Autor(es):
Rochette Cordeiro, António Manuel ; Martins Gomes de Gusmão, Cristine ; Barbosa da Silva Ramos, Neferson
Data: 2026
Origem: Cadernos de Geografia
Assunto(s): Ecoterritory; social-ecological systems; physical geography; teerritorial governance; nature-based solutions; territorial sustainability; Ecoterritório; Sistemas socioecológicos; Geografia física; Governança territorial; Soluções baseadas na natureza; Sustentabilidade territorial
Descrição
The concept of ecoterritory emerged in the Portuguese and Iberian context as a strategic planning instrument aimed at enhancing natural heritage, promoting environmental sustainability, and fostering the construction of territorial identities. Despite its relevance, the concept remains limited in terms of conceptual and operational consolidation within the international scientific debate. However, the intensification of the climate crisis, the growing complexity of territorial dynamics, and the consolidation of new paradigms—such as Nature-Based Solutions, open science, and collaborative governance models—highlight the limitations of a predominantly normative and strategic-institutional approach. This article advances a conceptual proposal to reconceptualize the ecoterritory as a living socio-ecological unit, understood as a co-evolutionary territorial system in which biophysical processes, social practices, educational dispositifs, and forms of governance are continuously, adaptively, and openly articulated. Based on a genealogical analysis of the concept and a critical dialogue with international experiences—particularly from Francophone and Canadian contexts—the article identifies the limitations of first-generation ecoterritories and proposes a second-generation approach, grounded in the integration of physical geography, open education, and situated knowledge production. An integrated ecoterritory model is presented, structured around five interdependent layers (biophysical; socioeconomic and cultural; educational and cognitive; institutional governance; and innovation), enabling the articulation between theory and territorial operationalization. The article argues that the explicit incorporation of open education, open science, and Nature-Based Solutions strengthens the capacity of ecoterritories to address contemporary challenges related to sustainability, climate resilience, and territorial justice. It concludes that this approach offers relevant implications for territorial planning and for the design of more integrated and adaptive public policies.
O conceito de ecoterritório emergiu no contexto português e ibérico como instrumento de planeamento estratégico orientado para a valorização do património natural, a sustentabilidade ambiental e a construção de identidades territoriais. Apesar da sua relevância, o conceito permanece ainda limitado em termos de consolidação conceptual e operacional no debate científico internacional. Contudo, a intensificação da crise climática, a crescente complexidade das dinâmicas territoriais e a consolidação de novos paradigmas — como as Soluções Baseadas na Natureza, a ciência aberta e os modelos de governança colaborativa — evidenciam os limites de uma abordagem predominantemente normativa e estratégico-institucional. O presente artigo avança uma proposta conceptual de reconceptualização do ecoterritório como unidade socioecológica viva, entendida como um sistema territorial coevolutivo no qual processos biofísicos, práticas sociais, dispositivos educativos e formas de governança se articulam de modo contínuo, adaptativo e aberto. A partir de uma análise genealógica do conceito e de um diálogo crítico com experiências internacionais — nomeadamente francófonas e canadianas — o artigo identifica os limites do ecoterritório de primeira geração e propõe uma abordagem de segunda geração, ancorada na integração da geografia física, da educação aberta e da produção de conhecimento situado. É apresentado um modelo integrado de ecoterritório, estruturado em cinco camadas interdependentes (biofísica, socioeconómica e cultural, educativa e cognitiva, governança institucional e inovação), que permite articular teoria e operacionalização territorial. O artigo argumenta que a incorporação explícita da educação aberta, da ciência aberta e das Soluções Baseadas na Natureza reforça a capacidade do ecoterritório para responder aos desafios contemporâneos da sustentabilidade, da resiliência climática e da justiça territorial. Conclui-se que esta abordagem oferece implicações relevantes para o planeamento territorial e para o desenho de políticas públicas mais integradas e adaptativas.