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A polihexanida no controlo de infeções bacterianas e por Malassezia : estudo clínico preliminar no cão

Author(s): Cardoso, Joana Raquel Duarte

Date: 2017

Persistent ID: http://hdl.handle.net/10400.5/13438

Origin: Repositório da UTL

Subject(s): polihexanida; infeções cutâneas; piodermite; Malassezia; tratamento tópico; ensaio clínico; polyhexanide; skin infections; pyoderma; topical treatment; clinical trial


Description

As piodermites são consideradas as doenças de pele mais frequentes no cão e a dermatite por Malassezia é cada vez mais relevante. O problema das resistências aos antimicrobianos e, em especial, dos estafilococos multirresistentes, tanto em Saúde Animal como em Saúde Humana, torna as opções terapêuticas sistémicas limitadas, imperando uma necessidade de gestão e preservação dos antimicrobianos disponíveis, de pesquisa de alternativas e de proteção da saúde pública. A terapêutica tópica é, assim, cada vez mais privilegiada, sendo a clorexidina o antisséptico mais usado na Dermatologia Veterinária. Já em Medicina Humana a polihexanida é o antisséptico de primeira linha no tratamento de feridas infetadas. Assim, este ensaio clínico randomizado e controlado pretendeu investigar a eficácia de uma solução de polihexanida a 0,1% (Prontosan®, B.Braun Medical, Lda, Portugal) no tratamento de infeções de pele bacterianas e/ou por Malassezia no cão, aplicada uma vez por dia, num máximo de seis semanas e, adicionalmente, comparar essa eficácia à de uma solução de digluconato de clorexidina a 2%. A resposta ao tratamento foi definida pela progressão de um score clínico e citológico atribuídos segundo escalas de, respetivamente, três e quatro pontos, sendo também registada a opinião dos donos. Com a utilização da polihexanida foi observada uma melhoria clínica em 75% (6/8) dos doentes com pelo menos uma consulta de seguimento vs. 60% (6/10) no grupo da clorexidina. Houve uma melhoria clínica de pelo menos 50% associada a cura citológica em metade dos doentes tratados com polihexanida, que alcançaram a cura clínica entre os 14 e 31 dias vs. 21 dias para o único doente que atingiu cura clínica com a clorexidina. A cura citológica foi mais frequente que a cura clínica em ambos os grupos e ocorreu entre os dias 7 e 24 para a polihexanida vs. 8 e 22 para a clorexidina. Os resultados sugerem que a polihexanida é eficaz no tratamento de algumas piodermites, com ou sem sobrecrescimento de Malassezia, sendo muito bem tolerada. A sua eficácia parece ser pelo menos semelhante à da clorexidina e, além disso, não se observaram reações adversas. Isto pode indicar uma vantagem sobre a clorexidina, que, neste estudo, esteve implicada numa dermatite de contacto. A investigação relativa à polihexanida nesta área pode e deve continuar. Considerando os seus atributos de promoção da cicatrização e os resultados positivos deste estudo seria importante avaliar a sua utilização em piodermites profundas. Há, todavia, uma grande falta de conhecimento sobre as consequências da exposição prolongada e subterapêutica dos microrganismos a estes antissépticos.

ABSTRACT - POLYHEXANIDE IN THE TREATMENT OF PYODERMA AND MALASSEZIA DERMATITIS: PRELIMINARY CLINICAL TRIAL IN THE DOG - Pyoderma is considered the most frequent skin disease in the dog and Malassezia dermatitis is increasingly relevant. The problem of antimicrobial resistance and specially the multirresistant staphylococci in both Animal and Human Health makes systemic treatment options more and more limited prevailing a need for stewardship and preservation of the current available antimicrobials, alternatives research and protection of public health. Topical therapy is, thus, progressively privileged being chlorhexidine the most used antisseptic in Veterinary Dermatology. Regarding Human Medicin, polyhexanide is the first-line antisseptic for topical treatment of infected wounds. Hence, this randomized controlled clinical trial intended to investigate the efficacy of a 0,1% polyhexanide solution (Prontosan®, B.Braun Medical, Lda, Portugal) in the treatment of bacterial and/or Malassezia skin infections in the dog applied once a day for a maximum of six weeks and, additionally, to compare it with a 2% chlorhexidine digluconate solution. Treatment response was based on the progression of the clinical and cytological scores assigned according to a three and four point scale, respectively, and also on owner feedback. There was a clinical improvement with polyhexanide in 75% (6/8) of the patients with at least one follow-up consultation vs. 60% (6/10) in chlorhexidine’s group. There was a clinical improvement of at least 50% associated with cytological cure in half the patients treated with polyhexanide, which then attained clinical cure between days 14 and 31 vs. day 21 for the only patient that attained clinical cure with chlorhexidine. Cytological cure was more common than clinical cure in both groups and occurred between days 7 and 24 for polyhexanide vs. days 8 to 22 for chlorhexidine. Results suggest that polyhexanide is effective in the treatment of some pyodermas with or without Malassezia overgrowth, being very well tolerated. Its efficacy seems to be at least similar to chlorhexidine’s plus no adverse reactions were observed. This might indicate an advantage over chlorhexidine, which in this study was implicated in a contact dermatitis. Further investigation is warranted and should continue. Considering polyhexanide’s attributes on wound healing and the positive results of this study it would be important to evaluate its usage in deep pyoderma. There is, however, a big lack of knowledge about the consequences of prolonged and subtherapeutic exposure of microorganisms to these antisseptics.

Dissertação de Mestrado Integrado em Medicina Veterinária

Document Type Master thesis
Language Portuguese
Advisor(s) Lourenço, Ana Mafalda Gonçalves Xavier Félix
Contributor(s) Cardoso, Joana Raquel Duarte
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