Autor(es):
Capela, Miguel Ângelo Torrealba
Data: 2026
Identificador Persistente: https://hdl.handle.net/10316/123268
Origem: Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Assunto(s): Otitis Media; Treatment expectations; Antibiotic Resistance; Family Medicine; Children; Otite Média; Expectativas do tratamento; Resistência bacteriana aos antibióticos; Medicina de Família e Comunidade; Crianças
Descrição
Introduction:Acute otitis media (AOM) is one of the most common pediatric conditions and a leading cause of antibiotic prescribing in children. Despite its high rate of spontaneous resolution and the recommendation of a watchful waiting approach in uncomplicated cases, antibiotic therapy continues to be frequently used. The primary objective of this study was to characterize caregivers’ knowledge, experiences, and expectations regarding the management of acute otitis media in children aged 6 to 24 months.Methods:A cross-sectional, descriptive, and exploratory observational study was conducted using a questionnaire adapted from the study by Kautz-Freimuth et al. Caregivers of children aged 6 to 24 months attending Family Health Units (FHUs) in the districts of Aveiro and Coimbra were invited to participate. The questionnaire assessed sociodemographic characteristics, knowledge of AOM, attitudes toward antibiotic use, perceived importance of different sources of information, and previous experiences with AOM episodes. Descriptive statistical analysis was performed using SPSS® and Microsoft Excel®.Results:A total of 127 caregivers and 147 children were included. Most caregivers were female (85.0%), with a mean age of 33.6 ± 5.4 years, and predominantly had secondary or higher education. A tendency was observed to associate AOM with both bacterial (60.6%) and viral (59.8%) etiologies, as well as with severe ear pain (75.6%) and fever (66.9%). Most participants disagreed that AOM could resolve spontaneously (55.9%), and 61.4% believed that antibiotics are necessary for its treatment. High levels of agreement were found regarding the belief that antibiotics relieve pain (71.7%) and reduce fever (65.4%). Healthcare professionals, particularly family physicians (97.6%) and pediatricians (92.1%), were the most highly valued sources of information and advice. Among caregivers with previous experience of AOM, analgesics/antipyretics were the medications most frequently requested (51.8%) and prescribed (64.3%), followed by antibiotics.Conclusion:Although caregivers demonstrated knowledge of certain aspects of AOM, potentially inaccurate beliefs regarding the role of antibiotics persist, particularly their perceived effectiveness in relieving pain and their necessity for treatment. The high level of trust placed in healthcare professionals suggests an opportunity for targeted educational interventions. Furthermore, new therapeutic approaches focusing on pain management, the symptom most highly valued by caregivers, appear promising. This study may serve as a starting point for further exploration of parental expectations regarding the management of AOM in Portugal.
IntroduçãoA otite média aguda (OMA) é uma das patologias mais frequentes em idade pediátrica e uma das principais causas de prescrição de antibióticos em crianças. Apesar da elevada taxa de resolução espontânea e da recomendação da estratégia de watchful waiting - esperar e vigiar – em casos não complicados, a antibioterapia continua a ser frequentemente utilizada. O objetivo principal deste estudo foi caracterizar os conhecimentos, experiências e expectativas dos cuidadores relativamente à abordagem terapêutica da otite média aguda em crianças entre os 6 e os 24 meses de idade.Métodos:Realizou-se um estudo observacional transversal, descritivo e exploratório, com aplicação de um inquérito adaptado do estudo de Kautz-Freimuth et al. a cuidadores de crianças entre os 6 e os 24 meses, em Unidades de Saúde Familiar (USF) dos distritos de Aveiro e Coimbra. O questionário avaliou dados sociodemográficos, conhecimentos sobre OMA, atitudes perante antibioterapia, valorização de fontes de informação e experiências prévias com episódios de OMA. A análise estatística foi descritiva, utilizando SPSS® e Microsoft Excel®.Resultados:Foram incluídos 127 cuidadores e 147 crianças. A maioria dos cuidadores era do sexo feminino (85,0%), com idade média de 33,6 ± 5,4 anos, predominantemente com ensino secundário ou superior. Observou-se tendência para associar a OMA a etiologia bacteriana (60,6%) e viral (59,8%), bem como forte associação com dor intensa (75,6%) e febre (66,9%). A maioria discordou da resolução espontânea da OMA (55,9%) e 61,4% consideraram que esta necessita de antibióticos. Verificou-se elevada concordância com a ideia de que os antibióticos aliviam a dor (71,7%) e reduzem a febre (65,4%). Os profissionais de saúde, especialmente o médico de família (97,6%) e o pediatra (92,1%), foram as fontes de opinião mais valorizadas. Entre os cuidadores com experiência prévia de OMA, os analgésicos/antipiréticos foram os medicamentos mais frequentemente pedidos (51,8%) e prescritos (64,3%), seguidos dos antibióticos.Conclusão:Apesar de existir conhecimento sobre alguns aspetos da OMA, persistem crenças potencialmente desajustadas relativamente ao papel dos antibióticos, nomeadamente a sua associação ao alívio da dor e à necessidade de tratamento com antibióticos. A elevada valorização dos profissionais de saúde sugere uma oportunidade para intervenção educativa. Por outro lado, novas abordagens terapêuticas que visem o tratamento da dor (sintoma mais valorizado) sugerem ser promissoras. Este estudo pode constituir um ponto de partida para explorar as expectativas parentais relativamente à abordagem da OMA em Portugal.