Autor(es): Costa, Gonçalo
Data: 2026
Origem: Análise Social
Assunto(s): Imagem; Temporalidade; Estado Novo; Cinema; 25 de Abril; Image; temporality; Estado Novo; cinema; April 25th
Autor(es): Costa, Gonçalo
Data: 2026
Origem: Análise Social
Assunto(s): Imagem; Temporalidade; Estado Novo; Cinema; 25 de Abril; Image; temporality; Estado Novo; cinema; April 25th
The April 25th Revolution brought about radical changes in consciousness and identity among the Portuguese population, challenging decades of historical imagery constructed by the Estado Novo – a process in which the visual arts played a fundamental role. In comparison with certain moments of the Centenary Commemorations (1940), this article seeks to analyze one of the first revivals of a medieval imagery in the post-revolutionary period: the film Que Farei eu com esta Espada? (“What shall I do with this sword?”, 1975) by João César Monteiro. In contrast to the regime's historicist appropriations, this leap into the past, now “under the open sky of history” (Benjamin, 2010), ripped from temporal continuity an anachronic and allegorical image of the redemption of a “people” defined through their revolutionary activity.
A Revolução do 25 de Abril implicou radicais mudanças de consciência e identidade entre a população portuguesa, colocando em causa décadas de construção de imaginários históricos por parte do Estado Novo – processo no qual as artes visuais desempenharam um papel fundamental. Numa comparação com alguns momentos das Comemorações Centenárias (1940), este artigo procura analisar uma das primeiras recuperações de um imaginário medievalizante no período pós-revolucionário: o filme Que Farei eu com esta Espada? (1975) de João César Monteiro. Em contraste com as apropriações historicistas da ditadura, este salto para o passado, agora “sob o céu livre da história” (Benjamin, 2010), arrancava da continuidade temporal uma imagem anacrónica e alegórica da redenção de um “povo” definido através da sua atividade revolucionária.