Contrariando-se os imperativos da velocidade, da funcionalidade, da sustentabilidade financeira, são múltiplas as estratégias, individuais e institucionais, adotadas tendo em vista proteger os lugares públicos que nas cidades ainda se abrem ao ócio, ao estar(ser)-com-os outros, à comunhão dos sentidos, à reinvenção da cultura. A par das afinidades que nos permitem discutir os mercados nas suas diversa...
[Excerto] Que importância tem o tempo na forma como vivemos e sentimos os espaços públicos urbanos e na relação que desenvolvemos com esses espaços físicos? Que tempo e que espaços, podemos perguntar. Uma possível resposta: o tempo tal como o percecionamos e sentimos fluir nas praças, nos jardins, nas ruas, nos espaços que partilhamos com outros na nossa vida social quotidiana, sempre que os atravessamos, a cor...
[Excerto] Quando vou a pé para o trabalho, por vezes acontece fazê-lo com tempo, sem a sensação de que estou atrasada, livre da culpa que o ritmo da máquina da cidade nos faz sentir sempre que deixamos de correr atrás do tempo. Uma perversão que existe na cidade, diz Gonçalo Tavares (2025), é transmitir a sensação de que estamos sempre atrasados, algo que nos faz sentir culpados, seja por não ter feito o sufici...
In the book series Palgrave Studies in Otherness and Communication, this volume explores a series of unusual and less predictable modes of communicating and of reinventing alterities, by illustrating a scope of possibilities, ranging from power, material, and symbolic differences among humans, to differences based upon the posthumanist critical paradigm, contrary to the idea of the modern subject and of the ant...
Em dias ensolarados como este, penduradas em varais externos, com cordão ou arame, mais ou menos improvisados, peças recém-lavadas secam ao sol e vento. Calças, camisolas, toalhas, lençóis, peças dispostas numa ordem meticulosa e equilibrada, atenta à força e direção do vento, bem como à incidência do sol. Há toda uma arte de harmonizar a roupa de uma família numa mesma corda. Podemos ler esse gesto como um índ...
“Chama-se Ponta Delgada por estar situada na ponta mais fina da ilha, e olhe, está a ver aquele pico ali, é o ponto mais alto da ilha, com mil e cem metros de altitude, o Pico da Vara. De lá pode ver tudo à volta, caso esteja limpo”. Estas foram as informações que retive da conversa animada entabulada com o taxista que me levou do aeroporto para o centro da cidade de Ponta Delgada na minha primeira visita à ilh...
[Excerto] Introdução Embora o termo “texto” possa ser entendido de forma lata, integrando diferentes recursos semióticos, este capítulo toma o conceito de “texto” essencialmente como linguagem verbal, e como um artefacto que pode ser lido, ouvido e interpretado. As abordagens aqui discutidas são simultaneamente lentes e ferramentas para análise do texto e, como tal, as opções a fazer devem resultar de uma ponde...
Da minha varanda entretenho-me, no quotidiano, a observar a vida social de uma mesa. A mesa faz parte do mobiliário de um espaço verde da cidade de Braga recentemente inaugurado, o Parque Urbano das Camélias, apresentado pela autarquia como peça fundamental para a ideia de parque central ou ligação em rede de diferentes espaços verdes urbanos (Parque da Ponte, Parque das Camélias e Monte Picoto) da cidade de Br...
[excerto] No atual quadro (tensivo) da arte contemporânea (Jimenez, 2005/2021), dada a complexidade dos seus códigos, formais, composicionais, processuais, mas também dos seus imbricados ensarilhamentos com as dimensões social e política (Bishop, 2004), bem como a económica (Afonso & Fernandes, 2019), acentuou-se o imperativo da comunicação e mediação. A comunicação e mediação entre (e intra) a arte, os artista...