O território ímpar e histórico da zona ribeirinha oriental de Lisboa (ZROL) requer leituras crítico-arqueológicas do seu património e da Ars memorativa (Marot 2006). Sob uma perspetiva “antimonumento” e do “não-lugar” (Augé, 2004, pp. 75-76), propõe-se reelaborar a história da cidade (A. Rossi) mediante a manutenção da paisagem e da memória coletiva (Gomes, 2013, p. 25).
Numa sociedade que despreza os saberes que não produzem benefício económico, o filósofo Nuccio Ordine, defensor da necessidade de perseguir utopias para imaginar, pensar e alcançar um mundo melhor, alerta que uma sociedade desmemoriada, sem relação com o seu passado, é uma sociedade que não terá democracia, considerando que a memória é essencial para compreender o presente e prever o futuro. Partindo da atempor...
Valorizando a diversidade e considerando o redesenho da cidade como processo sócio-cultural, o presente ensaio questiona a teorização da informalidade e da regeneração urbana de espaços urbanos “não classificados”. Através da conservação integrada sentimental e da “cidade banal” (Santos 2006) - contrariando a “pasteurização” da cidade (Brand 2009) e com base na antítese da crítica conceptual de Venturi (1972) -...
Perante os ciclos de crescimento/declínio urbano, a depredação de recursos, e os fenómenos recentes relacionados com as mudanças socioeconómicas (e.g.: turistificação), as especificidades dos lugares e a preservação/conservação das préexistências afiguram-se relevantes na contemporaneidade. Mas a questão da identidade cultural dos lugares contemporâneos é plural e a ideia de património é difusa, sendo necessári...
Assumindo a re-funcionalização como uma oportunidade na cidade contemporânea, apresentamos uma abordagem crítica fundada no quadro conceptual de Françoise Choay, Laurajane Smith, Fernando de Terán, Loes Veldpaus e Anna Colavitti, tomando como referência a requalificação da arquitetura e a regeneração urbana levadas a cabo na cidade de Lisboa, com o objectivo de revelar a dimensão prospectiva do passado no futur...
A zona ribeirinha oriental de Lisboa (ZROL) é uma área urbana pós-industrial complexa, diversificada e semiperiférica, resultante de sucessivas transformações físicas e socioeconómicas. Apesar do panorama de declínio urbano, destaca-se pelo seu legado histórico, localização estratégica na cidade e na área metropolitana de Lisboa. Cientes da relevância histórica, industrial, urbana e portuária do(s) território(s...
Em pleno contexto de mudança, a frente ribeirinha oriental de Lisboa constitui um território complexo, pós-industrial e semi-periférico, que exige repensar o seu planeamento e gestão urbanística. Apesar das sucessivas transformações urbanas desde a sua génese (século XV), o importante processo de industrialização e de infra-estruturação (século XIX) e a sua desafectação económica a partir da década de 1960 tere...