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Armed violence and health systems: four historical trajectories of institutional transformation

Author(s): Beja, André ; Tavares, Filipa

Date: 2026

Origin: Anais do Instituto de Higiene e Medicina Tropical


Description

Introduction: Armed conflicts constitute systemic shocks that profoundly affect health systems, compromising infrastructure, the health workforce, financing and governance. However, history shows that their effects are not limited to destruction, and may trigger processes of institutional innovation, systemic reorganisation and, in certain contexts, the incorporation of adaptive capacities that can be reused in subsequent crises. This interpretation requires caution: identifying innovation in wartime contexts should not be confused with valuing war as a necessary driver of progress, since armed violence produces prolonged direct and indirect health harms. Objective: To comparatively analyse the impact of armed conflicts throughout the nineteenth and twentieth centuries on the transformation of the health sciences and health systems, through four structuring historical moments: the imperial wars of the nineteenth century; the World Wars; the Cold War; and the post-Cold War period. Results: Four structural patterns of transformation are identified: technical-organisational innovation in a pre-systemic context; centralisation and consolidation of national health systems after total industrial war; biomedical technologization in the context of bipolar competition, with unequal effects in colonial and post-colonial settings; and administrative fragmentation with external dependency in scenarios of political disintegration. In the latter, although institutional discontinuity predominates, localised traces of antifragility may at times be observed, incorporated into professional practices and experience. Conclusion: Armed violence does not automatically produce innovation or definitive collapse. Its impact depends on political cohesion, prior institutional capacity and the international context. Health systems are transformed less by war itself than by the structural decisions adopted during and after the violent shock. Sustainable health-system consolidation depends on political reconstruction, the reduction of structural violence and the deepening of peace.

Introduction: Les conflits armés constituent des chocs systémiques qui affectent profondément les systèmes de santé, compromettant les infrastructures, le personnel de santé, le financement et la gouvernance. Cependant, l'histoire montre que leurs effets ne se limitent pas à la destruction et peuvent déclencher des processus d'innovation institutionnelle, de réorganisation systémique et, dans certains contextes, d'incorporation de capacités adaptatives réutilisables lors de crises ultérieures. Cette lecture exige toutefois de la prudence: l'identification d'innovations en contexte de guerre ne doit pas être confondue avec une valorisation de la guerre comme moteur nécessaire du progrès, car la violence armée produit des dommages sanitaires directs et indirects prolongés. Objectif: Analyser comparativement l'impact des conflits armés au cours des XIXe et XXe siècles sur la transformation des sciences de la santé et des systèmes de santé, à travers quatre moments historiques structurants: les guerres impériales du XIXe siècle; les Guerres mondiales; la Guerre froide ; et la période post-Guerre froide. Résultats: Quatre modèles structurels de transformation sont identifiés: innovation technico-organisationnelle dans un contexte pré-systémique; centralisation et consolidation des systèmes nationaux de santé après une guerre industrielle totale; technologisation biomédicale dans le cadre de la compétition bipolaire, avec des effets inégaux dans les contextes coloniaux et post-coloniaux; et fragmentation administrative avec dépendance extérieure dans des scénarios de désintégration politique. Dans ces derniers cas, bien que la discontinuité institutionnelle prédomine, on observe parfois des traits localisés d'antifragilité, incorporés aux pratiques et à l'expérience des professionnels. Conclusion: La violence armée ne produit pas automatiquement ni innovation ni effondrement définitif. Son impact dépend de la cohésion politique, de la capacité institutionnelle préalable et du cadre international. Les systèmes de santé se transforment moins sous l'effet de la guerre elle-même que sous celui des décisions structurelles adoptées pendant et après le choc violent. La consolidation durable des systèmes de santé dépend de la reconstruction politique, de la réduction de la violence structurelle et de l'approfondissement de la paix.

Introdução: Os conflitos armados constituem choques sistémicos que afetam profundamente os sistemas de saúde, comprometendo infraestruturas, força de trabalho, financiamento e governação. Contudo, a história demonstra que os seus efeitos não se limitam à destruição, podendo desencadear processos de inovação institucional, reorganização sistémica e, em certos contextos, de incorporação de capacidades adaptativas reutilizáveis em crises posteriores. Esta leitura exige, porém, cautela: a identificação de inovação em contexto de guerra não deve ser confundida com a valorização da guerra como motor necessário de progresso, uma vez que a violência armada produz danos sanitários diretos e indiretos prolongados. Objetivo: Analisar comparativamente o impacto de conflitos armados ao longo dos séculos XIX e XX na transformação das ciências da saúde e dos sistemas sanitários, através de quatro momentos históricos estruturantes: as guerras imperiais do Século XIX; as Guerras Mundiais; a Guerra Fria e o período pós-Guerra Fria. Resultados: Identificam-se quatro padrões estruturais de transformação: inovação técnico-organizacional em contexto pré-sistémico; centralização e consolidação de sistemas nacionais de saúde após guerra total industrial; tecnologização biomédica no quadro da competição bipolar, com efeitos desiguais em contextos coloniais e pós-coloniais; e fragmentação administrativa com dependência externa em cenários de desintegração política. Nestes últimos, embora predomine a descontinuidade institucional, observam-se por vezes traços localizados de antifragilidade, incorporados nas práticas e nos profissionais. Conclusão: A violência armada não produz automaticamente inovação nem colapso definitivo. O seu impacto depende da coesão política, da capacidade institucional prévia e do enquadramento internacional. Os sistemas de saúde transformam-se menos pela guerra em si do que pelas decisões estruturais adotadas durante e após o choque violento. A consolidação sanitária duradoura depende da reconstrução política, da redução da violência estrutural e do aprofundamento da paz.

Document Type Journal article
Language Portuguese
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