Document details

Portuguese participation in the Seventh International Congresses on Tropical Medicine and Malaria in 1963: the defense in Brazil of Portuguese overseas policy in times of decolonization

Author(s): Figueiredo Moura da Silva, Ewerton Luiz

Date: 2024

Origin: Anais do Instituto de Higiene e Medicina Tropical


Description

 This article aims to address the relationship between Portuguese and Brazilian tropicalist doctors in the context of the struggle for decolonization of Portugal’s territories in Africa, having as its object of analysis the Portuguese participation in the Seventh International Congresses on Tropical Medicine and Malaria, in September 1963 in Rio de Janeiro. At the beginning of the 1960s, the war began against Portuguese colonial rule in Angola and Portugal, increasingly isolated in the UN, was the target of international pressure for not recognizing the principle of self-determination of the people in its colonies. During this period, an important turning point also occurred in Brazil’s official stance: full support for Lisbon’s overseas cause, manifested in the 1950s, gave way to a more critical stance towards colonialism following the Quadros’s and Goulart’s governments. However, for Salazar’s authoritarian regime, which had chosen Gilberto Freyre’s lusotropicalism as the theoretical basis of foreign policy guided by Lisbon, the realignment of Brazil with Portugal on the colonial issue was expected. In this context, the Congresses on Tropical Medicine and Malaria took place. Through the survey and analysis of a documentary corpus – consisting of works published in the annals of congresses, newspapers from the Portuguese colony domiciled in Brazil, correspondence and reports received by the Ministry of Overseas – I seek to demonstrate how contact between Brazilian and Portuguese doctors contributed to the 1963 congress, in addition to being an important forum for technical-scientific debates, was also used as a space to promote Portugal’s “civilizing mission” that Portugal claimed to carry out in Africa and Asia, at a time when criticism against Portuguese colonialism was growing. Thus, this original article, by addressing the dimension of the political use of a medical congress, aims to offer a contribution to the historiography of tropical medicine and the thematic axis of this edition of the Annals of IHMT – One Health: new historical insights after pandemics.

 Cet article vise à aborder la relation entre les médecins tropicaux portugais et brésiliens dans le contexte de la lutte pour la décolonisation des territoires portugais en Afrique, ayant pour objet d’analyse la participation portugaise aux Septièmes Congrès International de Médecine Tropical et de Paludisme, tenus à Septembre 1963 à Rio de Janeiro. Au début des années 1960, la guerre contre la domination coloniale portugaise a commencé en Angola et le Portugal, de plus en plus isolé au sein de l’ONU, a été la cible de pressions internationales pour ne pas reconnaître le principe de l’autodétermination des peuples de ses colonies. Au cours de cette période, un tournant important s’est également produit dans la position officielle du Brésil: le soutien total à la cause étrangère de Lisbonne, manifeste dans les années 1950, a cédé la place à une position plus critique à l’égard du colonialisme après les présidences de Jânio Quadros (1961) et João Goulart (1961-1964). Cependant, pour le régime autoritaire de Salazar, qui avait choisi le lusotropicalisme de Gilberto Freyre comme base théorique d’une politique étrangère guidée par Lisbonne, le réalignement du Brésil avec le Portugal sur la question coloniale était attendu. C’est dans ce contexte qu’ont eu lieu les Congrès de Médecine Tropicale et Paludisme de 1963. À travers l’enquête et l’analyse d’un corpus documentaire – composé d’ouvrages publiés dans les actes de congrès, de journaux de la colonie portugaise domiciliée au Brésil, de correspondance et de rapports reçus par le ministère des Outre-mer – je cherche à démontrer comment les contacts entre médecins brésiliens et portugais ont contribué au congrès de 1963, en plus d’être un forum important de débats technico-scientifiques, et également utilisé comme espace pour promouvoir la “mission civilisatrice” que le Portugal prétendait accomplir en Afrique et en Asie, une époque où les critiques contre le colonialisme portugais se multipliaient. Ainsi, cet article original, en abordant la dimension de l’usage politique d’un congrès médical, vise à offrir une contribution à l’historiographie de la médecine tropicale et à l’axe thématique de cette édition des Annales de l’IHMT – One Health: nouvelles approches historiques en le contexte du COVID-19.

 Este artigo visa abordar o relacionamento entre médicos tropicalistas portugueses e brasileiros no contexto da luta pela descolonização dos territórios portugueses em África, tendo como objeto de análise a participação lusitana nos Sétimos Congressos Internacionais de Medicina Tropical e Malária, ocorridos em setembro de 1963 na cidade do Rio de Janeiro. No início da década de 1960, iniciou-se a guerra contra o domínio colonial português em Angola e Portugal, cada vez mais isolado na ONU, era alvo de pressões internacionais por não reconhecer o princípio de autodeterminação dos povos nas suas colónias. Nesse período também ocorreu um ponto de inflexão importante na postura oficial do Brasil: o pleno apoio à causa ultramarina de Lisboa, manifesto nos anos 1950, cedeu lugar à postura mais crítica diante do colonialismo a partir das presidências de Jânio Quadros (1961) e João Goulart (1961-1964). Todavia, para o regime autoritário de Salazar, que havia elegido o lusotropicalismo de Gilberto Freyre como a base teórica da política externa orientada por Lisboa, o realinhamento do Brasil com Portugal na questão colonial era esperado. Neste contexto, decorreram os Congressos de Medicina Tropical e Malária de 1963. Através do levantamento e da análise de um corpus documental – constituído por trabalhos publicados nos anais dos congressos, jornais da colónia portuguesa domiciliada no Brasil, correspondências e relatórios recebidos pelo Ministério do Ultramar – procuro demonstrar como o contacto entre médicos brasileiros e portugueses contribuiu para que o congresso de 1963, além de importante fórum de debates técnico-científicos, fosse usado, também, como um espaço para promover a “missão civilizadora” que Portugal afirmava desempenhar em África e Ásia, numa altura em que cresciam as críticas contra o colonialismo português. Assim, este artigo original, ao abordar a dimensão do uso político de um congresso médico, visa oferecer um contributo para a historiografia da medicina tropical e para o eixo temático desta edição dos Anais do IHMT – One Health: novas abordagens históricas em contexto de COVID-19.

Document Type Journal article
Language Portuguese
facebook logo  linkedin logo  twitter logo 
mendeley logo

Related documents