Autor(es):
Castelo, Cláudia
Data: 2026
Origem: Revista de História das Ideias
Assunto(s): Cape Verdian migration; Angola; Settlers; Portuguese colonial empire; Racial hierarchy; Emigração cabo-verdiana; Angola; Colonos; Império colonial português; Hierarquia racial; Migración de Cabo Veridiano; Angola; colonos; imperio colonial portugués; jerarquía social
Descrição
The history of migration and the history of European colonialism have been intertwined from the early modern period to the present, yet many aspects of their intersections remain underexplored. In the case of the twentieth-century Portuguese colonial empire, scholarship has examined not only white settlement’but also labour migration within individual colonies, between them, and beyond. This article analyses the initiative of a small Cape Verdean landowner who, during the ecological crisis of the 1940s”when Cape Verde experienced two periods of drought, famine, and high mortality”and State’s promotion of Portuguese migration to Angola and Mozambique, petitioned the Colonial Ministry to support the settlement of Cape Verdean families on Angola’s central plateau. By not acknowledging the colonized as capable of colonizing, the imperial government prioritizes the deployment of Cape Verdeans to the plantations of São Tomé and Príncipe, thereby contributing to a migratory trajectory marked by social degradation rather than advancement.
Desde a época moderna, a história das migrações e a história do colonialismo europeu estão interligadas, mas há ainda muitos aspetos dessa relação por explorar. No caso do império colonial português no século XX, além do estudo do "povoamento branco", há trabalhos sobre as migrações laborais dentro de cada colónia, entre estas e para o estrangeiro. Este artigo aborda a iniciativa de um pequeno proprietário cabo-verdiano que, na conjuntura de crise ecológica dos anos de 1940 “ quando Cabo Verde enfrentou dois períodos de seca prolongada, fomes e elevada mortalidade “ e de incentivo estatal à migração de portugueses para Angola e Moçambique, procura que o Ministério das Colónias apoie a instalação de famílias cabo-verdianas no planalto central angolano. Não reconhecendo capacidade colonizadora aos colonizados, o governo imperial vai privilegiar o envio de cabo-verdianos para as roças de São Tomé e Príncipe, contribuindo para que a sua trajetória migratória se faça num sentido de depreciação e não de promoção social como acontecia no caso dos colonos portugueses.