Autor(es): da Silva, Maria Manuela
Data: 1976
Origem: Análise Social
Assunto(s): planificação social; significados; génese dos discursos; social planning; meanings; genesis of the speeches; .
Autor(es): da Silva, Maria Manuela
Data: 1976
Origem: Análise Social
Assunto(s): planificação social; significados; génese dos discursos; social planning; meanings; genesis of the speeches; .
The expression «social planning» employed either in current speech or in scientific or technical works refers to a heterogenous and unequal set of subjects and a multiplicity of ideological orientations, not seldom contradictory. As a first approach to the problem of delimitating the contents of «social planning», one tries, in this article, to make an inventory as exhaustive as possible of the meanings included in that expression, aiming at replacing them into the context of their syntaxes. Thus, at the same time, one underlines the ambiguity of such an expression and the consequent necessity of breaking with common sense notions or etymological definitions and it becomes evident that the expression «social planning» is only intelligible from the ideological-theoretical context to which it refers in each case, as well as to speak of about «social planning» necessarily concerns a certain form of apprehending the reality. But Michel Foucault's ideas on the «order of speech» give an epistemological reference frame particularly fruitful for a second approach to the problem under discussion. Two questions make a starting-point for this second approach: what is the genesis of the «social planning» speeches? One looks for, through this way, a critical analysis, considered to be indispensable, regarding the different available «social planning» speeches.
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A expressão «planificação social», quer usada na linguagem corrente, quer em obras ditas científicas ou técnicas, designa um conjunto heterogéneo e díspar de matérias e uma multiplicidade de orientações ideológicas, não raro contraditórias. Como primeira aproximação do problema da delimitação de um conteúdo da «planificação social», procede-se neste artigo a uma inventariação quanto possível exaustiva dos significados contidos naquela expressão, procurando repô-los no contexto das respectivas sintaxes. Deste modo, ao mesmo tempo que se faz ressaltar a ambiguidade da expressão e a consequente necessidade de ruptura com as noções do senso comum ou com as definições etimológicas, torna-se evidente que a expressão «planificação social» só é legível a partir do contexto teórico-ideológico a que se reporta em cada caso e ainda que falar de «planificação social» remete forçosamente para uma dada forma de apreender o real. As ideias de Michel Foucault sobre a «ordem do discurso» fornecem, porém, um quadro de referência epistemológico que se revela particularmente fecundo para uma segunda aproximação do problema em causa. Duas interrogações constituem o ponto de partida desta segunda aproximação: qual a génese dos «discursos» de «planificação social»? Quais os traços ou marcas que a «ordem do discurso», com os respectivos sistemas de exclusão, tem imprimido aos «discursos» específicos de «planificação social»? Procura-se, por esta via, uma análise crítica, que se reputa indispensável, dos vários «discursos de planificação social» disponíveis.