Author(s):
Sousa, Rafaela Veloso
Date: 2026
Persistent ID: http://hdl.handle.net/10284/15675
Origin: Repositório Institucional da Fundação Fernando Pessoa
Subject(s): Violência doméstica; Feminicídio; Discurso digital; Análise temática; Domestic violence; Femicide; Digital discourse; Thematic analysis
Description
Este trabalho de investigação propõe uma análise dos comentários online produzidos nas redes sociais sobre o desaparecimento da grávida da Murtosa, procurando compreender como os utilizadores constroem sentidos sobre casos mediáticos de violência de género. O projeto articula contributos teóricos sobre feminicídio, representações mediáticas e dinâmicas comunicacionais do espaço digital, evidenciando a forma como mitos de culpabilização da vítima, estereótipos de género e narrativas misóginas continuam presentes no debate público. A recolha preliminar de dados incidiu sobre comentários publicados na primeira semana após a divulgação da notícia, preservando a espontaneidade e diversidade discursiva. A análise, também preliminar, conduzida através da análise temática, permitiu gerar códigos como culpabilização da vítima, justificação do agressor, especulação, críticas aos media, empatia e exigência de punição. Os resultados sugerem que o espaço digital funciona como arena de disputa simbólica, onde se reproduzem desigualdades de género, mas também emergem contra narrativas que reconhecem a violência contra mulheres como fenómeno estrutural.
This research study proposes an analysis of online comments posted on social media regarding the disappearance of the pregnant woman from Murtosa, seeking to understand how users construct meanings around high-profile cases of gender-based violence. The project integrates theoretical contributions on femicide, media representations, and the communicational dynamics of the digital space, highlighting how myths of victim blaming, gender stereotypes, and misogynistic narratives remain present in public discourse. The preliminary data collection focused on comments posted during the first week following the news story’s publication, preserving the spontaneity and discursive diversity of the comments. The analysis, also preliminary and conducted through thematic analysis, yielded codes such as victim-blaming, justification of the perpetrator, speculation, criticism of the media, empathy, and demands for punishment. The results suggest that the digital space functions as an arena for symbolic conflict, where gender inequalities are reproduced, but where counter-narratives that recognize violence against women as a structural phenomenon also emerge.