Autor(es): Santos, Luís Filipe Martins
Data: 2024
Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/10400.8/9850
Origem: IC-online
Assunto(s): Fungos marinhos; Fungos arenícolas; Enzimas; Screening; DNA ambiental
Autor(es): Santos, Luís Filipe Martins
Data: 2024
Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/10400.8/9850
Origem: IC-online
Assunto(s): Fungos marinhos; Fungos arenícolas; Enzimas; Screening; DNA ambiental
A biotecnologia, está em constante crescimento, utiliza matéria e recursos biológicos para a produção e desenvolvimento de novos produtos. As enzimas, são biocatalisadores que aceleram e tornam as reações bioquímicas mais eficientes, possuindo uma elevada importância em diversas áreas, como, por exemplo, na indústria (papel, farmacêutica, biocombustíveis, entre outras), na biorremediação e na saúde para fins terapêuticos. O interesse na descoberta de novas enzimas com caraterísticas específicas, como atividade a temperaturas baixas e a diferentes intervalos de pH, é constante. O ambiente marinho é um dos maiores habitats do planeta Terra, albergando uma grande biodiversidade. Diversos organismos marinhos têm revelado ser uma fonte de vários componentes benéficos para a sociedade com capacidade citotóxica, anti-inflamatória, antiviral, atividade enzimática, entre outras. Entre os organismos marinhos, os fungos têm demonstrado possuir um papel ecológico na recirculação do carbono, assim como fonte de diversos compostos bioativos e enzimas. Os fungos arenícolas são um grupo ecológico, associados às praias arenosas, sobre o qual o conhecimento é limitado e que estão sujeitos a pressões antropogénicas, um fator de stress para estes organismos. Neste trabalho pretendeu-se conhecer a comunidade e avaliar a produção de enzimas em fungos arenícolas isolados de amostras de areia recolhidas em 3 praias (Molhe Leste, Supertubos e Consolação) do concelho de Peniche, Portugal. Para isto procedeu-se ao isolamento dos fungos arenícolas existentes nas amostras de areia, os quais foram identificados recorrendo a métodos de biologia molecular (PCR). Posteriormente realizou-se um screening para avaliar a capacidade dos fungos em produzirem enzimas, nomeadamente amílase, celulase, lacase, lípase, protease e xilanase. No total foram identificados 47 fungos dos géneros Absidia, Acrocalymma, Acrostalagmus, Aspergillus, Cladosporium, Clonostachys, Fusarium, Lecanicillium, Microsphaeropsis, Neocamarosporium, Penicillium, Plectosphaerella, Pyrenochaetopsis, Rhizopus, Trichoderma, sendo o Aspergillus e o Penicillium os géneros mais representativos na comunidade amostrada. Além disso, foi registado, possivelmente, a primeira ocorrência de 3 espécies em ambiente marinho e de acordo com um estudo de revisão recente, o primeiro isolamento de 8 espécies e 4 géneros em Portugal. Foram observadas 16 espécies produtoras de amílases, 12 espécies produtoras de celulases, 12 espécies produtoras de lacases, 14 espécies produtoras de lípases, 39 espécies produtoras de proteases e 29 espécies produtoras de xilanases dos 3 locais de amostragem. Também se observou a produção de diferentes enzimas por diferentes estirpes da mesma espécie, isoladas no mesmo ou em diferentes locais de amostragem. Em suma, os fungos arenícolas demonstram ser uma fonte relevante de enzimas com potencial de aplicação para diferentes áreas.