Author(s):
Simão, Ana ; Brandão, Bárbara ; Carvalho, Beatriz ; Braz, Carolina ; Rodrigues, Mara ; Pereira, Ana Maria Geraldes Rodrigues
Date: 2026
Persistent ID: http://hdl.handle.net/10198/36941
Origin: Biblioteca Digital da UPB
Subject(s): Insegurança alimentar; Restauração; Sustentabilidade; Responsabilidade social; Qualidade nutricional
Description
A insegurança alimentar constitui um desafio persistente em contextos urbanos, exigindo respostas inovadoras que articulem sustentabilidade económica, responsabilidade social e qualidade nutricional. Neste enquadramento, modelos híbridos de restauração surgem como estratégias promissoras para financiar iniciativas solidárias e ampliar o acesso a refeições seguras entre populações vulneráveis. Objetivos:Desenvolver um serviço de alimentação designado Share Place , socialmente orientado, assente num restaurante cuja receita é integralmente canalizada para a produção e distribuição de refeições gratuitas através de unidades móveis.Metodologia:Abordagem aplicada e orientada para a intervenção, estruturada em quatro eixos: (1) caracterização das necessidades sociais e alimentares da população beneficiária; (2) desenho do modelo de funcionamento do restaurante solidário, incluindo princípios de sustentabilidade financeira, estratégias de captação de receita e mecanismos de afetação dos lucros ao serviço móvel; (3) desenvolvimento da estrutura técnico operacional, contemplando organograma, funcionograma, fluxos de produção, planta física do restaurante e das rolotes, definição das ementas e cálculo dos custos de produção; e (4) avaliação da viabilidade e conformidade com referenciais legais e normativos aplicáveis aos serviços de alimentação, nomeadamente NP EN ISO 22000, Portaria n.º 987/93, ERS 3002 e orientações DGS bem como princípios de gestão da qualidade (NP EN ISO 9001).Resultados: Foi criado um sistema integrado de restauração solidária, com ementas nutricionalmente adequadas, plano logístico de distribuição móvel e instrumentos de monitorização. O serviço organiza se em quatro secções e requer 38 colaboradores, para a produção de 600 refeições diárias, resultando num indicador de produtividade compatível com serviços de média intensidade. O preço de 2 euros por refeição assegura a sustentabilidade económica e o financiamento integral da distribuição gratuita. Discussão: O modelo demonstra que a restauração pode funcionar como motor de inclusão social, combinando eficiência económica com solidariedade estruturada.