Author(s):
Leone, Alexandre
Date: 2020
Origin: Oasisbr
Subject(s): Crescas; Maimônides; infinito; vácuo; primeira causa; Crescas; Maimonides; infinite; vacuum; first cause; Crescas; Crescas; Maimônides; Maimônides; infinito; infinito; vácuo; vácuo; primeira causa; primeira causa; Crescas; Crescas; Maimonides; Maimonides; infinite; infinite; vacuum; vacuum; first cause; first cause
Description
This article focuses on the concept of the "infinite in act" of the medieval Jewish philosopher Has-dai Crescas (1340–1411), formulated in the book Or Hashem (1410) to Maimonides' first three propositions, as set out in the second part of the Guide of the Perplexed. Maimonides' theses aim to deny the possibility of the current infinite as an immaterial or material magnitude, as an infinite set of finite beings and as an infinite series of cause and effect. After a brief exposition of the trajectory of the concepts of infinity in the different Jewish wisdom traditions received in the Middle Ages, we indicate how the argument for the current idea of infinity in Crescas dialogues with them. From this dialogue, the concept of the infinite emerges as a singularity updated parallel to the real as an infinite vacuum, a place of coexistence of infinite universes, and as an actual divine infinite like Kavod, Glory, which fills the infinite universe and as an immanent cause of the infinite series of cause and effect that constitutes the eternal existence of contingent beings. In the critique of the third Maimonidian proposition, the first cause is described as an ontological and immanent cause of the infinite series of causes and effects. In this discussion, Crescas points to an idea of God very different from that developed by Maimonides. Here we have the medieval Jewish debate between defenders of divine transcendence and defenders of immanence. This theme is important for the understanding of the reception of Hasdai Crescas' work by Picco Della Mirandolla, Bruno and Espinosa.
Este artigo enfoca a concepção de infinito atual do filósofo judeu medieval Hasdai Crescas (1340–1411), formuladas no livro Or Hashem (1410) às três primeiras proposições de Maimônides, tal como são enunciadas na segunda parte do Guia dos Perplexos. As teses de Maimônides têm como objetivo negar a possibilidade do infinito atual como magnitude imaterial ou material, como conjunto infinito de seres finitos e como série infinita de causa e efeito. Após uma breve exposição da trajetória dos conceitos de infinito nas diversas tradições sapienciais judaicas recebidas na Idade Média, indicamos como a argumentação em prol da ideia de infinito atual em Crescas dialoga com elas. Desse diálogo, emerge o conceito de infinito como singularidade atualizada paralelamente no real como vácuo infinito, lugar de coexistência de infinitos universos, e como infinito atual divino como Kavod, Glória, que preenche o universo infinito e como causa imanente da série infinita de causa e efeito que constitui a existência eterna dos seres contingentes. Na crítica à terceira proposição maimonidiana, a causa primeira é descrita como causa ontológica e imanente da série infinita de causas e efeitos. Nessa discussão, Crescas aponta para uma ideia de Deus muito diferente daquela elaborada por Maimônides. Temos aqui o debate judaico medieval entre os defensores da transcendência divina e os defensores da imanência. Esse tema é importante para a compreensão da recepção da obra de Hasdai Crescas por Picco Della Mirandolla, Bruno e Espinosa.