Document details

A ética do olhar: a fotografia de Hélène Binet como método de interpretação arquitetónica – um ensaio fotográfico no ReCaFE, Espinho

Author(s): Vieira, Rúben Daniel Martins

Date: 2026

Persistent ID: http://hdl.handle.net/10284/15693

Origin: Repositório Institucional da Fernando Pessoa

Subject(s): Ocularcentrismo; Hapticidade; Hélène Binet; Fenomenologia; Fotografia de arquitetura; Resistência; Ocularcentrism; Hapticity; Phenomenology; Architectural photography; Resistance


Description

O domínio da visão face aos outros sentidos e o consumo rápido da imagem desmaterializam a arquitetura contemporânea, retirando o peso e a espessura do espaço construído. Contra esta assepsia visual, a presente dissertação estuda como a obra fotográfica de Hélène Binet propõe uma metodologia de resistência ativa, aqui lida através de uma tríade focada em dois casos de estudo: o uso do suporte analógico, a estratégia do fragmento e a escultura da penumbra, aplicada sobre a permanência telúrica das Termas de Vals, de Peter Zumthor, e sobre a vertigem desconstrutivista da Vitra Fire Station, de Zaha Hadid. O confronto entre dois universos arquitetónicos antagónicos permite verificar se a tríade se mantém operativa independentemente da natureza da obra observada. Desta leitura emerge o argumento de que Binet se move conscientemente entre dois registos: a imagem-bisturi, que disseca e devolve a espessura da matéria, e a imagem-produto, que a consome e aplana, revelando que é a postura do fotógrafo e não o suporte que utiliza a determinar qual deles se concretiza. Ao combinar a análise crítica da obra de Binet com a produção fotográfica própria, o ensaio empírico O Olho Tátil, realizado no ReCaFE (Espinho), procura a demonstração de que a tríade transita para o suporte digital com eficácia semelhante, desde que assuma uma postura ética equivalente. A ética do olhar antecede e sobrepõe-se ao suporte técnico, sugerindo que a fotografia, quando conduzida por uma postura ética de resistência, talvez possa atuar como antídoto à anestesia contemporânea.

The dominance of sight over the other senses and the rapid consumption of images dematerialize contemporary architecture, stripping the built space of its weight and depth. In response to this visual sterility, this dissertation examines how Hélène Binet’s photographic work proposes a methodology of active resistance, interpreted here through a triad focused on two case studies: the use of analog media, the strategy of the fragment, and the sculpture of penumbra, applied to the telluric permanence of Peter Zumthor’s Termas de Vals and to the deconstructivist vertigo of Zaha Hadid’s Vitra Fire Station. The confrontation between two antagonistic architectural universes allows us to verify whether the triad remains operative regardless of the nature of the work under observation. From this reading emerges the argument that Binet consciously moves between two registers: the scalpel-image, which dissects and restores the material’s depth, and the product-image, which consumes and flattens it, revealing that it is the photographer’s stance and not the medium used that determines which of these takes shape. By combining a critical analysis of Binet’s work with the author’s own photographic production, the empirical essay The Tactile Eye, conducted at ReCaFE (Espinho), seeks to demonstrate that the triad transitions to the digital medium with similar effectiveness, provided it adopts an equivalent ethical stance. The ethics of the gaze precedes and transcends the technical medium, suggesting that photography, when guided by an ethical stance of resistance, may perhaps serve as an antidote to contemporary numbness.

Document Type Master thesis
Language Portuguese
Contributor(s) Repositório Institucional da Fernando Pessoa; Cunha, Nuno Higino; Sucena, Sara
CC Licence
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