Autor(es): Leal, Patrícia Menezes Santos
Data: 2025
Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/10400.8/15205
Origem: IC-online
Assunto(s): Emissões de carbono; Sustentabilidade empresarial; Rendibilidade das ações; Impacto ambiental; ESG
Autor(es): Leal, Patrícia Menezes Santos
Data: 2025
Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/10400.8/15205
Origem: IC-online
Assunto(s): Emissões de carbono; Sustentabilidade empresarial; Rendibilidade das ações; Impacto ambiental; ESG
Nos últimos 200 anos, as atividades humanas resultaram na emissão de grandes quantidades de dióxido de carbono (CO₂) para a atmosfera, contribuindo para o aumento da temperatura global e para a intensificação de fenómenos climáticos extremos. Assim, as preocupações com o ambiente têm ganho cada vez mais relevância nas decisões de investidores e empresas. Uma das grandes questões centrais consiste em saber se os mercados financeiros penalizam as empresas mais poluentes ou, pelo contrário, se estas oferecem rendibilidades superiores aos acionistas. Esta dissertação analisa o impacto das emissões de carbono na rendibilidade das ações de empresas que integram o índice STOXX Europe 600, entre 2014 e 2024. Para isso, recorreuse a uma abordagem quantitativa com modelos de regressão de dados em painel e efeitos fixos, que permite controlar características específicas das empresas e variações ao longo do tempo. São considerados tanto o nível absoluto das emissões como a sua intensidade. Os resultados mostram que as empresas com maiores níveis de emissões tendem a apresentar rendibilidades inferiores, o que sugere a existência de um prémio verde nos mercados acionistas europeus. No entanto, este efeito está concentrado nas empresas menos poluentes, que beneficiam de um bónus de rendibilidade, e não numa penalização direta das mais poluentes. Já a intensidade de emissões não revelou um impacto estatisticamente significativo nas rendibilidades, embora se tenham identificado indícios de um prémio de carbono. A análise setorial confirma ainda que esta relação não é uniforme, mas depende da atividade económica em causa. No geral, o estudo acrescenta uma perspetiva diferente em finanças sustentáveis, ao destacar a importância de considerar os extremos da distribuição e as especificidades setoriais. Os resultados obtidos são também relevantes, ao evidenciarem que as práticas ambientais já têm reflexo nos mercados financeiros europeus, embora ainda de forma limitada, e devem ser integradas nas estratégias de decisão num contexto de transição climática.