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Sleeping sickness (1890-1920): was Mandombe a volunteer research subject for his people?

Author(s): Cotrim Guimarães, Maria Regina ; Lauria, Lilian de Mello

Date: 2024

Origin: Anais do Instituto de Higiene e Medicina Tropical


Description

  With the perspective of contributing to a history of global health, we propose a history of patients in clinical research into African trypanosomiasis (sleeping sickness), at the turn of the 19th/20th century. We emphasize the value of handwritten primary sources, notably those from the field, produced in several European colonies in Africa which reflected clinical and laboratory studies of these patients and generated, in the metropolises, a variety of scientific publications. From an analysis of the “Mandombe case”, described by the London Hospital doctor, Mr. Stephen Mackenzie, we indicate how the documentation, initially medical, about sleeping sickness, makes it possible to understand and analyze, also, the circumstances of the illness, the provision of health care, the conduct of clinical research on people and animals, in the field, the publications derived from them, the participation of people affected by sleeping sickness in this research and, finally, the relationship of these patients with the institutions with which they were involved, among the countless aspects of these people’s lives in spaces affected by the disease and violence of the colonial situation. As a methodology, we established a dialogue between the different types of sources of interest for the present study - handwritten, typed and printed, such as medical records, correspondence, patient record books, research books on patients and their animals, diaries from the field, drawings and maps, publications in scientific magazines and newspaper clippings from the period - and a bibliography on the history of tropical medicine, on European colonization and on the modes of production of scientific knowledge in the period.

  Dans la perspective de contribuer à une histoire de la santé mondiale, nous proposons ici une histoire des patients dans la recherche clinique sur la trypanosomiase africaine (maladie du sommeil), au tournant du XIXe/XXe siècle. Nous soulignons la valeur des sources primaires manuscrites, notamment celles produites sur le terrain, dans quelques colonies européennes d’Afrique, reflétant les études cliniques et de laboratoire de ces patients, et qui ont généré, dans les métropoles, un grand nombre de publications scientifiques. A partir d’une analyse du « cas Mandombe », décrit par un médecin du London Hospital, M. Stephen Mackenzie, nous indiquons comment la documentation, d’abord médicale, sur la maladie du sommeil, permet de comprendre et d’analyser, également, les circonstances de la maladie, la fourniture de soins de santé, la conduite de recherches cliniques sur le terrain sur l’homme et l’animal, les publications qui en découlent, la participation des personnes touchées par la maladie du sommeil à cette recherche et, enfin, les rapports entre ces patients et les institutions avec lesquels ils étaient impliqués, parmi les innombrables aspects de la vie de ces personnes dans des espaces touchés par la maladie et la violence de la situation coloniale. La méthodologie que nous avons établi se caractérise par un dialogue entre les différents types de sources d’intérêt pour la présente étude - manuscrites, dactylographiées et imprimées, telles que les dossiers médicaux, la correspondance, les registres des patients, les livres de recherche sur les patients et leurs animaux, les journaux de terrain, les dessins et des cartes, des publications dans des revues scientifiques et des coupures de journaux de l’époque - et une bibliographie sur l’histoire de la médecine tropicale, sur la colonisation européenne et sur les modes de production des connaissances scientifiques de l’époque.

  Este trabalho tem por objetivo contribuir para uma reflexão mais alargada, no âmbito da história da saúde global, a partir do estudo da história de um doente (de seu nome, Mandombe), e na investigação clínica sobre a tripanossomíase africana (doença do sono), na virada do século XIX para o século XX. Como metodologia, estabelecemos um diálogo entre os diversos tipos de fontes de interesse para o presente estudo - manuscritas, datilografadas e impressas, tais como prontuários médicos, correspondências, livros de registos de pacientes, livros de pesquisa em pacientes e seus animais domésticos, diários de campo, desenhos e mapas, publicações em revistas científicas e recortes de jornais do período - e uma bibliografia sobre a história da medicina tropical, sobre a colonização europeia e sobre os modos de produção de conhecimento científico. A partir de uma análise do “caso Mandombe”, descrito pelo médico do London Hospital, Stephen Mackenzie, indicamos como a documentação, a princípio, médica, sobre a doença do sono, torna possível compreendermos e analisarmos, também, as circunstâncias do adoecimento, da prestação de cuidados de saúde, a condução das pesquisas clínicas em pessoas e em animais, em campo, as publicações delas derivadas, a participação de pessoas afetadas pela doença do sono nestas pesquisas e, por fim, a relação desses doentes com as instituições com as quais se envolveram, entre os inúmeros aspetos das vidas dessas pessoas em espaços afetados pela doença e pela violência da situação colonial. Este quadro multifacetado permitir-nos-á utilizar este trabalho para uma reflexão mais alargada do conceito de One Health, bem como a sua materialização no contexto da história colonial e da história da medicina tropical, em África.

Document Type Journal article
Language Portuguese
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