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A manobra político-diplomática de Portugal na África Austral (1951-1974)

Autor(es): Barroso, Luís Fernando Machado

Data: 2012

Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/10071/6200

Origem: Repositório do ISCTE-IUL

Assunto(s): África do Sul; Rodésia; África Austral; Diplomacia; Diplomacy; Southern Africa; ALCORA; South Africa; Rhodesia; Portugal; Diplomacy


Descrição

Entre 1961 e 1974, Portugal combateu uma longa guerra em Angola, Moçambique e na Guiné, indo buscar ao sistema internacional importantes apoios para o seu esforço de guerra. Importantes trabalhos foram publicados neste âmbito, em especial no que respeita às relações político-diplomáticas de Portugal com os EUA, Grã-Bretanha, França e Alemanha. Porém, faltava ainda determinar até que ponto a guerra em Angola e em Moçambique foi influenciada pelas relações que Portugal manteve com os países da África Austral (Rodésia, África do Sul, Malawi e Zâmbia). Conhecer a dimensão diplomática da guerra colonial na África Austral, permite compreender como o Governo Português tentou complementar as suas alianças tradicionais desde que incorporou o Ato Colonial na Constituição (1951) até à queda do regime no 25 de abril de 1974. O acesso a importante documentação nos arquivos do Ministério Negócios Estrangeiros e da Defesa sul-africanos, complementada com documentação existente nos arquivos nacionais ainda não explorada, combinados com uma referenciação teórica orientada na utilização da diplomacia como instrumento de poder, permitiu obter uma visão inovadora da política externa portuguesa que pretende complementar a literatura historiográfica existente. A análise efetuada à manobra políticodiplomática do Governo Português permite-nos concluir que Portugal tentou relevar a sua importância estratégica em África para equilibrar a força centrípeta de Pretória na estratégia da contrassubversão levada a cabo pelo “reduto branco” contra a “penetração comunista”. A aproximação ao Malawi e à Zâmbia e o incentivo a Ian Smith para declarar a independência unilateral, como mecanismo de equilíbrio contra a hegemonia de Pretória, não conseguiu compensar o peso de Pretória depois da intervenção direta no sul de Angola a partir de 1967. Além do mais, a degradação da situação militar em Tete a partir de 1970, que Pretória e Salisbúria assumiram como o eixo da subversão na África Austral, e os investimentos nas “províncias” empurraram definitivamente Angola e Moçambique para a órbita estratégica sul-africana.

Between 1961 and 1974, Portugal fought a long war in Angola, Mozambique and Guinea, getting an important support for its war effort from the international system. Important literature has been published in this area, particularly with regard to political and diplomatic relations between Portugal and the United States, Britain, France and Germany. However, we had yet to determine how the war in Angola and Mozambique was influenced by the relationships that Portugal kept with the countries of Southern Africa (Rhodesia, South Africa, Malawi and Zambia). An acknowledgment of the diplomatic dimension of the colonial war in Southern Africa provides an insight into the way the Portuguese government attempted to reinforce their traditional alliances starting with the act that incorporated the colonial constitution (1951) until the fall of the regime on April 25, 1974. The access to important data from the archives of the Foreign Affairs and Defence from South Africa, the existing documentation at the National Archives not fully explored until now, and a theoretical framework grounded in the idea of using diplomacy as an instrument of power, provides an overview of the innovative Portuguese foreign policy that complements the existing historiographical literature. The analysis of the political and diplomatic manoeuvres of the Portuguese Government with South Africa and Rhodesia, allows us to conclude that Portugal tried to strengthen its strategic importance in Africa as a way to balance the centripetal importance of Pretoria's strategy in its counter-subversion as the last "white redoubt" against the "Communist invasion". The approach to Malawi and Zambia and the encouragement of Ian Smith to declare unilateral independence (1965) as a mechanism against the hegemony of Pretoria, failed to offset the weight of Pretoria after its direct intervention in southern Angola after 1967. Furthermore, the degradation of the military situation in Tete from 1970, which Pretoria and Salisbury took on as the axis of subversion in Southern Africa, plus the investment in the "provinces" definitely pushed Angola and Mozambique to South Africa's strategic orbit.

Tipo de Documento Tese de doutoramento
Idioma Português
Orientador(es) Rodrigues, Luís Nuno Valdez Faria
Contribuidor(es) Barroso, Luís Fernando Machado
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