Autor(es):
Fernandes, Diogo Lemos
Data: 2026
Origem: Revista de História das Ideias
Assunto(s): Portraiture; D. José I (1714-1777); Giorgio Domenico Duprà; University of Coimbra; Academic attire; Retratística; D. José I (1714-1777); Giorgio Domenico Duprà; Universidade de Coimbra; Traje académico
Descrição
Acquired by the University of Coimbra in 2023, the portrait of Prince D. José (1714-1777), painted by Giorgio Domenico Duprà (1689-1770) in 1726, stands out for its absolute uniqueness, depicting the prince in a sober composition and black attire, stripped of any insignia indicative of his status. This iconography contrasts sharply with contemporary prescriptions regarding the elements and attributes to be included in portraits of D. José, raising questions about the purpose of the commission. Building on the analysis of other analogous and contemporary iconographic repertories, this essay examines the elements of the prince’s attire, interpretable in light of Coimbra academic dress and its symbolic connection to the context of erudition promoted by D. João V in the early decades of his reign. In addition, it traces the notable trajectory of the work, identifying some of its successive owners, including King D. Manuel II (1889-1932) and Hubert Guerrand-Hermès (1940-2015).
O retrato do príncipe D. José (1714-1777) adquirido pela Universidade de Coimbra em 2023, pintado por Giorgio Domenico Duprà (1689-1770) em 1726, destaca-se pela sua absoluta singularidade, apresentando o príncipe numa sóbria composição e traje negro, despojados de quaisquer insígnias alusivas ao seu estatuto. Esta iconografia contrasta com a definição coeva dos elementos e atributos a incluir nos seus retratos, levantando várias dúvidas sobre o propósito da encomenda. Partindo da análise de outros reportórios iconográficos análogos e coevos, o presente ensaio propõe a compreensão dos elementos que compõem o traje do príncipe, interpretáveis à luz do traje académico coimbrão e da sua relação simbólica com o contexto de erudição promovido por D. João V nas primeiras décadas do seu reinado. Do mesmo modo, revela o contexto de circulação da obra, identificando alguns dos seus proprietários: o rei D. Manuel II (1889-1932) e Hubert Guerrand-Hermès (1940-2015).