Author(s):
Giesbrecht, Daniel Florence
Date: 2025
Persistent ID: https://hdl.handle.net/10316/121781
Origin: Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Subject(s): racialização; eugenia; genética de populações; necropolítica; colonialidade; racialization; eugenics; population genetics; necropolitics; coloniality
Description
O artigo reconstrói a trajetória histórica e conceitual de “raça” entre o século XVIII e o início do século XXI, articulando três movimentos principais. Primeiro, examinase como a história natural iluminista e, depois, o racialismo oitocentista converteram a diferença humana em destino biológico, fazendo do corpo um suporte privilegiado para hierarquias coloniais e projetos nacionais. Em seguida, analisa-se o colapso epistêmico da “raça” ao longo do século XX, a partir da crítica antropológica de Boas, Mauss e LéviStrauss, das declarações da UNESCO no pós-guerra e dos deslocamentos produzidos pela genética de populações, que inviabilizaram a “raça” como categoria biologicamente significativa. Por fim, discute-se a sobrevivência da “raça” como tecnologia política, à luz das noções de biopoder e necropolítica, com atenção particular aos contextos português e brasileiro, marcados por histórias coloniais e mitologias da miscigenação. Sustenta-se, em conclusão, que “raça” está morta como categoria epistêmica, mas permanece viva como prática social e dispositivo de governo, exigindo uma crítica histórica contínua.
This article reconstructs the historical and conceptual trajectory of “race” from the eighteenth century to the early twenty-first century, organised around three major movements. First, it examines how Enlightenment natural history and, later, nineteenth-century racialism turned human difference into biological destiny, making the body a privileged surface for colonial hierarchies and national projects. Second, it analyses the epistemic collapse of “race” in the twentieth century, drawing on the anthropological critiques of Boas, Mauss and Lévi-Strauss, the post-war UNESCO statements and the shifts produced by population genetics, which rendered “race” untenable as a biologically meaningful category. Finally, it discusses the survival of “race” as a political technology, in light of biopower and necropolitics, with particular attention to the Portuguese and Brazilian contexts, marked by colonial histories and myths of mestizaje. The article argues that “race” is dead as an epistemic category but remains alive as social practice and as a device of government, which makes its continuous historical critique indispensable.
El artículo reconstruye la trayectoria histórica y conceptual de la “raza” desde el siglo XVIII hasta comienzos del siglo XXI, articulando tres movimientos principales. En primer lugar, se examina cómo la historia natural ilustrada y, más tarde, el racialismo decimonónico convirtieron la diferencia humana en destino biológico, haciendo del cuerpo una superficie privilegiada para jerarquías coloniales y proyectos nacionales. En segundo lugar, se analiza el colapso epistémico de la “raza” a lo largo del siglo XX, a partir de la crítica antropológica de Boas, Mauss y Lévi-Strauss, de las declaraciones de la UNESCO en la posguerra y de los desplazamientos producidos por la genética de poblaciones, que volvieron insostenible la “raza” como categoría biológica significativa. Por último, se discute la supervivencia de la “raza” como tecnología política, a la luz de las nociones de biopoder y necropolítica, con especial atención a los contextos portugués y brasileño, marcados por historias coloniales y mitologías de mestizaje. Se sostiene que la “raza” ha muerto como categoría epistémica, pero sigue viva como práctica social y dispositivo de gobierno.