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Acidente Vascular Cerebral Cardioembólico : fibrilhação auricular e terapêutica antitrombótica

Author(s): Reis, Lígia Silva

Date: 2011

Persistent ID: http://hdl.handle.net/10400.6/1030

Origin: uBibliorum

Subject(s): Acidente Vascular Cerebral; Acidente Vascular Cerebral Cardioembólico; Acidente Vascular Cerebral - Fibrilhação auricular; Acidente Vascular Cerebral - Terapêutica antitrombótica


Description

Introdução: O Acidente Vascular Cerebral constitui a primeira causa de morte em Portugal. A fibrilhação auricular apresenta-se como um factor de alto risco cardioembólico, aumentando 5 vezes o risco de AVC. O CHADS2 score estima o risco de ocorrência de AVC em pacientes com fibrilhação auricular, assim como permite decidir sobre a aplicabilidade de terapêutica anticoagulante ou antiagregante. O HAS-BLED score avalia o risco de sangramento nos pacientes com fibrilhação auricular que estão sob terapêutica profilática anticoagulante. O objectivo deste estudo consiste em estratificar o risco cardioembólico pré e pós AVC e em verificar se a respectiva antiagregação ou anticoagulação pré AVC e pós alta está de acordo com o preconizado. Pretende-se ainda determinar o risco hemorrágico durante as consultas da coagulação, após alta. Métodos: Estudo retrospectivo, do ano de 2009, por consulta de processos clínicos dos doentes admitidos na unidade de AVC do Centro Hospitalar Cova da Beira com o diagnóstico de AVC e posterior selecção dos AVC cardioembólicos. Para os episódios de AVC cardioembólico com fibrilhação auricular foram calculados o CHADS2 score pré-AVC e pós-AVC e o HAS-BLED score aquando das consultas de coagulação, estratificando-se, respectivamente, o risco cardioembólico e o risco hemorrágico. Efectuou-se uma análise descritiva destes casos. Resultados: Foram diagnosticados 297 episódios de AVC. Do total foram diagnosticados 40 AVC cardioembólicos (13,5%), tendo sido a dilatação auricular a alteração ecocardiográfica mais prevalente e a hipertensão arterial a co-morbilidade mais frequentemente detectada. A fibrilhação auricular foi diagnosticada em 36 pacientes com AVC cardioembólico, antes (10) e durante (26) o internamento. Destes 36 pacientes, 24 realizavam terapia antiagregante ou anticoagulante crónica antes do episódio e 25 apresentavam, segundo o CHADS2 score, risco elevado pré-AVC. Após a alta, foi instituída terapia com varfarina a 29 dos sobreviventes e destes, 26 passaram a ser seguidos em consultas de coagulação. Dados da consulta revelam que 19 encontravam-se sob risco hemorrágico elevado, segundo o HAS-BLED score. Discussão/Conclusão: A frequência de AVC cardioembólico apresentada pelos doentes admitidos não está de acordo com a maioria dos estudos. Em consonância com a literatura, a fibrilhação auricular comportou-se como a principal etiologia cardioembólica. A ausência de diagnóstico de fibrilhação auricular antes da ocorrência do episódio de AVC motivou a inexistência ou inapropriada profilaxia primária, segundo o CHADS2 score. Após a alta, a maioria foi submetida a anticoagulação oral, como o recomendado pelas actuais guidelines. O elevado risco hemorrágico demonstrado por alguns pacientes e a elevada percentagem de valores de INR fora do intervalo terapêutico recomendado corroboram as limitações da varfarina, anticoagulante que exige rigorosa monitorização.

Document Type Master thesis
Language Portuguese
Contributor(s) Reis, Lígia Silva
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