabeço da Amoreira, através do estudo sistemático de 5379 restos ósseos de peixe recolhidos nas referidas campanhas arqueológicas. A análise aqui encetada, explora a diversidade taxonómica, a distribuição esquelética dos elementos ou fragmentos ósseos recuperados, os processos tafonómicos e também, um set de critérios que afectam a identificação destes tipos de restos. Simultaneamente, tenta-se reconstruir, através dos dados obtidos, o papel dos recursos ictíicos na subsistência e o tipo de realidade tecnológica possivelmente envolvida na sua captura através do enquadramento teórico dos métodos conhecidos de exploração e susceptíveis de terem sido utilizados durante o Mesolítico. Enquadra-se também o consumo deste tipo de recursos num contexto cronológico mais alargado, que indica um consumo sistemático bastante anterior à transição Plistoceno-Holoceno. Procurou-se também fazer um enquadramento da disciplina da Ictiologia e da sua evolução que viria a resultar na investigação sobre o papel dos recursos ictíicos na investigação arqueológica, particularmente na zooarqueologia. Tendo em conta as questões supracitadas, o presente trabalho tem como objectivo contribuir para a discussão sobre os modelos de ocupação (e.g sazonalidade), tipo da ocupação, estratégias de subsistência e exploração das espécies disponíveis local e regionalmente e confirmar os modelos existentes que propõem uma ocupação sedentária ou semi-sedentária, ao longo de todo o ano e que não exclui, apesar disso a possibilidade de uma relativamente elevada mobilidade individual. Paralelamente, o presente trabalho procura integrar o Cabeço da Amoreira na realidade geográfica e paleoambiental, no período mesolítico através dos dados disponíveis através da análise dos restos ictíicos ali recolhidos. Para além da descrição taxonómica dos elementos ictiológicos presentes nas diferentes unidades estratigráficas, o presente trabalho, apresenta e discute dados da análise esclerocronológica e de isótopos estáveis de δ18O, de 15 otólitos de corvina (Argyrosomus regius) provenientes da última ocupação do Cabeço da Amoreira (Muge, Portugal). Procurou-se, deste modo, criar uma metodologia reproduzível para este tipo de materiais, provenientes de escavações arqueológicas. De entre os restos analisados, os otólitos foram seccionados e observados com recurso a uma lupa binocular com luz reflectida de forma a observar os anéis de crescimento, formados sazonalmente. O carbonato recolhido em amostras dos vários anéis de crescimento, obtido com a ajuda de um dispositivo de amostragem equipado com uma microbroca de diamante, foi analisado de forma a obter os valores dos isótopos estáveis de δ18O, com o objectivo de determinar a época de captura predominante e, portanto, balizar sazonalmente a ocupação do sítio, as condições paleoambientais e os locais de obtenção de recursos (locais versus regionais). As potenciais alterações diagenéticas foram observadas através μ-Raman, e LA-ICPMS. Os resultados mostraram a preservação da aragonite, não mostrando evidências de processos diagenéticos com potencial de alterar os resultados isotópicos e levar a interpretações erróneas. Em suma, os resultados aqui apresentados e discutidos revelam valores sazonais claros e uma estimativa sazonal que parece ser consistente com períodos de temperaturas mais elevadas (Primavera-Verão-início do Outono), para a ultima ocupação mesolítica do Cabeço da Amoreira.

Document Type Doctoral thesis
Language Portuguese
Advisor(s) Bicho, Nuno Gonçalo Viana Pereira Ferreira; Detry, Cleia
Contributor(s) Dias, Rita Dupont de Sousa
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